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Tomb Raider: A Origem e o retorno de Lara Croft numa terra de feministas

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Lara Croft está de volta. Desta vez, com mais roupa e com menos gemidos, pelo que se pode observar, mas será que este é o filme que sempre esperamos para a personagem e, ainda, uma boa adaptação de game para o cinema?

Vamos começar com sinceridade. A indústria do entretenimento tem se apropriado de lutas sociais para alcançar um público que antes não entrava em suas decisões de direcionamento. Os motivos podem ser diversos: o foco em homens brancos heterossexuais no videogame e no cinema (male gaze – a expressão “olhar masculino” se refere ao enquadramento frequente de objetos de arte visual para que o espectador se coloque numa posição de apreciação “masculina”[1]) por exemplo; nas mulheres brancas, quando o assunto eram os sitcons, como A Feiticeira ou Jeannie é um Gênio, em que a personagem mulher tinha poderes sobrenaturais, mas estava em posição de subserviência em relação ao personagem homem (ou seja, você pode ser uma super mulher, mas o homem ainda está acima de você); a baixa representatividade de mulheres, pessoas negras e LGBTQ no mercado de trabalho – se você não trabalha (no caso, o mercado não dava e tende, ainda, a não dar emprego ou preferir o homem branco), você não tem dinheiro, não consome e, portanto, não representa um segmento de mercado interessante.

Isso também se evidenciou, por anos, no ramo de vestuário. Se voltarmos algumas décadas, no Brasil, para se ter uma camiseta de O Senhor dos Anéis, por exemplo, ou você importava (o que significava muito dinheiro e se tornava uma impossibilidade) ou levava a imagem desejada em uma gráfica e imprimia em uma camiseta qualquer. Não eram comuns lojas vendendo esse tipo de produto, pelo menos não fora das grandes capitais. Hoje, podemos comprar não só camisetas de O Senhor dos Anéis, como de heróis e heroínas dos quadrinhos, além de outros itens temáticos que, por muito tempo, foram associados a pessoas desconsideradas socialmente. O capital simbólico que reconhecemos, atualmente, como universo nerd e/ou geek, nos anos 1980, era motivo de bullying de diversas formas.

Por outro lado, não podemos deixar de comemorar um aumento na representatividade de determinadas identidades em diferentes esferas sociais e culturais. No entanto, podemos e devemos avaliar criticamente o que é oferecido a nós.

O primeiro jogo que joguei com uma personagem mulher foi Tomb Raider (1996, desenvolvido pela Core Design e publicado pela Eidos Interactive). Ela era uma versão mulher de Indiana Jones, que eu adorava! Eu tinha quinze anos e ganhei meu primeiro computador e, anterior a isso, tinha jogado muito pouco, pois nunca tive nenhum videogame (dependia de empréstimos ou de convites para jogar). Hoje, lembrando dos primeiros jogos, tenho certeza de quem nem percebia a pobreza que eram os gráficos naquele tempo (era o que a tecnologia podia fazer evidentemente). Já havia jogado alguns títulos e já tinha minhas preferências por jogos com histórias, como Alone in the Dark e Myst (um dos meus jogos favoritos até hoje), mas nenhum jogo, antes de Tomb Raider, me ofereceu uma personagem mulher que eu pudesse utilizar como minha avatar dentro da história (vejam bem, estou falando da minha vivência como jogadora e não da história do videogame).

Imagem Tomb Raider 1996

Além de não ver um problema nos gráficos da época, também não via problemas em como a representação de Lara Croft se efetivava. Eu via nela uma heroína, tão boa e tão forte quanto qualquer protagonista homem em videogames, uma representação de mulher forte e poderosa, vivendo aventuras que, antes, estavam reservadas apenas para os homens. O que eu não via, por outro lado, era o grande senão de Lara Croft: uma personagem objetificada, fetichizada e distorcida para agradar aos olhares e desejos masculinos (lembram do male gaze que citei?). Não só ela era representada usando roupas curtas e justas ao corpo, que era bastante exagerado, especialmente nos seios e no bumbum, como executava movimentos corporais desnecessários e nada práticos que eram acompanhados de sons que imitavam gemidos sexuais, inclusive quando ela sofria algum machucado. São mais de vinte anos de gemidos sem sentido.

