Resenha: Flores Partidas – Karin Slaughter

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Olá leitores do Sobre Livros! Eu adoro um bom thriller! Assisto muitas séries e filmes que apresentam resoluções de crimes e fico extasiada quando encontro um bom livro desse gênero. O que me atrai não são os crimes em si, mas as motivações do criminoso – pois sinto muita curiosidade sobre a forma como o ser humano pensa e reage, e como algumas “patias” se manifestam – e a forma como os “investigadores” os solucionam.

Então quando a Harper Collins me enviou um exemplar de “Flores Partidas”, assim que possível, iniciei a leitura. O exemplar que eu recebi tem uma jacket interessantíssima: na jacket, vemos a modelo que ilustra o perfil que o “assassino” do livro ataca, e na capa temos a mesma modelo, mas com os olhos fechados e chorando uma lágrima de sangue. Tenso, heim?

O livro foi escrito pela norte-americana Karin Slaughter, seus livros já foram traduzidos para mais de trinta idiomas. Nasceu na Geórgia, atualmente mora em Atlanta. “Flores Partidas” é um livro único.

O primeiro capítulo inicia-se brilhantemente, se alguém tiver qualquer dúvida que será fisgado por essa história pode ter certeza que está enganado: Claire está esperando o marido em um bar, inquieta por ter retirado sua tornozeleira eletrônica. Era de se esperar que estivesse feliz, mas a sensação que sua liberdade permanece tolhida a desconcerta. Atrasado, Paul aparece e tenta alegrar a esposa. Ao saírem do bar, em um rompante incomum de desejo, Paul a leva para uma rua escura com o intuito de ter mais privacidade. E é aí que as coisas começam a dar errado. Muito errado.

Eles são atacados, mas o meliante não se contenta em apenas assaltar, e tenta sequestrar Claire. Paul tenta impedir e é atacado. E morto. Com uma facada.

“- Por favor, não me deixe, Paul. Por favor.

– Não vou – prometeu ele.

Mas deixou.”

Em um outro ponto, acompanhamos Lydia, uma mãe acima do peso que tenta manter a compostura diante às mães das colegas de escola de sua filha. O problema é que Lydia e sua filha não pertencem aquele universo, de mães com corpo escultural e mais dinheiro que podem gastar. Mas Lydia faz qualquer sacrifício para cuidar da filha.

“Lydia observou a filha correr pela quadra. A garota das mãos enormes pegou a bola. Dee não desistiu. Correu atrás dela. Era destemida. Era destemida em todos os aspectos de sua vida. E como não seria? Ninguém nunca a havia derrubado. A vida não havia tido a chance de feri-la. Nunca havia perdido ninguém. Nunca soube o que era a dor de não ter alguém a quem amava.”

Pensei em não comentar o prefácio nesta resenha, mas me dei conta que seu narrador nos proporciona as cenas mais emocionantes do livro. Isso não quer dizer que seja uma emoção boa, afinal ler a dor de um pai que perdeu a filha é muito difícil. Ainda mais se essa filha está desaparecida e todo mundo parou de procurá-la. Então prepare-se para acompanhar um pai conversando com a filha desaparecida através de cartas que nunca chegaram ao seu destino.

O livro alterna a narrativa em terceira pessoa de dois focalizadores: Claire e Lydia. E por mais dolorido que seja, de vez em quando temos acesso a cartas que esse pai escreve a sua filha desaparecida.

Flores Partidas” apresenta uma história muito bem construída e com personagens densos, críveis. A narrativa é fluída, mas o que nos faz arrastar um pouco é a alta dose de sofrimento. São duas mulheres que estão sobrevivendo a situações terríveis e foi exaustivo, porém recompensador, acompanhar seu percurso.

Aqui, não existe um salvador que descobrirá todos os meandres dos crimes. As duas terão que suportar o impossível e encontrar a saída sozinhas, sem saber em quem poderão confiar.

A edição está bem revisada, as páginas são amareladas e eu gostaria muito que a fonte fosse um pouco maior, mas fora isso não tenho nada a reclamar.

Indico a leitura para aqueles que gostam de uma boa investigação, para aqueles que gostam de histórias que se parecem com matrioscas. Mas certifique-se que está em um momento bom, que aguentará o tranco: nada nessa história é leve. Boa leitura!

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