Resenha: Aniquilação – Jeff Vandermeer

Primeiro volume da trilogia Comando Sul

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Olá leitores do Sobre Livros! Lembro que ouvi a Carol falando sobre o Aniquilação na quarta Turnê da Intrínseca em Porto Alegre, e ficar curiosa. E quando assisti ao booktrailer, minha nossa, a vontade de ler ficou ainda maior. E a gota final para correr atrás do livro foi saber que a maravilhosa Natalie Portman estrelará sua adaptação nos cinemas, aí já viu, né… não demorou nadica para passar a leitura na frente de qualquer outro.

Aniquilação é o primeiro volume da trilogia Comando Sul, que já teve os três livros publicados no Brasil pela editora Intrínseca. A trilogia é escrita por Jeff VanderMeer, que além de escritor é editor. Ele cresceu nas Ilhas Fiji e hoje mora em Tallahassee, na Flórida, com a esposa.

Esse é um daqueles livros que é difícil explicar, pois podemos incorrer em spoiler. Mas não se preocupem, vou revisar esse texto um zilhão de vezes e prometo não deixar passar nenhum!

A primeira coisa que vocês precisam ter em mente, é que esse não é um livro simples de fantasia. Aqui o autor brinca com o fantástico, trazendo elementos ainda mais surreais. Então aperte o cinco e permita-se entrar nessa viagem que vai fazer sua mente dar umas voltas bem malucas…

O livro abre-se quando a décima segunda expedição encontra a torre. Isto é, estamos lendo o diário da nossa protagonista, a bióloga. É uma narrativa em primeira pessoa, contando um passado não muito distante. O que a narradora nos conta é suas impressões e avaliações dos episódios, e não o relato de um narrador onisciente que sabe tudo o que está acontecendo.

A bióloga nos conta que a décima segunda expedição era formada por quatro profissionais: uma bióloga, uma psicóloga – líder do grupo -, uma topógrafa e uma antropóloga. Essa expedição tinha como objetivo explorar um local chamado de Área X.

A Área X é um mistério completo. A partir de um dado momento, a natureza começou a tomar conta do local e nada humano sobreviveu. As onze primeiras expedições para compreender esse mistério fracassaram. Em uma delas, os membros se suicidaram. Em outra, uns se voltaram contra os outros, se matando. Na última expedição, a décima primeira, o grupo conseguiu retornar com vida, mas poucos meses depois todos morreram com câncer.

Ninguém entende o que acontece nesse lugar. O intuito das expedições é compreender o local, entender os motivos da natureza ser tão hostil a vida humana. E é nesse cenário aterrorizante que a bióloga nos introduz e confesso: senti um bocado de medo. A narrativa é envolvente, então consegui me imaginar explorando as trilhas junto com a bióloga, consegui sentir o terror e a fragilidade da incompreensão. Mas também senti uma curiosidade absurda sobre as peculiaridades da Área X.

Como estava dizendo, na primeira página a expedição encontra uma torre. Mas essa é a interpretação da bióloga, já que o prédio é subterrâneo, as escadas descem. A primeira grande decisão desta expedição é explorar esta construção imediatamente ou analisar o terreno primeiro.

O primeiro dia na Área X foi tranquilo – entenda que o conceito de tranquilidade aqui é o da Área X, sem ninguém morrer ou nenhum evento catastrófico -, elas organizaram o acampamento principal, montando suas barracas e trocando equipamentos defeituosos. O acampamento havia sido erguido originalmente pelas outras expedições, esta precisava avançar a partir do trabalho já feito por elas.

Esta primeira grande decisão vai marcar todo o tom da expedição. A partir dela, os acontecimentos tomam um ritmo desenfreado e nos envolvem completamente. Precisamos descobrir o que acontece na Área X, precisamos descobrir o que eclode esses eventos inexplicáveis. O que seria tão poderoso ao ponto de influenciar no equilíbrio psicológico de profissionais?

Mas a questão que mais me atordoou durante a leitura foi: porque alguém se candidataria a participar de uma expedição dessas?

Muitas questões são respondidas neste primeiro volume. Mas não sei se são as respostas “certas”. Isso porque o que lemos é o relato de um membro da expedição, que pode estar suprimindo, alterando e reinterpretando informações. Quero muito continuar lendo a trilogia, para ver se minhas suspeitas se confirmam.

Aniquilação é um livro curtinho, tem apenas 197 páginas. O próximo volume é o Autoridade, e pelo que entendi, vai apresentar mais a fundo o Comando Sul, entidade responsável pelos estudos dentro da Área X.

A edição está excelente, gosto muito da capa que apresenta elementos surreais do enredo. A diagramação está confortável, apesar de sempre desejar uma fonte maior – meus olhinhos agradecem. A revisão da editora está impecável, como sempre.

Indico a leitura para aqueles que gostam de mistérios. Para aqueles que adoram questionar a realidade. Para aqueles que não se intimidam com o fantástico. Boa leitura!

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