Nos siga

Cinema

Aniquilação | Livro x filme

Publicado em

Olá, leitores do Sobre Livros!

Eu não conhecia Aniquilação até ouvir dizer que iria ser adaptado para o cinema. Imediatamente procurei o livro pra ler me programando para fazer a leitura nas proximidades da estreia para que tudo estivesse fresquinho na cabeça. A previsão de lançamento, inicialmente era para o final do mês de fevereiro. Então, veio a primeira notícia desanimadora: o filme não seria mais lançado nos cinemas de todo o mundo, mas apenas nos Estados Unidos, China e Canadá. Para os demais países seria possível assistir à adaptação por meio do serviço de streaming NETFLIX, onde o lançamento do longa ficou previsto para 12 de março.

A ansiedade era muita da minha parte, mas mais ainda por parte da Laila que já conhecia a história bem antes de mim e estava com muito mais expectativas em relação ao filme. 🙂

Então, vamos lá?

O livro conta a história da 12ª expedição feita à área X, enviada pelo Comando Sul, um setor do governo destinado a estudar a referida área que é um lugar isolado do mundo que surgiu do nada e cujo “campo” ao redor vem se expandindo cada dia mais. Poucos voltaram das expedições anteriores e não conseguem explicar o que há na área x. Por isso a 12ª expedição é enviada, dessa vez composta exclusivamente por mulheres. Elas têm a missão de averiguar e catalogar o que encontrarem na área, por meio de um diário, que cada uma recebeu. Devem narrar, inclusive a relação entre elas, que não pode ser profunda, tanto que nem seus nomes são revelados. Mas o que mais importa é que tomem cuidado para não se contaminarem com o que quer que tenha na área x.

O marido da bióloga que é uma das protagonistas, foi na 11ª expedição, o que contribuiu ainda mais para que ela se voluntariasse para participar da 12ª.

Contudo, a bióloga começa a descobrir não só o que há na área X, mas tudo aquilo que o Comando Sul tenta omitir daqueles que vão para a área e quais as verdadeiras intenções em relação ao local.

O que dizer sobre Aniquilação livro? O livro é fininho, então esperava uma história mais enxuta mesmo, sem que o autor se prolongasse em teorias e acontecimentos.  Quase 100% do livro se passa em uma suposta “torre” que há na área x e que a bióloga e as demais integrantes da expedição ficam tentando descobrir os mistérios que há nela e do que são feitos os elementos que a compõe. Quando alcancei uns 30% do livro não aguentava mais ouvir falar da tal torre. Os acontecimentos do livro também para mim não trouxeram nenhuma emoção, agitação ou expectativa para saber o que acontece. Só queria que acabasse. E quando acabou pensei: andei, andei e andei e não cheguei a lugar nenhum.

Então, só me restou esperar que o filme fosse melhor e salvasse a história.

E acontece que, para mim, Evelyn, o filme se mostrou tão ruim ou até pior que o livro. Tudo muito colorido e tão diferente do livro, de várias formas possíveis que acabou por estragar mais ainda. Não era nada do que eu imaginava. É sempre muito arriscado para o cinema dar “vida” a algum mundo criado nos livros, e pra mim foi um grande erro ter sido feito da forma que foi. Assim, entendi completamente a razão de o filme não ter sido exibido nos cinemas de todos mundo. Inclusive, já tive notícias de que, nos locais em que foi exibido o filme foi um grande fracasso de bilheteria. Apesar de minha opinião, já vi que a aceitação do filme na NETFLIX se mostrou muito boa.

Os dois pontos positivos no filme pra mim foi ter dado uma explicação aos acontecimentos. Essa explicação ainda deixou o final um pouco em aberto, o suficiente para que teorias fossem criadas em cima do que pode realmente ter ocorrido.  E, ainda, que o filme trouxe um melhor entendimento acerca de alguns pontos abordados no livro, o que me ajudou muito. Mas, a essa altura, não salvou todo o resto.

Natalie Portman ficou desperdiçada no filme. Não atribuo o fracasso do filme à sua atuação  e à das demais atrizes. Elas não têm culpa das alterações feitas.

A trilha sonora é tão ruim quanto o resto. Tem uma música especifica que aparece na maior parte do filme meio que para dar um tom, não sei dizer se sombrio ou nostálgico à cena, mas é tão sem contexto que começou a me irritar.

Então essas foram as impressões que tanto o filme quanto o livro me passaram, infelizmente. Espero que para vocês sejam uma experiência melhor.

Assistam ao trailer!!

Amante dos livros, dos filmes (especialmente os advindos de adaptação literária), dos gatos e de um bom e forte café.

