Resenha: Champion – Marie Lu

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“Se você quiser se rebelar contra o sistema, faça-o de dentro dele. Isso é muito mais forte do que se rebelar estando fora do sistema. E se você escolher se revoltar, leve-me com você.”

Olá leitores do Sobre Livros! Hoje vou contar para vocês sobre o Champion, terceiro e último volume da trilogia escrita pela Marie Lu, mas quis dividir essa citação do primeiro volume, Legend, pois ela me marcou e guia todo o enredo da trilogia.

Mas antes de esclarecer mais detalhes, vamos apresentar a autora. Marie Lu era programadora de games e atualmente está focada em sua carreira como escritora. Sempre que tem tempo livre gosta de ler, desenhar e jogar Assassin’s Creed. Ela mora em Los Angeles com o namorado e seus cachorros.

A trilogia foi toda publicada no Brasil pela editora Rocco – e temos a previsão do lançamento de um quarto volume! Apesar de ter edições lindíssimas e traduções excelentes, a qualidade dos livros deixa a desejar. Refiro-me ao fato de enquanto lemos, o livro praticamente se desmancha nas nossas mãos. A costura vai cedendo com o uso, por mais que o leitor seja cuidadoso.

A trilogia Legend apresenta um cenário distópico. Acompanhamos a narrativa em primeira pessoa de dois personagens, que alternam os capítulos. Isso poderia ter dado muito errado, mas a jovem autora demonstra toda sua capacidade ao diferenciar muito bem cada narrador. Não precisaríamos das indicações no início de cada capítulo, a voz da June e do Day são muito diferentes uma da outra, cada uma expressando brilhantemente sua personalidade. Admiro muito a autora que demonstrou sua capacidade técnica durante a narrativa de toda a trilogia.

A partir daqui spoiler dos dois primeiros volumes, Legend e Prodigy.

Champion começa nos mostrando como está Day. Descobrimos no final de Prodigy que Day está muito doente, e com pouquíssimas possibilidades de cura. A verdade é que sua doença está se agravando rapidamente, para suportar as dores de cabeça, Day precisa tomar drogas muito fortes. É questão de tempo até seu corpo não resistir mais.

Na primeira cena do livro, Day recebe uma ligação. Há oito meses eles não conversam, e duvido que os leitores de Prodigy não tenham surtado quando Day termina com ela. June. June liga para Day, convocando-o para participar de um baile.

Day nega qualquer envolvimento com a República. Ele declarou seu apoio a Anden, mas desde então não participa de nada político. Todo o tempo de separação, ele passou cuidando de seu irmão caçula Éden e de sua doença. E agora estava recebendo um convite dela.

June agora é uma dos três primeiros cidadãos. Anden não pôde intitulá-la imediatamente, precisando recorrer a um período de “estágio” com ela e mais dois senadores com mais experiência. June questiona sua capacidade em ser primeira cidadã, mas está se esforçando para merecer o cargo. Sobra tempo apenas para seu cachorro, Ollie.

Mas se você, leitor, ficou esperançoso com esse contato inicial de June, prepare o coração. A ligação não prevê uma reconciliação. June tem um motivo grave para entrar em contato, e não tem qualquer relação pessoal com os dois. Mais uma vez, Day terá que decidir o futuro da República.

Definitivamente essa trilogia não é para corações fracos. A autora nos introduz em um mundo sombrio e devastado, e mantém durante toda a trilogia. Os personagens são densos e muito bem delineados. Marie Lu consegue quebrar alguns clichês e constrói um mundo fascinante.

Lembram-se daquela primeira citação dessa resenha? Pois bem. Acredito que ela mostra bem a ideologia norteadora da trilogia. O concelho que June recebe do seu irmão aponta a direção certa e entendemos o motivo durante a leitura.

Tranquilizo os mais ansiosos afirmando que no fim, a autora arrematou o enredo muito bem. Então deixem-se envolver, permitam que seus corações sejam destroçados. Vai valer a pena. A história é maravilhosa e tenho certeza que Day e June ainda vão me acompanhar por muito tempo.

Indico a leitura da trilogia para todos aqueles que gostam de distopias, mas querem mais que um romance. Para aqueles que gostam de leituras com jogos políticos e muitas reviravoltas. Boa leitura!

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Laila Ribeiro é mestra em Escrita Criativa pela PUCRS; pós-graduada em Gestão Empresarial, em Gestão Pública e MBA em Gestão de Recursos Humanos; graduada em História pela PUC Minas (2014) e em Administração Geral e Agroindustrial pela Universidade Presidente Antônio Carlos (2007). Atualmente, é membro da equipe do site literário Sobre Livros (www.sobrelivros.com.br), e mantém o canal literário https://www.youtube.com/c/ribeirolaila. Participou de antologias de contos (Insanas - Elas Matam!, Onisciente Contemporâneo, Translações Singulares e Não Culpe o Narrador) e, em 2016, foi monitora da Oficina de Criação Literária do professor e escritor Luiz Antonio de Assis Brasil.

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