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Resenha | Fahrenheit 451 – Ray Bradbury

Leia a resenha do clássico Fahrenheit 451, livro de ficção científica publicado no anor de 1953 pelo escritor norte-americano Ray Bradbury.

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Fahrenheit 451 - Ray Bradbury

Resenha do Livro Fahrenheit 451

Quem me conhece sabe que tenho uma queda especial pelos clássicos. Se tiver sido adaptado para o cinema então! Fahrenheit 451 é mais um desses clássicos que me chamou atenção principalmente pelo enredo, mas também por ter sido adaptado não uma, mas duas vezes para o cinema (e está sendo preparada uma terceira adaptação, como série! Mas, afinal, o que tanto atrai nessa história? Um livro que fala sobre livros. Como seria isso? Vamos para a resenha =D

Antes de falar sobre a história em si, preciso dividir com vocês os significados de alguns símbolos trazidos ao longo do livro, começando pelo próprio título que não poderia ser mais sugestivo em relação à história: 451 graus Fahrenheit (ou 232,778 graus Celsius) a temperatura necessária para que um papel se queime.  Ao fazer essa descoberta não tem como não achar o título genial.

Seguindo, o símbolo da salamandra que está no braço do uniforme de Guy. Pesquisando o significado de salamandra, que todos nós sabemos se tratar de um anfíbio (que, diga-se de passagem, é encontrado em regiões temperadas), fiz outra descoberta interessante: pode ser também uma espécie de estufa para aquecimento de ambientes doméstico. Além disso, é nada mais nada menos do que um operário que, em oficinas mecânicas e nas fundições entram nas caldeiras quentes para consertá-las ou apaga fogos de poços de petróleo incendiados.

A fênix dispensa comentário acerca de seu significado, certo?

Superadas as explicações iniciais, vamos às minhas impressões sobre a história.

Guy é um cara do bem. Desde o primeiro capítulo dá para perceber que aquela pose de bombeiro incendiário não vai durar. Logo, de primeira já tive empatia pelo personagem e por Clarisse. Só não chippei o casal porque ele tava mais para pai dela. Não que eu tenha algo contra relacionamento entre pessoas mais velhas, mas é que a intenção do livro não era essa.

Beatty, o chefe dos bombeiros, é um cara mal, mas não é o vilão dessa história. Assim como Mildred, a esposa de Guy não é a vilã, tampouco a mocinha.

O livro tira as pessoas da zona de conforto, causa dor, sofrimento, choro. A chamada catarse. Provoca pensamentos inconvenientes, questionamentos, revoluções. Mostra o quanto sua vida pode não ser tão feliz quanto parece ou quanto você pretende fazer crer que é.

E um povo que pensa não é um povo fácil de lidar, de conduzir. Se torna um povo subversivo, cheio de idéias, de opiniões. Por que um governo ou pessoas que não gostam de sofrer ou de ter sua vidinha feliz revirada iria querer uma pessoa pensante, cheia de questionamentos?  É aquele velho ditado: “A ignorância é uma benção”.

O mais assustador desse livro é que, apesar de ele ter lançado originalmente em 1953, é atemporal. Somos consumidores de televisores cada vez maiores, para que a imagem não só fique melhor, mas que entre mais em sua cabeça, se aloje em seu cérebro e surta o efeito esperado. Somos bombardeados com programas e tecnologias cada vez mais avançadas com intuito único e exclusivo de entretenimento. E uma pessoa entretida é uma pessoa feliz! – “O televisor é “real”. É imediato tem dimensão. Diz o que você deve pensar e o bombardeia com isso. Ele tem que ter razão. Ele parece ter muita razão. Ele o leva tão depressa às conclusões que sua cabeça não tem tempo para protestar “Isso é bobagem!”

Isso me faz pensar naquela musica do Zé Ramalho: “Ê, ô, ô, vida de gado. Povo marcado, ê! Povo feliz!”

Enquanto isso, a cada ano que passa vejo o que já parece ser a mesma reportagem reeditada e republicada anualmente, anunciando que o brasileiro lê, em média, 4 livros por ano.

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Há um trecho do livro que explica exatamente o que vivemos hoje, com a intensidade das redes sociais na vida das pessoas: “a escolaridade é abreviada, a disciplina relaxada, gramática e ortografia pouco a pouco negligenciadas e, por fim, quase totalmente ignoradas. A vida é imediata, o emprego é que conta, o prazer está por toda parte depois do trabalho. Por que aprender alguma coisa além de apertar botões, acionar interruptores, ajustar parafusos e porcas? (pág. 78)

E assim se chega à conclusão de que esta é uma dentre outras diversas formas de se “queimar” um livro e não só de forma literal como vi no livro. O próprio autor, em uma nota no final, conta sobre as várias tentativas das editoras de “queimar” seu livro, ao buscarem alterar a história para torná-la mais “vendável” (eles não leram ou não entenderam MESMO a mensagem do livro ¬¬)

Eu mesma recebo mais olhares atravessados do que de reconhecimento por ler muito, bem como minhas tentativas de indicar livros ou semear meu amor por eles nem sempre dão resultado. Mas é a vida e a gente segue tentando!

