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Cinema

Jurassic Park: 25 anos depois

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No verão estadunidense de 1993, nosso inverno, estreava Jurassic Park, a adaptação homônima de Steven Spielberg para o livro de 1990 de Michael Crichton. Foi um grande marco para o cinema pelo uso de tecnologia cinematográfica e de efeitos especiais hoje tão comuns. Assisti em um cinema de calçada em Porto Alegre, com meu pai e minha irmã, em um sábado ou domingo em que nossa mãe não pode estar conosco porque estava de plantão em uma loja no shopping. Eu nunca mais esqueceria o filme.

“Quando os dinossauros dominavam a Terra”

Com o lançamento de Jurassic World: Fallen Kingdom, uma série de atividades comemorativas pelos 25 anos do primeiro filme estão acontecendo.

Mas este texto não é sobre os filmes. Ele é sobre o livro de Michael Crichton. Na época do primeiro filme, eu nem sabia que o texto existia e, sinceramente, meu interesse por literatura ainda era bem modesto. Eu acabei lendo em 1993 ou 1994 por um empréstimo da biblioteca da escola, um verdadeiro achado, considero hoje. A minha primeira leitura foi de deslumbramento e, certamente, de pouco entendimento, pois o livro, mesmo que ficção, apresenta uma série de informações de fundo que são fundamentais para o debate e para a crítica que o texto propõe. Dito isso, eu devo não ter compreendido 80% das falas do Dr Ian Malcolm, assim como a crítica ao poder da tecnologia sem reflexão, sobre se devemos ou não fazer algo ou, ainda, conceitos sobre a teoria do caos, algo que ficou na minha mente desde então.

Com o aniversário de 25 anos, resolvi reler o texto. Desta vez, com uma edição que comprei pouco tempo atrás.

Reler Jurassic Park me permitiu perceber aspectos do texto que somente a idade e também uma aprendizagem sobre literatura e teoria poderiam proporcionar. É importante começar pelo fato de que o filme de Spielberg corrigiu estruturas do livro de Crichton que, na minha opinião, vejo como deslizes. Exemplos desses são a ausência de personagens negras (há menção de duas personagens negras, dois funcionários do parque que servem para abrir portões e nem nomes têm) e a presença de personagens mulheres que ocupam tropos estereotípicos da literatura, ou seja, ou elas servem de decoração (a Dra Ellie Sattler parece ter sua função de paleobotânica resumida às suas pernas, objeto de comentário das personagens homens) ou são as donzelas em perigo (Lex é apenas uma criança que reclama o tempo todo esperando ser salva e repetindo todo o tempo que está com fome). No filme, elas têm agência, o que, nos videogames (meu pé está sempre lá), entendemos como a ideia de ter influência, impacto e certo controle sobre o que nos acontece dentro do mundo ficcional. Assim, Dra Sattler e Lex recebem maior protagonismo na história e controle sobre suas próprias existências, com Lex ganhando um pouco mais de idade e autonomia, o que justificaria seu conhecimento de computadores e programação, e Sattler discutindo questões de sexismo em situações de risco e falando um dos diálogos que eu mais amo no cinema.

Comparar livro e filme é lugar comum hoje em dia e, evidentemente, uma atividade pouco profícua, já que sempre existirão diferenças entre as duas linguagens. Por outro lado, perceber o diálogo entre o texto narrativo e o texto fílmico e como isso foi adaptado/traduzido entre as duas mídias é uma espécie de consciência leitora que só adquirimos com a prática. Mais além, identificar certas estruturas narrativas problemáticas requer, também, uma boa dose de leitura crítica, pois ainda são comuns literaturas cheias de apagamentos, silenciamentos, estereótipos e tropos que nada acrescentam na construção de um imaginário e uma cultura coletiva que compreenda a importância de diferentes protagonismos.

Por outro lado, é inevitável que alguns pontos sejam destacados quando pensamos na relação entre livro e filme. O livro trabalha desce o início com a possibilidade impossível do parque em si. O que isso quer dizer? Que a vida sempre encontra um meio (famosa frase da personagem Ian Malcolm). Já o filme estende um pouco mais a chance de sobrevivência da ideia como um todo, assim como nas sequências, ainda que se saiba que não tem como dar certo.