Continue Lendo
Propaganda
Clique para Comentar

Deixe uma Resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Cinema

Coringa, de Todd Phillips, o espelho de um mundo doente

Publicado

em

Coringa, de Todd Phillips, o espelho de um mundo doente

Cláudio Diniz e Warley Cardoso

 

“É do inferno dos pobres que é feito o paraíso dos ricos.”

(Victor Hugo)

Olá, Leitor!

Uma das tópicas mais importantes do filme Coringa (2019), de Todd Phillips, é a melancolia do palhaço fracassado que enxerga na violência desmedida um caminho a seguir em meio ao caos de um mundo que não deu certo. O cenário é uma Gothan City que poderia se assemelhar a qualquer cidade onde a falta de esperança num Estado que “caga” para o cidadão resulta na revolta das maiorias silenciosas. O desprezo dos mais ricos com os deserdados do capitalismo conduz à carnavalização da miséria no festim diabólico da indústria cultural. No fim, a revolta iminente dos invisíveis da história não é apenas uma visão dantesca de um inferno utópico, mas uma assustadora e complexa escatologia.

Definitivamente, não é um filme que deve ser interpretado com simplismo a partir de uma chave de leitura política de direita ou de esquerda. Tampouco, uma ficção baseada no projeto de desenvolvimento da origem do vilão como já se fez para o próprio Batman. Na Gotham de Todd Phillips, não há espaço para romantismos de qualquer inspiração. Coringa é um filme que impacta porque é perturbador, sanguinário e sem um sentido ficcional previamente estabelecido. Talvez, a chave de leitura mais importante do filme reside na percepção de que o protagonista desse thriller dramático está muito mais próximo do ser humano do que jamais se pensou que tal vilão poderia estar.

Disponível em https://www.cineset.com.br/critica-coringa-joaquin-phoenix-2019/ Acesso em 16.10.2019

“Um soco na cara” é uma possível definição que se pode ter após assistir a este filme perturbador e magnífico.

Logo no início da sessão nos deparamos com um protagonista doente, que necessita da ajuda do Estado para cuidar de si e da mãe convalescente. Sua perturbação e suas preocupações são grandes.

O clima que envolve a trama, sua fotografia e a forma como são expostos os seus dramas nos comovem desde o primeiro momento pois, a imersão no universo do personagem é enorme e tudo o que lhe acomete provoca um grande incômodo.

Se existe uma palavra para definir o que sentimos ao longo das mais de duas horas de filme é desconforto. Desconforto ao ver uma Gotham decadente, suja, desorganizada, sem apoio político para as pessoas menos favorecidas e desconfiada, acima de tudo, de sua classe política que nada faz pelos cidadãos. Afinal, a invisibilidade social e o desprezo aos mais necessitados é recorrente. É neste cenário que está Arthur Fleck (Joaquin Phoenix), um palhaço triste e sem talento, que sobrevive em meio à criminalidade e à dificuldades econômica. Um cara ocupado com trabalhos pouco dignos e que busca ganhar a vida fazendo os outros rir numa Gotham City sem qualquer disposição para isso. A cidade cheia de lixo, fruto de uma greve prolongada do serviço de limpeza urbana, é apenas uma dentre as várias metáforas visuais do filme.

O pobre e solitário palhaço vive com a sua mãe doente (Frances Conroy), que o chama desde criança de happy (uma pequena ironia relacionada com um problema neurológico que faz com que Arthur ria de forma descontrolada quando se sente eufórico ou nervoso). Mãe e filho, carregados de traumas psicológicos, apoiam-se na esperança de que o magnata Thomas Wayne  apareça para ajuda-los porque, supostamente, ele seria o pai biológico de Arthur Fleck.

Devido a sua doença ele carrega consigo um cartão para explicar sua condição e o entrega a desconhecidos sempre que tem um ataque de riso no momento errado, o que é deprimente. Arthur é uma vítima na maior parte da história, humilhado e enganado por todos, e que se afunda cada vez mais numa miséria tão abismal que o suicídio é uma ideia recorrente. No entanto, Arthur acaba se transformando em um assassino frio e cruel. Esse processo é gradual e nos faz questionar se alguns daqueles problemas poderiam acometer qualquer um de nós em algum momento.

É de se esperar, tendo em vista toda a história, canônica ou não, que a transformação de Arthur seja uma coisa previsível desde o primeiro frame, porém a história ainda consegue oferecer algumas surpresas ao longo da descida de Arthur à loucura homicida.