Ao lado desses aspectos, apresentados nos jogos pelas próprias desenvolvedoras (e isso só vai se modificar um pouco recentemente, em Rise of the Tomb Raider), o universo de recepção dos jogos (os jogadores, especialmente os homens) via Lara de outra forma: ela era uma boneca sensual e sexual com a qual eles poderiam brincar, ou melhor, que eles podiam controlar. Há, inclusive, lendas sobre códigos escondidos nos jogos que deixariam a personagem nua (tudo lenda mesmo). No entanto, alguns pacotes de texturas podiam ser aplicados à arqueóloga, deixando-a, muitas vezes, sem roupa. Além disso, são diversas as animações e live-actions pornográficos com a personagem, inclusive com cenas de estupro.

Como jogadora e pesquisadora de jogos, não posso deixar de falar sobre as questões culturais implicadas quando mencionamos Lara Croft. O debate sobre estes elementos é pertinente, ainda mais num contexto social em que a mulher continua sendo oprimida e vítima de violências horríveis e muitas vezes validadas pela própria justiça (como o recente caso do juiz que absolveu o pai que agrediu a filha com fio elétrico, causando lesões com mais de vinte centímetros nas costas da menina, e justificou a decisão como “mero exercício do direito de correção”). Vivemos numa sociedade machista e sexista e na qual a cultura do estupro é parte integrante infelizmente.

Em 2013, tivemos um reboot da franquia com o jogo Rise of the Tomb Raider, em que vemos a origem da personagem antes de se tornar a heroína que já conhecemos, tanto nos jogos como no cinema. Um episódio chamou a atenção de fãs durante a produção do jogo: foi noticiado que haveria uma cena de estupro e que isso estaria entre os elementos responsáveis pela criação da identidade da arqueóloga. Evidentemente, a equipe não consultou nenhuma teoria sobre construção de identidade, tampouco pessoas de correntes feministas, porque, do contrário, teriam dito: estupro não deve ser usado como motivador para criar uma personagem forte. Diante de muitas manifestações virtuais sobre a tal cena, a desenvolvedora retirou isso do roteiro.

Eu poderia dizer que, apesar de ficar contente com o retorno da personagem às telas de cinema, percebo que ainda há bastante a ser modificado e basta observarmos o pôster que abre este texto. Temos uma Lara que já passou por maus bocados evidentemente: há um curativo no braço direito e um corte na bochecha direita, ela parece um pouco suja e suada. Além disso, vemos seus músculos destacados pela pose em questão e também uma arma na mão direita. Detalhe: ela não está em posição frontal no pôster, mas de costas e com o pescoço torcido para o lado, de forma que podemos ver parte do seu rosto, mas, também, parte do seu peito e, evidentemente, o bumbum. Este pode ser aquele momento em que nos perguntamos: por que a equipe de arte e de divulgação de filmes continua colocando as mulheres nessas posições? É importante que nos perguntemos e observemos se isso ocorre com os personagens homens. Dificilmente.

O trailer completo pode nos oferecer mais elementos, mas somente o filme completo nos permitirá uma análise mais aprofundada. Como fã de Lara Croft, espero não só ver a minha heroína ganhando uma nova construção de identidade nas telas dos cinemas como, também, uma nova visão dessa personagem que faz parte da história dos videogames e pode, sim, ser uma representante empoderada e representativa das mulheres que queremos hoje. Lembrem-se que a representatividade precisa e deve ser significativa.

[1] https://plato.stanford.edu/entries/feminism-aesthetics/

Aline Job manja das paradas da literatura e do videogame, prefere o título de Mestra (como Yoda, Splinter, etc.), mas é também Doutora em Teoria da Literatura. Fã de fantasia, ficção científica, RPGs computadorizados e mundos pós-apocalípticos, ela vive tentando provar que vivemos na Matrix.

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Cinema

Coringa, de Todd Phillips, o espelho de um mundo doente

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Coringa, de Todd Phillips, o espelho de um mundo doente

Cláudio Diniz e Warley Cardoso

 

“É do inferno dos pobres que é feito o paraíso dos ricos.”

(Victor Hugo)

Olá, Leitor!

Uma das tópicas mais importantes do filme Coringa (2019), de Todd Phillips, é a melancolia do palhaço fracassado que enxerga na violência desmedida um caminho a seguir em meio ao caos de um mundo que não deu certo. O cenário é uma Gothan City que poderia se assemelhar a qualquer cidade onde a falta de esperança num Estado que “caga” para o cidadão resulta na revolta das maiorias silenciosas. O desprezo dos mais ricos com os deserdados do capitalismo conduz à carnavalização da miséria no festim diabólico da indústria cultural. No fim, a revolta iminente dos invisíveis da história não é apenas uma visão dantesca de um inferno utópico, mas uma assustadora e complexa escatologia.