O livro se divide em iterações, o que significa dizer que a relação entre a estrutura narrativa e seu desenvolvimento está diretamente relacionada com a ideia, vinda da teoria do caos e de seu sistema iterativo, de que o resultado da próxima etapa é dependente da etapa anterior. Nesse sentido, cada iteração vem precedida de uma epígrafe de Ian Malcolm, contemplando as instabilidades e mudanças não previstas, mas possíveis justamente por não serem imaginadas. Num certo sentido, há uma incredulidade sobre a impossibilidade de o parque dar errado por parte de algumas personagens, algo que, no decorrer das iterações, se modifica gradualmente.

Mais além, Crichton trabalha com a ideia de que grande parte da ciência que é feita hoje se dá a partir das descobertas de outras pessoas anteriores. Isso porque essa “grande parte da ciência” não se questiona sobre questões éticas e morais, uma vez que ela não criou o conhecimento, mas está apenas utilizando-o. Os conhecimentos que a ciência nos possibilitou nem sempre são questionados. São revisados, atualizados, superados, mas não se questiona a sua essência. A fala de Malcolm representa bem isso: “A ciência consegue construir um reator nuclear, mas não consegue nos dizer para não construir um”.

Como literatura de gênero, a crítica à ciência sem escrúpulos é muito forte e justa. Quer dizer, as pessoas assumem uma empreitada com somente um objetivo em mente: lucro. Sim, a história se desenvolve pelo deslumbramento que o parque provoca, o que é inevitável, mas a motivação de quem o criou nunca foi compartilhar o conhecimento com todas as pessoas. Basta lembrar o diálogo em que Hammond, o criador do parque, e Gennaro, o advogado que representa as pessoas investidoras, dizem que podem cobrar quanto quiserem (“dez mil dólares por dia”) porque as pessoas vão pagar e, vez ou outra, um dia de desconto. O filme faz uma abordagem menos cruel de Hammond, pode-se dizer. Ele parece mais um avô querido e cheio de boas intenções do que sua versão no livro. Já na concepção de Crichton ele representa bem o dono de um grande império capitalista.

O aniversário de 25 anos de Jurassic Park nos cinemas também ocorreu perto da época de encerramento da segunda temporada de Westworld (HBO) e não posso deixar de comentar sobre o fascínio de Crichton sobre parques super tecnológicos que não deram certo e nem tinham como dar. De novo, a ciência é capaz de fazer algo, mas não questiona se deveria. Westworld trabalha com a criação de mundos ficcionais não virtuais em que as pessoas visitantes podem interagir como se numa simulação (como se estivessem em um videogame) em que nenhum ou pouco dano pode lhes ser causado. Assim como em jogos, as pessoas visitantes interagem com personagens não jogáveis – NPCs (non-playable characters) – e podem participar de narrativas pré-concebidas em cenários físicos como o Velho Oeste estadunidense (um dos parques). A grande diferença é que as NPCs em Westworld têm inteligência artificial complexa, capaz de aprender pelo erro e pela repetição, o que pode levar à consciência dessas personagens, que pela corporalidade de suas interações passam a ser sujeito. Resumindo: surge uma nova espécie de seres pensantes criados por meio da ciência. A empresa que detém o direito desse conhecimento não aceita a “emancipação” dessas personagens, não as considera sujeitos. É quando a iteração entre todos os elementos entra em colapso, como em Jurassic Park, levando a instabilidades cada vez maiores e imprevistas. E isso que nem vou começar a falar das interações das pessoas visitantes com as personagens, as chamadas anfitriãs, e da escolha por uma ficcionalização dentro do parque que fuja de regras e valores compartilhados nas sociedades.

Por fim, talvez Jurassic Park seja menos sobre dinossauros (que eu amo completamente) e mais sobre o nosso poder e a incapacidade humana de refletir criticamente sobre suas ações como parte integrante de um sistema maior.

Talvez, estejamos vivendo épocas em que a “estreiteligência” (visão da situação imediata, do foco, sem pensar nas consequências), como diz Malcolm, seja predominante e estejamos caminhando para um ponto sem retorno. Por outro lado, se alguém conseguir clonar dinossauros e eles comerem o homem, vocês já sabem: o meu povo herda a terra.