Pode-se perceber as inúmeras influências diretas presentes no filme e alguns fans services. Os rascunhos no diário, no qual anota suas ideias criativas fazem lembrar de Psicopata Americano (2000). A narrativa triste remete a HQ A Piada Mortal (1988) e a sequência no talk show tem uma homenagem ao seminal O Cavaleiro das Trevas (1986), de Frank Miller. A presença de Robert DeNiro como o apresentador Murray Franklin, uma inversão propositada de O Rei da Comédia (1983), em que o apresentador era Jerry Lewis e De Niro fazia o papel do sociopata que aspirava ser comediante. Zazie Beets traz uma normalidade precisa ao papel de vizinha e interesse amoroso de Arthur e, Frances Conroy, representa com brilho uma mãe instável.

Coringas. Disponível em https://nerdficina.com.br/2018/09/25/a-evolucao-do-coringa-nos-cinemas/ Acesso em 16.10.2019

Enquanto o Coringa de O Cavaleiro das Trevas é uma encarnação enigmática, porém de ótimo gosto, de puro caos, imprevisibilidade e animalesco, Joaquin Phoenix concretiza sua interpretação tornando o personagem mais humano e tridimensional.

O Coringa de Phoenix é um personagem renovado, uma versão mais fiel às HQ’s, mais patético, mais performático e, ao mesmo tempo, com sequências de dança e expressões corporais memoráveis que remetem  ao personagem Alex, de Laranja Mecânica (1972). O trabalho de Joaquin Phoenix é fantástico até nos mais pequenos detalhes. Os 23 kg a menos, as unhas roídas até ao sabugo e, propositalmente, manchadas de nicotina, ajudam Phoenix a compor a encarnação real de Arthur, dá a ele substância.

Percebe-se que a linha criativa que Todd Phillips procura seguir é a de Martin Scorcese. Este é sua inspiração e o filme claramente baseia-se nos clássicos dos anos 70 como O Rei da Comédia e Taxi Driver (1976). É uma interpretação profunda, construída sobre um ponto de vista subjetivo de uma pessoa com graves distúrbios mentais que se arrasta lutando para sobreviver. A trilha sonora completa a imersão do filme. É o melhor trabalho de Todd Phillips, incluindo o figurino, produção e fotografia impecável.

Existe, porém, uma tênue camada de interpretação. Para uns isso pode levar a uma glamorização do vilão carismático e seu comportamento. Porém, subsiste certa discussão sobre o fato de o personagem poder ou não incentivar as massas para a desordem e o caos por motivo do tamanho desconforto e inquietação dessa película. Mas, absolutamente, o Coringa não foi feito para ser uma apologia ao comportamento de seus personagens. Talvez seja um instrumento fantástico de questionamento das mazelas do nosso tempo. Entretanto, podemos pensar que ele é uma interpretação fidedigna de uma realidade atual e maçante, aturdido por um sistema, seja ele político e ou financeiro, que espreme as pessoas que precisam de ajuda, que esmaga os mais necessitados. Ao mesmo tempo, é uma crítica a muitos comportamentos da nossa sociedade doente, um questionamento sobre tudo o que fazemos no mundo.

É claro que um filme sobre um dos maiores vilões da cultura pop não poderia deixar de se atirar nos temas atuais levando ao confronto com o espectador. A película é uma obra de arte, uma ode a um reflexo da psique de um personagem de enorme grandiosidade. Coringa é desconfortável, instável, carregado de controvérsias, e um dos filmes que melhor captura o estranho espírito do tempo, nosso Zeitgeist de 2019.

Uma mensagem sobre a nossa falta de empatia que faz com que cada vez mais pessoas com problemas passem despercebidas, sem acolhimento, relegadas ao esquecimento e ao desprezo. É uma crítica contundente a uma sociedade que sobrevive dos restos de uma minoria rica que pouco se importa com seus problemas e sua miséria, fazendo com que toda essa mistura mágica tenha como resultado o caos e a convulsão social.

Enfim, uma obra que se passa num outro tempo, mas que fala tanto de nosso presente e nos faz duvidar do futuro. Isto é, um verdadeiro soco na cara.

Conrad Veidt e Joaquin Phoenix. Disponível em https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2019/10/02/o-homem-que-ri-o-filme-assustador-de-palhacos-que-inspirou-coringa.htm Acesso em 16.10.2019

O Coringa, principal antagonista do Batman, foi criado em 1940 por Jerry RobinsonBill Finger e Bob Kane para a DC Comics. Sem dúvida, o vilão é uma evidente menção ao personagem Gwynplaine da obra O homem que ri (1869), de Victor Hugo. Com o propósito de exibi-lo como atração de feiras e circos, os traficantes de crianças (comprachicos) da Inglaterra do fim do século XVII cortam os dois lados da boca de Gwynplaine transformando-o num verdadeiro monstro. Contudo, é o mundo em que Gwynplanine vive que é monstruoso. O descaso com os mais desafortunados é a demonstração de uma modernidade medíocre que busca o exótico e o pitoresco na fronte dos invisíveis do capitalismo. Mais tarde, em 1928, a obra de Hugo foi apresentada em suporte cinematográfico pelo diretor expressionista alemão Paul Leni. Essa tradução intersemiótica revelou-se como a base para a criação do personagem dos quadrinhos. O filme de Leni foi visto como uma obra de terror por causa da excelente caracterização de Conrad Veidt (1893-1943), mas o gênero é evidentemente dramático. A relação com o filme de Todd Phillips, nesse sentido, fica mais próxima ainda. Coringa de Todd Phillips é o drama de um invisível que, como procuramos demonstrar, oferece um espelho melancólico de um mundo doente.

