Melhores e piores leituras de 2017

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Olá leitores do Sobre Livros! A equipe do Sobre Livros mais uma vez conta quais foram as melhores e piores leituras do ano, e vale ressaltar que foram analisadas os livros lidos, e não os livros publicados em 2017. Bora fechar o ano analisando nossas leituras? Aproveite e nos conte quais foram as suas melhores e piores leituras!

Aline Job (colunista Sobre Games): O ano de 2017 foi difícil, pesado, e todas as pessoas devem ter percebido isso ou mesmo vivido. A literatura, como uma forma artística de resistência, serve também para nos dar um pouco de esperança. No entanto, mais do que esperança, acredito que ela pode nos dar Força (você entendeu certo a referência) para lutar contra aquilo que faz com que o mundo seja mais injusto e desigual. Por isso, as minhas leituras em 2017 foram permeadas por sentimentos que se relacionam com isso.

Eu deveria escolher UM melhor livro lido em 2017, mas isso seria bastante injusto com as leituras que fiz, mas vou destacar dois: O conto da Aia, de Margaret Atwood, e Homens Elegantes, de Samir Machado de Machado. O livro de Atwood havia lido muitos anos atrás, mas reli para assistir à série da Hulu, The Handmaid’s Tale. Esta história se faz muito pertinente no tempo em que vivemos, pois representa uma virada ultraconservadora, reacionária (contra os processos de mudança da sociedade) e teocrática, em que o poder político se justifica e vem de Deus (judaico-cristão), numa sociedade muito parecida com a nossa em um futuro não muito distante. Acredito que, dito isso, é possível perceber as semelhanças com a realidade de hoje. Além disso, a história demostra como esse tipo de pensamento retrógrado serve, praticamente sempre, para retirar direitos de minorias oprimidas (não em questão numérica) como as mulheres, que passam a ser vistas como seres sem direitos e sem capacidade de autodeterminação. O horror desta distopia se associa com a defesa constante de algumas parcelas das populações mundiais ao defender o retorno para um tempo em que os valores religiosos e patriarcais predominavam. Leitura indispensável!

O meu segundo melhor livro, o Homens Elegantes, me ganhou por vários motivos, mas, especialmente, porque, no meio de uma aventura maravilhosa situada no século XVII, em Londres, e protagonizada pelo nosso herói Erico, um espião português-brasileiro/brasileiro-português, a história apresenta uma crítica ao conservadorismo (e uma vontade eterna e tosca de retorno “aos valores de bem”) que se encaixa perfeitamente no nosso tempo, tendo, inclusive, um vilão chamado conde de Bolsonaro. Perfeito! Mas, mais do que isso, o livro traz protagonismo e representatividade LGBTQ+ em diversas esferas sociais do enredo, o que serve, muito bem, para mostrar que a literatura é muito mais do que a tradicional e canônica cara heterossexual cis que costumamos encontrar por aí. Inclusive, as próprias personagens de Samir comentam como o cânone literário tenta esconder e renegar as histórias das “fanchonas”, por exemplo. Ainda, é uma história que apresenta um discurso engajado, contrariando aquelas vozes da Escrita e da Crítica que dizem que literatura engajada é inferior. Essas, por seu lado, acreditam numa literatura neutra. Sabem nada, inocentes. É uma aventura de capa e espada, com personagens fortes e bem construídas, cheia de ótimos diálogos e alguns easter eggs maravilhosos, que eu não vou dizer quais são, mas deixo dicas sobre dois deles: Lady Gaga e Star Wars. Também leitura indispensável e necessária.

A minha pior leitura de 2017 não se relaciona com um livro ruim ou uma história que não funciona, mas com um livro do qual eu esperava mais do que a escritora entregou. Volto semana que vem, de Maria Pilla, apresenta as memórias de uma exilada política na década de 1970. Ainda que os relatos da narradora sejam de períodos bastante duros da história recente brasileira, como a ditadura militar, e de outros governos opressores da América Latina, a história apresenta uma leveza que, como leitora, não me atraiu muito, justamente pelo tema do livro. Não esperava relatos detalhados de torturas ou de mortes, mas gostaria de ter encontrado mais densidade nos sentimentos apresentados. Senti como se tudo não tivesse grande importância, mesmo diante das dificuldades enfrentadas pela narradora. Ainda assim recomendo a leitura.  

Evelyn Butignoli Cunha (colunista Sobre Filmes, resenhista e newspostter): Foi muito difícil pensar qual foi minha melhor leitura. Apesar de ter sido o ano que mais li as leituras não foram, em sua maioria, espetaculares. Mas, depois de muito pensar escolhi: Simon vs. A agenda homo sapiens. Um livro que conta a história de Simon, um adolescente gay que nunca contou pra ninguém sobre isso. A forma leve e divertida e ao mesmo tempo intensa com que a autora trata sobre o tema da homossexualidade me encantou e fez com que me apaixonasse pelo livro, pelos personagens, pela escola. E claro, se tornou o mais favorito entre os favoritos.

Já a pior leitura foi O histórico infame de Frankie Landau-Banks. Um livro com uma premissa era maravilhosa, o feminismo, mas  executada de uma forma péssima. Uma menina que, uma vez rejeitada na sociedade secreta da escola onde só meninos podem participar, tenta a todo custo mostrar ser mais esperta, mais inteligente e que pode mandar mais que os meninos. O problema é que esse não foi o real motivo pra ela ser rebelde e ela fez tudo da pior forma possível. Além disso, a sociedade secreta é péssima, não tem a menor utilidade, nenhuma causa a defender e ainda assim ela insiste! Não colou, odiei e não indico. Então é isso. Boas festas!

Laila Ribeiro (redatora): Bora assistir suas escolhas?

A equipe do Sobre Livros deseja que 2018 seja mais leve, mais divertido, com muito mais leituras para todos! Feliz ano novo!

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