Aline Job manja das paradas da literatura e do videogame, prefere o título de Mestra (como Yoda, Splinter, etc.), mas é também Doutora em Teoria da Literatura. Fã de fantasia, ficção científica, RPGs computadorizados e mundos pós-apocalípticos, ela vive tentando provar que vivemos na Matrix.

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3 Comentários

3 Comentários

  1. Guilherme Lima

    25 de julho de 2018 em 09:30

    Eu ia ler o texto, principalmente por ter o livro de Jurassic Park como um dos preferidos de toda a literatura e especialmente por considerar o Michael Crichton como um dos mais formidáveis escritores de ficção científica. Mas, essa necessidade de justificar o feminismo em tudo é extremamente um porre… Se a pessoa cria um protagonista homem é porque ela é machista, se ela cria um personagem caricato feminino é porque é preconceituoso e subestima o sexo oposto. Quando é que o ser humano vai realmente evoluir e perceber que esse tipo de discussão é algo irrelevante na grandeza que é o universo…

    • Alline Rotti

      28 de julho de 2018 em 19:11

      Oi Guilherme, acho que você talvez tenha ficado na superfície do questionamento e dos pontos levantados pela Aline Job (Valeu xará!) se você leu é claro… Eu tive a mesmíssima impressão que ela, talvez por ser mulher, talvez por ser cientista e paleontóloga! Mas essas são questões que eu vejo no meu dia dia, hoje em 2018. O livro é de 1993, a personagem da Dra. Ellie só é valorizada pelas suas pernas bonitas e a roupa curta (mais ou menos em uns três diálogos diferentes…), ela é SÓ A ALUNA do Dr. Grant e ela é uma mera expectadora na narrativa. Eu amo o livro, amo o filme, mas já que ele trata de pontos tão significativos de discussão e reflexão como a ética cientifica, o capitalismo do conhecimento e os avanços tecnológicos sem responsabilidade, porque não também a presença e a participação das mulheres nessa área e em muitas outras? e o principal, como elas são reconhecidas.

      • Guilherme Lima

        6 de agosto de 2018 em 09:35

        O livro se passa em uma ilha e existem +/- uma meia dúzia de personagens no livro. Existem personagens estereotipados do sexo masculino também. A minha crítica é por achar que em TUDO deve haver o super empoderamento do sexo feminino. Pra mim, achar que o autor colocou a personagem ali só para funcionar como um objeto é meio que ignorância… Ao ler o livro não percebi nada disso.

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Cinema

Coringa, de Todd Phillips, o espelho de um mundo doente

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Coringa, de Todd Phillips, o espelho de um mundo doente

Cláudio Diniz e Warley Cardoso

 

“É do inferno dos pobres que é feito o paraíso dos ricos.”

(Victor Hugo)

Olá, Leitor!

Uma das tópicas mais importantes do filme Coringa (2019), de Todd Phillips, é a melancolia do palhaço fracassado que enxerga na violência desmedida um caminho a seguir em meio ao caos de um mundo que não deu certo. O cenário é uma Gothan City que poderia se assemelhar a qualquer cidade onde a falta de esperança num Estado que “caga” para o cidadão resulta na revolta das maiorias silenciosas. O desprezo dos mais ricos com os deserdados do capitalismo conduz à carnavalização da miséria no festim diabólico da indústria cultural. No fim, a revolta iminente dos invisíveis da história não é apenas uma visão dantesca de um inferno utópico, mas uma assustadora e complexa escatologia.

Definitivamente, não é um filme que deve ser interpretado com simplismo a partir de uma chave de leitura política de direita ou de esquerda. Tampouco, uma ficção baseada no projeto de desenvolvimento da origem do vilão como já se fez para o próprio Batman. Na Gotham de Todd Phillips, não há espaço para romantismos de qualquer inspiração. Coringa é um filme que impacta porque é perturbador, sanguinário e sem um sentido ficcional previamente estabelecido. Talvez, a chave de leitura mais importante do filme reside na percepção de que o protagonista desse thriller dramático está muito mais próximo do ser humano do que jamais se pensou que tal vilão poderia estar.