Continue Lendo

Cinema

O sol também é uma estrela – A adaptação

Publicado

em

Título original: The sun is also a star

Direção: Ry Russo-Young

Elenco: Yara Shahidi, /charles Melton, John Leguizamo, Gbenga Akinnagbe, Keong Sim, Hill Harper.

Produtora: Leslie Morgenstein

Distribuição: Warner Bros.

Nota: 2

Sinopse: Natasha (Yara Shahidi) é uma jovem extremamente pragmática, que apenas acredita em fatos explicados pela ciência e descarta por completo o destino. Em menos de 12 horas, a família de Natasha será deportada para a Jamaica, mas antes que isso aconteça ela vê Daniel (Charles Melton) e se apaixona subitamente, o que coloca todas as suas convicções em questão.

Depois de ter curtido bastante a adaptação Tudo e todas as coisas para o cinema minha expectativa para a pré-estreia de O sol também é uma estrela estava praticamente nas nuvens, sobretudo por ter sido uma história que curti muito ler.

No livro, Natasha é uma garota astuta, esperta, escorregadia, com tiradas legais. Daniel é um meninão, mas é muito emocional e sonhador de um jeito que conquista o leitor. Há na história uma inversão de papéis já que Natasha é que é o racional e Daniel o emocional do que não podemos chamar propriamente dito um relacionamento.

A minha primeira decepção com o filme foi, portanto, em relação aos personagens (e quem os interpreta, propriamente dito).

Yara Shahidi, apesar de ser fisicamente muito bem escolhida, eis que muito parecida com o que imaginei para Natasha, não chegou nem perto de ser a Natasha que vi no livro.

No início do filme tive uma impressão muito estranha de que os atores estavam muito pouco entrosados, sem química, não me conquistando nos primeiros minutos. Natasha fala pouco, não tem a maioria das tiradas legais e inteligentes do livro e há muita brecha nos diálogos entre os personagens, o que incomodou muito.

Ao longo do filme essa impressão e entrosamento vai passando em relação ao Charles Melton, mas não em relação à Yara, uma pena. Não digo que a atuação do ator tenha sido magistral, mas deixou menos a desejar.

Em relação à história em si, como eu disse, há muitas brechas nos diálogos e algumas cenas aleatórias bem desnecessárias. Alterar o tempo em que se passa a história do livro de um dia para praticamente dois para que o filme durasse mais prejudicou mais do que ajudou, pois no fim das contas eles fizeram as mesmas coisas praticamente na mesma ordem e no mesmo tempo, contudo, permeados pelas cenas inúteis.

A fotografia, no entanto, foi um ponto salvador do filme, com cenas muito bem construídas da cidade. É um alívio para os olhos.

A trilha sonora é condizente com o filme e algumas me envolveram com a batida forte, fiquei interessada em ouvi-las depois do filme.

Para quem não leu o livro o filme vai parecer mais uma comédia romântica adolescente sobre acreditar em destino, como tantos outros que vemos por ai. Neste sentido, vale assistir. Como adaptação literária é uma ótima obra à parte, não se complementam.

Assistam ao trailer!

Continue Lendo

Cinema

IT, a coisa – Capítulo 2 tem trailer e pôster divulgados

Publicado

em

Olá, leitores!

Para aqueles que já leram e assistiram o Capítulo 1 de It, A coisa, ficou aquelas expectativa e ao mesmo tempo frustração pelo fato do filme ter contado apenas metade da história, certo?

Agora, os fãs da obra literária (e até aqueles não tão fãs, mas que curtem uma história de terror) terão a oportunidade de conferir o segundo capítulo da adaptação e descobrir se o restante da história está lá, claro, à sua maneira.

A Warner Bros. divulgou, quase que simultaneamente, o trailer um do Capítulo 2 e o cartaz, e o resultado de ambos, caros leitores… bem, confira!

Eu estou assombrada com esse cartaz e vocês? Por enquanto, só resta dizer: Que venha setembro! Que venha o Capítulo dois!

Continue Lendo

Populares