Definitivamente, não é um filme que deve ser interpretado com simplismo a partir de uma chave de leitura política de direita ou de esquerda. Tampouco, uma ficção baseada no projeto de desenvolvimento da origem do vilão como já se fez para o próprio Batman. Na Gotham de Todd Phillips, não há espaço para romantismos de qualquer inspiração. Coringa é um filme que impacta porque é perturbador, sanguinário e sem um sentido ficcional previamente estabelecido. Talvez, a chave de leitura mais importante do filme reside na percepção de que o protagonista desse thriller dramático está muito mais próximo do ser humano do que jamais se pensou que tal vilão poderia estar.

Disponível em https://www.cineset.com.br/critica-coringa-joaquin-phoenix-2019/ Acesso em 16.10.2019

“Um soco na cara” é uma possível definição que se pode ter após assistir a este filme perturbador e magnífico.

Logo no início da sessão nos deparamos com um protagonista doente, que necessita da ajuda do Estado para cuidar de si e da mãe convalescente. Sua perturbação e suas preocupações são grandes.

O clima que envolve a trama, sua fotografia e a forma como são expostos os seus dramas nos comovem desde o primeiro momento pois, a imersão no universo do personagem é enorme e tudo o que lhe acomete provoca um grande incômodo.

Se existe uma palavra para definir o que sentimos ao longo das mais de duas horas de filme é desconforto. Desconforto ao ver uma Gotham decadente, suja, desorganizada, sem apoio político para as pessoas menos favorecidas e desconfiada, acima de tudo, de sua classe política que nada faz pelos cidadãos. Afinal, a invisibilidade social e o desprezo aos mais necessitados é recorrente. É neste cenário que está Arthur Fleck (Joaquin Phoenix), um palhaço triste e sem talento, que sobrevive em meio à criminalidade e à dificuldades econômica. Um cara ocupado com trabalhos pouco dignos e que busca ganhar a vida fazendo os outros rir numa Gotham City sem qualquer disposição para isso. A cidade cheia de lixo, fruto de uma greve prolongada do serviço de limpeza urbana, é apenas uma dentre as várias metáforas visuais do filme.

O pobre e solitário palhaço vive com a sua mãe doente (Frances Conroy), que o chama desde criança de happy (uma pequena ironia relacionada com um problema neurológico que faz com que Arthur ria de forma descontrolada quando se sente eufórico ou nervoso). Mãe e filho, carregados de traumas psicológicos, apoiam-se na esperança de que o magnata Thomas Wayne  apareça para ajuda-los porque, supostamente, ele seria o pai biológico de Arthur Fleck.

Devido a sua doença ele carrega consigo um cartão para explicar sua condição e o entrega a desconhecidos sempre que tem um ataque de riso no momento errado, o que é deprimente. Arthur é uma vítima na maior parte da história, humilhado e enganado por todos, e que se afunda cada vez mais numa miséria tão abismal que o suicídio é uma ideia recorrente. No entanto, Arthur acaba se transformando em um assassino frio e cruel. Esse processo é gradual e nos faz questionar se alguns daqueles problemas poderiam acometer qualquer um de nós em algum momento.

É de se esperar, tendo em vista toda a história, canônica ou não, que a transformação de Arthur seja uma coisa previsível desde o primeiro frame, porém a história ainda consegue oferecer algumas surpresas ao longo da descida de Arthur à loucura homicida.

Pode-se perceber as inúmeras influências diretas presentes no filme e alguns fans services. Os rascunhos no diário, no qual anota suas ideias criativas fazem lembrar de Psicopata Americano (2000). A narrativa triste remete a HQ A Piada Mortal (1988) e a sequência no talk show tem uma homenagem ao seminal O Cavaleiro das Trevas (1986), de Frank Miller. A presença de Robert DeNiro como o apresentador Murray Franklin, uma inversão propositada de O Rei da Comédia (1983), em que o apresentador era Jerry Lewis e De Niro fazia o papel do sociopata que aspirava ser comediante. Zazie Beets traz uma normalidade precisa ao papel de vizinha e interesse amoroso de Arthur e, Frances Conroy, representa com brilho uma mãe instável.