Disponível em https://www.cineset.com.br/critica-coringa-joaquin-phoenix-2019/ Acesso em 16.10.2019

“Um soco na cara” é uma possível definição que se pode ter após assistir a este filme perturbador e magnífico.

Logo no início da sessão nos deparamos com um protagonista doente, que necessita da ajuda do Estado para cuidar de si e da mãe convalescente. Sua perturbação e suas preocupações são grandes.

O clima que envolve a trama, sua fotografia e a forma como são expostos os seus dramas nos comovem desde o primeiro momento pois, a imersão no universo do personagem é enorme e tudo o que lhe acomete provoca um grande incômodo.

Se existe uma palavra para definir o que sentimos ao longo das mais de duas horas de filme é desconforto. Desconforto ao ver uma Gotham decadente, suja, desorganizada, sem apoio político para as pessoas menos favorecidas e desconfiada, acima de tudo, de sua classe política que nada faz pelos cidadãos. Afinal, a invisibilidade social e o desprezo aos mais necessitados é recorrente. É neste cenário que está Arthur Fleck (Joaquin Phoenix), um palhaço triste e sem talento, que sobrevive em meio à criminalidade e à dificuldades econômica. Um cara ocupado com trabalhos pouco dignos e que busca ganhar a vida fazendo os outros rir numa Gotham City sem qualquer disposição para isso. A cidade cheia de lixo, fruto de uma greve prolongada do serviço de limpeza urbana, é apenas uma dentre as várias metáforas visuais do filme.

O pobre e solitário palhaço vive com a sua mãe doente (Frances Conroy), que o chama desde criança de happy (uma pequena ironia relacionada com um problema neurológico que faz com que Arthur ria de forma descontrolada quando se sente eufórico ou nervoso). Mãe e filho, carregados de traumas psicológicos, apoiam-se na esperança de que o magnata Thomas Wayne  apareça para ajuda-los porque, supostamente, ele seria o pai biológico de Arthur Fleck.

Devido a sua doença ele carrega consigo um cartão para explicar sua condição e o entrega a desconhecidos sempre que tem um ataque de riso no momento errado, o que é deprimente. Arthur é uma vítima na maior parte da história, humilhado e enganado por todos, e que se afunda cada vez mais numa miséria tão abismal que o suicídio é uma ideia recorrente. No entanto, Arthur acaba se transformando em um assassino frio e cruel. Esse processo é gradual e nos faz questionar se alguns daqueles problemas poderiam acometer qualquer um de nós em algum momento.

É de se esperar, tendo em vista toda a história, canônica ou não, que a transformação de Arthur seja uma coisa previsível desde o primeiro frame, porém a história ainda consegue oferecer algumas surpresas ao longo da descida de Arthur à loucura homicida.

Pode-se perceber as inúmeras influências diretas presentes no filme e alguns fans services. Os rascunhos no diário, no qual anota suas ideias criativas fazem lembrar de Psicopata Americano (2000). A narrativa triste remete a HQ A Piada Mortal (1988) e a sequência no talk show tem uma homenagem ao seminal O Cavaleiro das Trevas (1986), de Frank Miller. A presença de Robert DeNiro como o apresentador Murray Franklin, uma inversão propositada de O Rei da Comédia (1983), em que o apresentador era Jerry Lewis e De Niro fazia o papel do sociopata que aspirava ser comediante. Zazie Beets traz uma normalidade precisa ao papel de vizinha e interesse amoroso de Arthur e, Frances Conroy, representa com brilho uma mãe instável.

Coringas. Disponível em https://nerdficina.com.br/2018/09/25/a-evolucao-do-coringa-nos-cinemas/ Acesso em 16.10.2019

Enquanto o Coringa de O Cavaleiro das Trevas é uma encarnação enigmática, porém de ótimo gosto, de puro caos, imprevisibilidade e animalesco, Joaquin Phoenix concretiza sua interpretação tornando o personagem mais humano e tridimensional.