De outro lado, sei que o livro não é a única maneira de se resolver as mazelas do mundo, de transformar a ignorância em um incômodo, não em uma bênção.  Mas é um ótimo começo!

Sobre a adaptação, indico a versão lançada em 1966. Apesar da qualidade de imagem incomparável com o filme lançado em 2018, a adaptação anterior é muito mais semelhante ao livro.  HBO está preparando uma série sobre o livro. Vamos aguardar!

Amante dos livros, dos filmes (especialmente os advindos de adaptação literária), dos gatos e de um bom e forte café.

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5 Comentários

5 Comentários

  1. Mayckel Oakes Vasconcellos

    8 de julho de 2019 em 11:38

    Olha, me aventurei no ‘1984 (Orwen)’ e estão na fila para leitura ‘Admirável mundo novo (Aldous)’ e ‘Fahrenheit 451 (Ray)’. Após ler a sua resenha vou já iniciar a leitura deste último. Nunca fui um grande fã de distopia mas parece que ao ler 1984, eu fui empurrado com tanta força para dentro deste universo que quero passar por todos os clássicos deste gênero. Agradeço imensamente a resenha, me cativou muito mais a esse estilo literário. Parabéns e sucesso ao site.

  2. Pedro Queiroz de Souza

    27 de setembro de 2019 em 21:16

    Ótima resenha sobre o livro “Fahrenheit 451”.

  3. RODRIGO LIBRAGA FERNANDES

    31 de maio de 2020 em 06:06

    obrigado!

  4. Radila

    23 de agosto de 2020 em 22:57

    Amo ler, mas infelizmente minha família acha uma perda de tempo e como sou dependente dos meus pais n posso comprar livros, entretanto tento manter meu ritmo de leitura lendo online na internet, toda forma é valida quando se ama algo ainda que não posso o ter em mãos.

  5. Pingback: 5 dicas de livros digitais da cultura nerd para começar a ler hoje mesmo | Coxinha Nerd

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Resenha | Sol da Meia-Noite [Crepúsculo #5] – Stephenie Meyer

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Olá leitores do Sobre Livros! Sim, eu sou uma twilighter assumidíssima! Então já sabem: esta resenha terá altos níveis de empolgação! A resenha será do livro Sol da Meia-Noite.

Não sei se acompanharam, mas durante o sucesso da Saga Crepúsculo, vazou na internet o livro que a Stephenie Meyer estava escrevendo. O livro foi abandonado por desgosto, e os fãs esperaram, ansiosos, que a Tia Steph terminasse de escrever o Sol da Meia-Noite.

Nosso espera foi agraciada em 2020. Então o ano não foi de todo perdido…

Sol da Meia-Noite é o quinto livro da Saga Crepúsculo – sétimo, se contarmos “A Breve segunda vida de Bree Tanner” e “Vida e Morte”. A Stephenie Meyer anunciou mais dois livros para a série em uma entrevista, mas ainda não temos maiores informações sobre isso…

Sol da Meia-Noite - Stephenie Meyer [CAPA]

O livro apresenta a mesma história narrada por Bella no primeiro volume de Crepúsculo. A diferença está no focalizador: dessa vez, quem narra a história é o Edward.

Então o livro poderia ficar repetitivo, mas não. Stephenie Meyer conseguiu abocanhar nossa atenção ao girar o ponto de vista e apresentar informações que satisfazem a curiosidade dos fãs.

Sol da Meia-Noite mostra, através da narração do Edward, como foi a chegada da Bella em Forks. Começa a narrativa no primeiro dia de aula da Bella, pouco antes dela entrar no refeitório e avistá-lo pela primeira vez.

Vamos acompanhando como Edward se sentiu e reagiu à novata, como ele foi superando sua sede e se envolvendo por Bella.

Confesso que Edward foi capaz de redimir a Bella em muitos aspectos. Seu olhar generoso nos mostrou outras formas de enxergar as atitudes hora mal interpretadas da personagem.

