Resenha: PDM – Stephen Wallenfells

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“Mamãe voltaria para casa um dia antes do meu aniversário. Sairíamos para comer pizza, eu, ela e meu pai, e eu faria meu último treino de direção no carro dela, um Camry. Em vez disso, ganho uma invasão alienígena de aniversário. Que sorte.”

Olá Leitores do Sobre Livros! Apesar de ser a mulher mais medrosa que você conseguir imaginar, eu adoro histórias de alienígenas. Não consigo aceitar a ideia de que estamos sozinhos no universo, e mais dia menos dia, eles hão de aparecer. Só não acredito que vai ser de madrugada e no meio do mato, porque por favor… Inteligentes o suficiente para passear pelo universo e vêm aparecer para as vacas? Sinto muito, não dá… uhauahuahuhaa…

Esquecendo minhas teorias de visitantes extraterrestres, vamos ao que interessa. Hoje venho apresentar para vocês o livro PDM, escrito por Stephen Wallenfels. Esse livro de estreia tornou-se um sucesso estrondoso com diversas críticas positivas, e apesar de ser planejado para ser volume único, o autor resolveu atender aos fãs e já escreveu uma continuação denominada Monolith.

“Sempre achei que correr às cinco da matina é uma coisa bem imbecil. Agora sei por quê.”

PDM acompanha os dias subsequentes a uma invasão alienígena de dois personagens. Os capítulos são curtos, alternando a narrativa em primeira pessoa de Josh, um adolescente de 15 anos que está em Prosser, Washington e Megs, uma pré-adolescente de 12 anos que está em Los Angeles, Califórnia.

A narrativa vai nos apresentando o desenrolar dos acontecimentos após grandes esferas negras aparecerem no céu destas duas cidades – os leitores concluem que está acontecendo por toda a parte, mas isso não fica claro no livro. Josh apelida essas esferas de PDM – Pérolas da Morte. Quando aparecerem as PDMs emitiram um som forte, que desnorteou os humanos. Depois quem estava nas ruas foi pulverizado – e quando falo pulverizado, me refiro a desaparecerem sem sobrar nem pó.

Os humanos então são mantidos reclusos nos prédios em que estão no momento da invasão, quem estava de fora foi aniquilado, e quem tenta enfrentar as naves é imediatamente pulverizado. Josh estava em casa apenas com seu pai – a mãe estava em uma viagem de negócios. E Megs está sozinha, em um carro estacionado em uma garagem de um hotel, esperando o retorno de sua mãe para seguirem a viagem. Nem preciso mencionar que os planos de todo mundo foram por água abaixo, certo?

Josh é rabugento e engraçado como qualquer adolescente, e nos brinda com diversas tiradas cômicas. O desenrolar de sua história é intensa e choca diversas vezes, afinal o autor nos lança percepções e reflexões que só são possíveis ao se estar em situações extremas.

Megs é um doce. Para uma garotinha, suas atitudes são maduras e de uma forma incomensurável. Apesar de sua tenra idade, já passou de diversos momentos difíceis em sua vida e vai precisar de toda sua esperteza para conseguir sobreviver.

“Bom, se você estava querendo me deixar em pânico, a porcaria da missão foi cumprida!”

É bom lembrar que a narrativa fluída não nos engana: o conteúdo é visceral, nos deixando encabulados com o desfecho de cada situação. Megs precisa aprender a sobreviver encurralada e Josh observa seu pai enlouquecer…

A frase de abertura do livro que afirma que “sobreviver a um cerco alienígena é um feito, sobreviver à humanidade é outra história” é plausível. Durante toda a leitura somos levados a questionar quem é o verdadeiro inimigo.

Eu AMEI essa leitura. Narrativa dinâmica, encorpada, que arremessa no nosso colo uma série de verdades que não gostamos de encarar. E apesar de trazer um tema pesado, o autor consegue apresentar de uma forma tão leve que conseguimos digerir tudo sem grandes traumas…

Indico a leitura do livro para aqueles que gostam de aventura, de se desafiar e principalmente, de questionar seus próprios demônios. Boa leitura!

“Isso me faz lembrar de algo que mamãe chamava de Espiral da Vida, uma teoria que diz que, quando as coisas começam a dar certo, elas dão certo mesmo. E, quando começam a dar errado, tudo sai completamente errado.”

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Laila Ribeiro é mestra em Escrita Criativa pela PUCRS; pós-graduada em Gestão Empresarial, em Gestão Pública e MBA em Gestão de Recursos Humanos; graduada em História pela PUC Minas (2014) e em Administração Geral e Agroindustrial pela Universidade Presidente Antônio Carlos (2007). Atualmente, é membro da equipe do site literário Sobre Livros (www.sobrelivros.com.br), e mantém o canal literário https://www.youtube.com/c/ribeirolaila. Participou de antologias de contos (Insanas - Elas Matam!, Onisciente Contemporâneo, Translações Singulares e Não Culpe o Narrador) e, em 2016, foi monitora da Oficina de Criação Literária do professor e escritor Luiz Antonio de Assis Brasil.

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