O Coringa de Phoenix é um personagem renovado, uma versão mais fiel às HQ’s, mais patético, mais performático e, ao mesmo tempo, com sequências de dança e expressões corporais memoráveis que remetem  ao personagem Alex, de Laranja Mecânica (1972). O trabalho de Joaquin Phoenix é fantástico até nos mais pequenos detalhes. Os 23 kg a menos, as unhas roídas até ao sabugo e, propositalmente, manchadas de nicotina, ajudam Phoenix a compor a encarnação real de Arthur, dá a ele substância.

Percebe-se que a linha criativa que Todd Phillips procura seguir é a de Martin Scorcese. Este é sua inspiração e o filme claramente baseia-se nos clássicos dos anos 70 como O Rei da Comédia e Taxi Driver (1976). É uma interpretação profunda, construída sobre um ponto de vista subjetivo de uma pessoa com graves distúrbios mentais que se arrasta lutando para sobreviver. A trilha sonora completa a imersão do filme. É o melhor trabalho de Todd Phillips, incluindo o figurino, produção e fotografia impecável.

Existe, porém, uma tênue camada de interpretação. Para uns isso pode levar a uma glamorização do vilão carismático e seu comportamento. Porém, subsiste certa discussão sobre o fato de o personagem poder ou não incentivar as massas para a desordem e o caos por motivo do tamanho desconforto e inquietação dessa película. Mas, absolutamente, o Coringa não foi feito para ser uma apologia ao comportamento de seus personagens. Talvez seja um instrumento fantástico de questionamento das mazelas do nosso tempo. Entretanto, podemos pensar que ele é uma interpretação fidedigna de uma realidade atual e maçante, aturdido por um sistema, seja ele político e ou financeiro, que espreme as pessoas que precisam de ajuda, que esmaga os mais necessitados. Ao mesmo tempo, é uma crítica a muitos comportamentos da nossa sociedade doente, um questionamento sobre tudo o que fazemos no mundo.

É claro que um filme sobre um dos maiores vilões da cultura pop não poderia deixar de se atirar nos temas atuais levando ao confronto com o espectador. A película é uma obra de arte, uma ode a um reflexo da psique de um personagem de enorme grandiosidade. Coringa é desconfortável, instável, carregado de controvérsias, e um dos filmes que melhor captura o estranho espírito do tempo, nosso Zeitgeist de 2019.

Uma mensagem sobre a nossa falta de empatia que faz com que cada vez mais pessoas com problemas passem despercebidas, sem acolhimento, relegadas ao esquecimento e ao desprezo. É uma crítica contundente a uma sociedade que sobrevive dos restos de uma minoria rica que pouco se importa com seus problemas e sua miséria, fazendo com que toda essa mistura mágica tenha como resultado o caos e a convulsão social.

Enfim, uma obra que se passa num outro tempo, mas que fala tanto de nosso presente e nos faz duvidar do futuro. Isto é, um verdadeiro soco na cara.

Conrad Veidt e Joaquin Phoenix. Disponível em https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2019/10/02/o-homem-que-ri-o-filme-assustador-de-palhacos-que-inspirou-coringa.htm Acesso em 16.10.2019

O Coringa, principal antagonista do Batman, foi criado em 1940 por Jerry RobinsonBill Finger e Bob Kane para a DC Comics. Sem dúvida, o vilão é uma evidente menção ao personagem Gwynplaine da obra O homem que ri (1869), de Victor Hugo. Com o propósito de exibi-lo como atração de feiras e circos, os traficantes de crianças (comprachicos) da Inglaterra do fim do século XVII cortam os dois lados da boca de Gwynplaine transformando-o num verdadeiro monstro. Contudo, é o mundo em que Gwynplanine vive que é monstruoso. O descaso com os mais desafortunados é a demonstração de uma modernidade medíocre que busca o exótico e o pitoresco na fronte dos invisíveis do capitalismo. Mais tarde, em 1928, a obra de Hugo foi apresentada em suporte cinematográfico pelo diretor expressionista alemão Paul Leni. Essa tradução intersemiótica revelou-se como a base para a criação do personagem dos quadrinhos. O filme de Leni foi visto como uma obra de terror por causa da excelente caracterização de Conrad Veidt (1893-1943), mas o gênero é evidentemente dramático. A relação com o filme de Todd Phillips, nesse sentido, fica mais próxima ainda. Coringa de Todd Phillips é o drama de um invisível que, como procuramos demonstrar, oferece um espelho melancólico de um mundo doente.