Coringas. Disponível em https://nerdficina.com.br/2018/09/25/a-evolucao-do-coringa-nos-cinemas/ Acesso em 16.10.2019

Enquanto o Coringa de O Cavaleiro das Trevas é uma encarnação enigmática, porém de ótimo gosto, de puro caos, imprevisibilidade e animalesco, Joaquin Phoenix concretiza sua interpretação tornando o personagem mais humano e tridimensional.

O Coringa de Phoenix é um personagem renovado, uma versão mais fiel às HQ’s, mais patético, mais performático e, ao mesmo tempo, com sequências de dança e expressões corporais memoráveis que remetem  ao personagem Alex, de Laranja Mecânica (1972). O trabalho de Joaquin Phoenix é fantástico até nos mais pequenos detalhes. Os 23 kg a menos, as unhas roídas até ao sabugo e, propositalmente, manchadas de nicotina, ajudam Phoenix a compor a encarnação real de Arthur, dá a ele substância.

Percebe-se que a linha criativa que Todd Phillips procura seguir é a de Martin Scorcese. Este é sua inspiração e o filme claramente baseia-se nos clássicos dos anos 70 como O Rei da Comédia e Taxi Driver (1976). É uma interpretação profunda, construída sobre um ponto de vista subjetivo de uma pessoa com graves distúrbios mentais que se arrasta lutando para sobreviver. A trilha sonora completa a imersão do filme. É o melhor trabalho de Todd Phillips, incluindo o figurino, produção e fotografia impecável.

Existe, porém, uma tênue camada de interpretação. Para uns isso pode levar a uma glamorização do vilão carismático e seu comportamento. Porém, subsiste certa discussão sobre o fato de o personagem poder ou não incentivar as massas para a desordem e o caos por motivo do tamanho desconforto e inquietação dessa película. Mas, absolutamente, o Coringa não foi feito para ser uma apologia ao comportamento de seus personagens. Talvez seja um instrumento fantástico de questionamento das mazelas do nosso tempo. Entretanto, podemos pensar que ele é uma interpretação fidedigna de uma realidade atual e maçante, aturdido por um sistema, seja ele político e ou financeiro, que espreme as pessoas que precisam de ajuda, que esmaga os mais necessitados. Ao mesmo tempo, é uma crítica a muitos comportamentos da nossa sociedade doente, um questionamento sobre tudo o que fazemos no mundo.

É claro que um filme sobre um dos maiores vilões da cultura pop não poderia deixar de se atirar nos temas atuais levando ao confronto com o espectador. A película é uma obra de arte, uma ode a um reflexo da psique de um personagem de enorme grandiosidade. Coringa é desconfortável, instável, carregado de controvérsias, e um dos filmes que melhor captura o estranho espírito do tempo, nosso Zeitgeist de 2019.

Uma mensagem sobre a nossa falta de empatia que faz com que cada vez mais pessoas com problemas passem despercebidas, sem acolhimento, relegadas ao esquecimento e ao desprezo. É uma crítica contundente a uma sociedade que sobrevive dos restos de uma minoria rica que pouco se importa com seus problemas e sua miséria, fazendo com que toda essa mistura mágica tenha como resultado o caos e a convulsão social.

Enfim, uma obra que se passa num outro tempo, mas que fala tanto de nosso presente e nos faz duvidar do futuro. Isto é, um verdadeiro soco na cara.

Conrad Veidt e Joaquin Phoenix. Disponível em https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2019/10/02/o-homem-que-ri-o-filme-assustador-de-palhacos-que-inspirou-coringa.htm Acesso em 16.10.2019

O Coringa, principal antagonista do Batman, foi criado em 1940 por Jerry RobinsonBill Finger e Bob Kane para a DC Comics. Sem dúvida, o vilão é uma evidente menção ao personagem Gwynplaine da obra O homem que ri (1869), de Victor Hugo. Com o propósito de exibi-lo como atração de feiras e circos, os traficantes de crianças (comprachicos) da Inglaterra do fim do século XVII cortam os dois lados da boca de Gwynplaine transformando-o num verdadeiro monstro. Contudo, é o mundo em que Gwynplanine vive que é monstruoso. O descaso com os mais desafortunados é a demonstração de uma modernidade medíocre que busca o exótico e o pitoresco na fronte dos invisíveis do capitalismo. Mais tarde, em 1928, a obra de Hugo foi apresentada em suporte cinematográfico pelo diretor expressionista alemão Paul Leni. Essa tradução intersemiótica revelou-se como a base para a criação do personagem dos quadrinhos. O filme de Leni foi visto como uma obra de terror por causa da excelente caracterização de Conrad Veidt (1893-1943), mas o gênero é evidentemente dramático. A relação com o filme de Todd Phillips, nesse sentido, fica mais próxima ainda. Coringa de Todd Phillips é o drama de um invisível que, como procuramos demonstrar, oferece um espelho melancólico de um mundo doente.