E esse talvez seja um dos piores erros da narrativa: claramente, Stephenie Meyer tenta “consertar” vários erros de continuidade, verossimilhança e provocar a redenção de seus personagens. Em vários momentos senti como a autora queria “alterar” a forma como os fãs reagiram, justificando decisões mostradas nos demais livros.

Outro ponto negativo são os excessos. Edward esmiúça demais cada pensamento, cada sentimento, cada atitude. A autora deixa pouquíssimas brechas para a interpretação do leitor. A sensação é que a autora “mastiga” demais, subestimando o leitor. Stephenie Meyer quer que você veja e entenda o Edward dessa maneira específica, e não dá chances para que o leitor saia desse roteiro.

Mas ignorando esses dois aspectos mais irritantes, confesso que delirei de felicidade em cada linha! Como foi maravilhoso voltar para essa história. Tanta memória afetiva!

Tive uma ressaquinha literária depois de terminar a leitura. Foi difícil sair desse universo novamente. Não tenho dúvidas de que sigo fã e que se realmente publicarem mais livros da saga, estarei pronta para retornar. Espero que tenha gosta da resenha do livro Sol da Meia-Noite, boa leitura!

Compre o livro Sol da Meia-Noite na Amazon.

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Resenha: Champion – Marie Lu

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“Se você quiser se rebelar contra o sistema, faça-o de dentro dele. Isso é muito mais forte do que se rebelar estando fora do sistema. E se você escolher se revoltar, leve-me com você.”

Olá leitores do Sobre Livros! Hoje vou contar para vocês sobre o Champion, terceiro e último volume da trilogia escrita pela Marie Lu, mas quis dividir essa citação do primeiro volume, Legend, pois ela me marcou e guia todo o enredo da trilogia.

Mas antes de esclarecer mais detalhes, vamos apresentar a autora. Marie Lu era programadora de games e atualmente está focada em sua carreira como escritora. Sempre que tem tempo livre gosta de ler, desenhar e jogar Assassin’s Creed. Ela mora em Los Angeles com o namorado e seus cachorros.

A trilogia foi toda publicada no Brasil pela editora Rocco – e temos a previsão do lançamento de um quarto volume! Apesar de ter edições lindíssimas e traduções excelentes, a qualidade dos livros deixa a desejar. Refiro-me ao fato de enquanto lemos, o livro praticamente se desmancha nas nossas mãos. A costura vai cedendo com o uso, por mais que o leitor seja cuidadoso.

A trilogia Legend apresenta um cenário distópico. Acompanhamos a narrativa em primeira pessoa de dois personagens, que alternam os capítulos. Isso poderia ter dado muito errado, mas a jovem autora demonstra toda sua capacidade ao diferenciar muito bem cada narrador. Não precisaríamos das indicações no início de cada capítulo, a voz da June e do Day são muito diferentes uma da outra, cada uma expressando brilhantemente sua personalidade. Admiro muito a autora que demonstrou sua capacidade técnica durante a narrativa de toda a trilogia.

A partir daqui spoiler dos dois primeiros volumes, Legend e Prodigy.

Champion começa nos mostrando como está Day. Descobrimos no final de Prodigy que Day está muito doente, e com pouquíssimas possibilidades de cura. A verdade é que sua doença está se agravando rapidamente, para suportar as dores de cabeça, Day precisa tomar drogas muito fortes. É questão de tempo até seu corpo não resistir mais.

Na primeira cena do livro, Day recebe uma ligação. Há oito meses eles não conversam, e duvido que os leitores de Prodigy não tenham surtado quando Day termina com ela. June. June liga para Day, convocando-o para participar de um baile.

Day nega qualquer envolvimento com a República. Ele declarou seu apoio a Anden, mas desde então não participa de nada político. Todo o tempo de separação, ele passou cuidando de seu irmão caçula Éden e de sua doença. E agora estava recebendo um convite dela.

June agora é uma dos três primeiros cidadãos. Anden não pôde intitulá-la imediatamente, precisando recorrer a um período de “estágio” com ela e mais dois senadores com mais experiência. June questiona sua capacidade em ser primeira cidadã, mas está se esforçando para merecer o cargo. Sobra tempo apenas para seu cachorro, Ollie.

Mas se você, leitor, ficou esperançoso com esse contato inicial de June, prepare o coração. A ligação não prevê uma reconciliação. June tem um motivo grave para entrar em contato, e não tem qualquer relação pessoal com os dois. Mais uma vez, Day terá que decidir o futuro da República.

Definitivamente essa trilogia não é para corações fracos. A autora nos introduz em um mundo sombrio e devastado, e mantém durante toda a trilogia. Os personagens são densos e muito bem delineados. Marie Lu consegue quebrar alguns clichês e constrói um mundo fascinante.