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Cinema

O sol também é uma estrela – A adaptação

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Título original: The sun is also a star

Direção: Ry Russo-Young

Elenco: Yara Shahidi, /charles Melton, John Leguizamo, Gbenga Akinnagbe, Keong Sim, Hill Harper.

Produtora: Leslie Morgenstein

Distribuição: Warner Bros.

Nota: 2

Sinopse: Natasha (Yara Shahidi) é uma jovem extremamente pragmática, que apenas acredita em fatos explicados pela ciência e descarta por completo o destino. Em menos de 12 horas, a família de Natasha será deportada para a Jamaica, mas antes que isso aconteça ela vê Daniel (Charles Melton) e se apaixona subitamente, o que coloca todas as suas convicções em questão.

Depois de ter curtido bastante a adaptação Tudo e todas as coisas para o cinema minha expectativa para a pré-estreia de O sol também é uma estrela estava praticamente nas nuvens, sobretudo por ter sido uma história que curti muito ler.

No livro, Natasha é uma garota astuta, esperta, escorregadia, com tiradas legais. Daniel é um meninão, mas é muito emocional e sonhador de um jeito que conquista o leitor. Há na história uma inversão de papéis já que Natasha é que é o racional e Daniel o emocional do que não podemos chamar propriamente dito um relacionamento.

A minha primeira decepção com o filme foi, portanto, em relação aos personagens (e quem os interpreta, propriamente dito).

Yara Shahidi, apesar de ser fisicamente muito bem escolhida, eis que muito parecida com o que imaginei para Natasha, não chegou nem perto de ser a Natasha que vi no livro.

No início do filme tive uma impressão muito estranha de que os atores estavam muito pouco entrosados, sem química, não me conquistando nos primeiros minutos. Natasha fala pouco, não tem a maioria das tiradas legais e inteligentes do livro e há muita brecha nos diálogos entre os personagens, o que incomodou muito.

Ao longo do filme essa impressão e entrosamento vai passando em relação ao Charles Melton, mas não em relação à Yara, uma pena. Não digo que a atuação do ator tenha sido magistral, mas deixou menos a desejar.

Em relação à história em si, como eu disse, há muitas brechas nos diálogos e algumas cenas aleatórias bem desnecessárias. Alterar o tempo em que se passa a história do livro de um dia para praticamente dois para que o filme durasse mais prejudicou mais do que ajudou, pois no fim das contas eles fizeram as mesmas coisas praticamente na mesma ordem e no mesmo tempo, contudo, permeados pelas cenas inúteis.

A fotografia, no entanto, foi um ponto salvador do filme, com cenas muito bem construídas da cidade. É um alívio para os olhos.

A trilha sonora é condizente com o filme e algumas me envolveram com a batida forte, fiquei interessada em ouvi-las depois do filme.

Para quem não leu o livro o filme vai parecer mais uma comédia romântica adolescente sobre acreditar em destino, como tantos outros que vemos por ai. Neste sentido, vale assistir. Como adaptação literária é uma ótima obra à parte, não se complementam.

Assistam ao trailer!

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Cinema

IT, a coisa – Capítulo 2 tem trailer e pôster divulgados

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Olá, leitores!

Para aqueles que já leram e assistiram o Capítulo 1 de It, A coisa, ficou aquelas expectativa e ao mesmo tempo frustração pelo fato do filme ter contado apenas metade da história, certo?

Agora, os fãs da obra literária (e até aqueles não tão fãs, mas que curtem uma história de terror) terão a oportunidade de conferir o segundo capítulo da adaptação e descobrir se o restante da história está lá, claro, à sua maneira.

A Warner Bros. divulgou, quase que simultaneamente, o trailer um do Capítulo 2 e o cartaz, e o resultado de ambos, caros leitores… bem, confira!

Eu estou assombrada com esse cartaz e vocês? Por enquanto, só resta dizer: Que venha setembro! Que venha o Capítulo dois!

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