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Cinema

O sol também é uma estrela – A adaptação

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Título original: The sun is also a star

Direção: Ry Russo-Young

Elenco: Yara Shahidi, /charles Melton, John Leguizamo, Gbenga Akinnagbe, Keong Sim, Hill Harper.

Produtora: Leslie Morgenstein

Distribuição: Warner Bros.

Nota: 2

Sinopse: Natasha (Yara Shahidi) é uma jovem extremamente pragmática, que apenas acredita em fatos explicados pela ciência e descarta por completo o destino. Em menos de 12 horas, a família de Natasha será deportada para a Jamaica, mas antes que isso aconteça ela vê Daniel (Charles Melton) e se apaixona subitamente, o que coloca todas as suas convicções em questão.

Depois de ter curtido bastante a adaptação Tudo e todas as coisas para o cinema minha expectativa para a pré-estreia de O sol também é uma estrela estava praticamente nas nuvens, sobretudo por ter sido uma história que curti muito ler.

No livro, Natasha é uma garota astuta, esperta, escorregadia, com tiradas legais. Daniel é um meninão, mas é muito emocional e sonhador de um jeito que conquista o leitor. Há na história uma inversão de papéis já que Natasha é que é o racional e Daniel o emocional do que não podemos chamar propriamente dito um relacionamento.

A minha primeira decepção com o filme foi, portanto, em relação aos personagens (e quem os interpreta, propriamente dito).

Yara Shahidi, apesar de ser fisicamente muito bem escolhida, eis que muito parecida com o que imaginei para Natasha, não chegou nem perto de ser a Natasha que vi no livro.

No início do filme tive uma impressão muito estranha de que os atores estavam muito pouco entrosados, sem química, não me conquistando nos primeiros minutos. Natasha fala pouco, não tem a maioria das tiradas legais e inteligentes do livro e há muita brecha nos diálogos entre os personagens, o que incomodou muito.

Ao longo do filme essa impressão e entrosamento vai passando em relação ao Charles Melton, mas não em relação à Yara, uma pena. Não digo que a atuação do ator tenha sido magistral, mas deixou menos a desejar.

Em relação à história em si, como eu disse, há muitas brechas nos diálogos e algumas cenas aleatórias bem desnecessárias. Alterar o tempo em que se passa a história do livro de um dia para praticamente dois para que o filme durasse mais prejudicou mais do que ajudou, pois no fim das contas eles fizeram as mesmas coisas praticamente na mesma ordem e no mesmo tempo, contudo, permeados pelas cenas inúteis.

A fotografia, no entanto, foi um ponto salvador do filme, com cenas muito bem construídas da cidade. É um alívio para os olhos.

A trilha sonora é condizente com o filme e algumas me envolveram com a batida forte, fiquei interessada em ouvi-las depois do filme.

Para quem não leu o livro o filme vai parecer mais uma comédia romântica adolescente sobre acreditar em destino, como tantos outros que vemos por ai. Neste sentido, vale assistir. Como adaptação literária é uma ótima obra à parte, não se complementam.

Assistam ao trailer!

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Cinema

IT, a coisa – Capítulo 2 tem trailer e pôster divulgados

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Olá, leitores!

Para aqueles que já leram e assistiram o Capítulo 1 de It, A coisa, ficou aquelas expectativa e ao mesmo tempo frustração pelo fato do filme ter contado apenas metade da história, certo?

Agora, os fãs da obra literária (e até aqueles não tão fãs, mas que curtem uma história de terror) terão a oportunidade de conferir o segundo capítulo da adaptação e descobrir se o restante da história está lá, claro, à sua maneira.

A Warner Bros. divulgou, quase que simultaneamente, o trailer um do Capítulo 2 e o cartaz, e o resultado de ambos, caros leitores… bem, confira!

Eu estou assombrada com esse cartaz e vocês? Por enquanto, só resta dizer: Que venha setembro! Que venha o Capítulo dois!

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