Lembram-se daquela primeira citação dessa resenha? Pois bem. Acredito que ela mostra bem a ideologia norteadora da trilogia. O concelho que June recebe do seu irmão aponta a direção certa e entendemos o motivo durante a leitura.

Tranquilizo os mais ansiosos afirmando que no fim, a autora arrematou o enredo muito bem. Então deixem-se envolver, permitam que seus corações sejam destroçados. Vai valer a pena. A história é maravilhosa e tenho certeza que Day e June ainda vão me acompanhar por muito tempo.

Indico a leitura da trilogia para todos aqueles que gostam de distopias, mas querem mais que um romance. Para aqueles que gostam de leituras com jogos políticos e muitas reviravoltas. Boa leitura!

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Resenha: Prodigy – Marie Lu

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“Será que sou uma boa pessoa? Tenho minhas dúvidas. ”

Olá leitores do Sobre Livros! Como eu AMO encontrar boas séries para indicar para vocês! Adoro poder dividir minhas opiniões com vocês e ter um livro realmente bacana para discutir. E dentre as distopias que estou acompanhando, com certeza Legend está entre as minhas preferidas. Marie Lu faz por onde.

Marie Lu era programadora de games e atualmente está focada em sua carreira como escritora, mas sempre que tem tempo livre gosta de ler, desenhar e jogar Assassin’s Creed. Ela mora em Los Angeles com o namorado e seus cachorros.

“Não posso deixar de sorrir no escuro. Essa danadinha é sempre muito inteligente. ”

A trilogia Legend apresenta um universo sombrio e tenebroso. Distópico, acompanhamos o desenrolar dos fatos na República, país este devastado e em constante guerra, que se encontra onde atualmente é o oeste americano.

No primeiro livro Legend, a história foca-se na República, acompanhando os desdobramentos que o assassinato do irmão de nossa protagonista, a garota prodígio da República, June. Day, o criminoso mais procurado da República é apontado como culpado.

A partir daqui, spoiler do primeiro livro.

Prodigy inicia-se com Day e June terminando sua viagem de trem, rumo a Las Vegas. Day está gravemente ferido, e antes que ele e June possam fugir para as colônias é necessário resgatar não somente o irmão de Day, mas também Tess que está sob a proteção dos Patriotas, grupo de resistência.

A esperança de Day é chegar em Las Vegas e conseguir ajuda dos Patriotas para recuperar seu irmão e Tess, e June estará a seu lado o tempo todo. Apesar de serem dois opostos, a química entre dois garante sua lealdade.

É incrível a narrativa de Prodigy! Cada capítulo é narrado em primeira pessoa, alternando entre Day e June. A autora é magistral, pois não é fácil fazer o que ela fez: não é necessário que seja anunciado quem está narrando aquele capítulo, é totalmente perceptível quem é quem. Os personagens não se misturam, o otimismo e bom humor de Day e o calculismo e inteligência de June é palpável em cada linha.

Vale ressaltar que Prodigy amplia muito o cenário. O que antes estávamos focados na República, agora entendemos que ela está incorporada em um mapa mundi que desconhecemos, mas que nos parece plausível.

E o melhor: apesar de trazer um romance envolvente, o jogo político é dinâmico e atrativo. Ainda não me convenci da boa vontade de alguns personagens, enquanto outros deixaram suas máscaras cair totalmente. Eu não acredito em personagens maquineístas, para serem críveis, eles têm que ser dotados de qualidades e defeitos. Ninguém é bom ou mau completamente. Então aguardo Champion ansiosamente para ver como a Marie Lu irá me surpreender ou comprovar minhas previsões.

A guerra entre a República e as Colônias ganha mais um elemento: a revolta da população. A humanidade não aguenta mais os sistemas vigentes, e estão soltando suas vozes para pedir por mudanças. A revolução está batendo a porta.

A edição de Prodigy está lindíssima! A capa é linda, e a diagramação deslumbrante. As páginas são decoradas e gostei da tradução. Não li o original, mas notei que o tradutor fez algumas escolhas de palavras interessantes, principalmente ao possibilitar que o Day fosse ainda mais engraçado – imagino que se o tradutor tivesse escolhido uma linguagem mais rebuscada, esse bom humor não teria sido o fôlego cômico tão necessário as páginas de desesperança de Prodigy.

Indico o livro para aqueles que estão adorando as distopias, mas quer mais que triângulos amorosos. Sim, Legend traz romance e dois personagens cativantes, mas nos apresenta um universo muito mais denso e interessante. Boa leitura!

“Basta uma geração faça uma lavagem cerebral num povo para convencer as pessoas de que a realidade não existe”.

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