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A Crônica do Matador do Rei | Saga ganhará filme, seriado e jogos

Saga A Crônica do Matador do Rei ganhará filme, série e jogos.

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É oficial! A série literária A Crônica do Matador do Rei terá filme, seriado e jogos. O anúncio foi feito diretamente no blog do escritor Patrick Rothfuss.

No exterior a série literária conta com dois volumes publicados e o terceiro, The Doors of Stone ainda não tem previsão de lançamento. No Brasil os dois volumes também já foram publicados pela editora Arqueiro: O Nome do Vento e O Temor do Sábio.

O Nome do Vento - Patrick RothfussO Temor do Sábio - Patrick Rothfuss

Abaixo segue a postagem com tradução feita pelo leitor Ricardo Ianelli.

NOTÍCIAS DE HOLYWOOD

Como muitos de vocês sabem, alguns dias antes da San Diego Comic-Con este ano, os direitos sobre meus livros expiraram.

O que isso significa é que anos atrás eu vendi para algumas pessoas os direitos para fazer um show de TV baseado em A Crônica do Matador do Rei. Eles tentaram fazer acontecer, contudo, não funcionou. Então, quando os direitos expiraram, os mesmos voltaram para mim.

Apenas para que vocês saibam, tais coisas acontecem o tempo todo. A vasta maioria das coisas que tem seus direitos comprados para adaptações nunca são feitas. Do mesmo jeito que muitas pessoas que pensam em escrever um livro nunca conseguem publicá-lo. Merdas acontecem. Pessoas perdem o interesse. Coisas ficam complicadas. Projetos perdem “seu momento”.

Eu não tenho estatísticas certinhas, mas apostaria um dólar que mais de 98% de todos os livros que tem seus direitos vendidos acabam desta forma, sem uma adaptação de TV ou filme ou qualquer outra coisa acontecendo.

De qualquer forma, meus direitos foram revertidos. E isso não foi um choque para mim.

Isto, ao contrário, foi uma surpresa:

“(10/07/2015) – Comic-Con: Romance “O Nome do Vento” cria guerra acirrada de ofertas.”

Como de repente todos estavam interessados nos livros, passei a maior parte da Comic-Con tendo encontros com representantes de cada grande “poder Hollywoodiano”. Pelo menos foi o que pareceu pra mim. Foi uma experiência estranha, e eu conversei sobre isso em detalhes no episódio “Untitled Rothfuss podcast that Max and I recorded out at the convention.”

Dizer que eu não sabia o que estava fazendo nesses encontros é um pouco de eufemismo. Na verdade, eu me lembro de começar vários encontros dizendo: “Eu não faço idéia do que eu devo fazer nessa reunião”. Eu também me lembro vagamente de explicar a alguém que não há maneira alguma de transformar O Nome do Vento em um filme. Eu expliquei isto direitinho por mais ou menos 20 minutos. Eu tenho certeza que isso é algo bem “alto” numa lista de coisas que você não deveria fazer em uma reunião com alguém que quer transformar seu livro em filme.

Foi divertido, no entanto. É bom ser desejado. Por um curto momento eu era a garota mais bonita da festa e todo mundo quis dançar comigo. (Apenas leitores frequentes do blog podem apreciar o quão limpa eu mantive essa analogia.)

As reuniões não foram estressantes por uma razão simples: Eu não estava interessado em transformar meus livros em filmes. Eu sei que para vários autores um acordo para filme é como se fosse um santo graal. É dinheiro fácil. E se o filme for feito? Bem, então você ganha caminhões de dinheiro, baldes de fama, e seus livros ficam na lista de bestsellers por um tempo. Geralmente um longo, LONGO tempo.

Mas honestamente? Dinheiro nunca foi um grande motivador pra mim. E meus livros já vendem bem. E eu já sou mais celebridade do que estou confortável.

Mais importante, porém, é que sinceramente eu nunca fui interessado em um acordo de filme. Praticamente todos os filmes de fantasia criados até agora foram filmes de ação, ou com o enredo centrado, ou ambos. E meus livros não são assim. Meus livros são sobre personagens. Eles são sobre segredos e mistérios e as coisas escondidas do mundo. Meus livros são sobre antecipação. E um filme, mesmo que um filme longo, simplesmente não tem tempo suficiente para encaixar todas as coisas. Por isso minha ideia inicial era para uma série de TV. Eu queria espaço para a história respirar.

Então, quando eu encontrei estas pessoas de estudios de filmes, contei a elas que não estava terrivelmente interessado em um acordo para filme. Não querendo ser um idiota, mas eu queria ser sincero com eles. Estou feliz de ter estes encontros, falar sobre histórias, ouvir discursos… Como eu disse, é divertido ser desejado. E é legal que vocês achem meus livros bonitos. Vamos dançar. Mas eu eu queria que eles soubessem que eu não iria pular na cama com ninguém. (Droga, eu sabia que essa analogia iria acabar aparecendo alguma hora.)

Havia uma exceção, contudo. Quando eu encontrei com a Lionsgate, eu disse: “Se vocês virem para mim com uma oferta de filme, vai ser uma oferta bem difícil de vender. Eu não estou interessado em filmes por si só. Mas vocês parecem ser diferentes da maioria dos outros estúdios. Esses caras são gigantes. Sólidos. Mas vocês são mais ágeis e inovadores. Seu pessoal dos filmes e da TV se conhecem. Eles podem trabalhar juntos. Dividir recursos.”

E continuei: “Se vocês vierem para mim com um discurso envolvendo uma série de TV e um filme, eu escutaria. Eu escutaria direitinho, porque algo assim nos permitiria fazer algo com grande orçamento enquanto ainda daria espaço para minha história respirar. Daria às pessoas a possibilidade de passar mais tempo no meu mundo. Eu não consigo pensar em ninguém que tenha realmente feito isso, mas parece que poderiamos aproveitar o melhor dos dois mundos dessa forma. E parece, pra mim, que vocês são os únicos que conseguiriam realmente fazer algo desse tipo.”

É. Eu sou de uma pequena cidade de Wisconsin. Mas não sou estúpido. E é impossível ter 15 horas de encontros com o pessoal de Hollywood sem aprender algumas coisinhas sobre quem é quem e como o mundo funciona.

Mas em última análise, eu estava dando um tiro na minha boca e sabia disso. Eu estava tomando muito cafeína e tendo pouco sono, mas ainda assim percebi que estava dizendo algo como: “Eu vejo que vocês estão me oferecendo a lua, mas eu realmente queria a lua e um bolo de chocolate com cobertura de ouro sólido. E vocês teriam de fazer o bolo do inicio.”

Então a Comic-Con terminou. Eu fui para casa. Minha carruagem se transformou de volta em abóbora e meu belo vestido se transformou de volta em minha camiseta nerd e minha bermuda cargo batida. O que provavelmente foi o melhor, já que não sou muito bom em reuniões importantes e danças. Sou barbudo demais para ser uma princesa.

Fim.

* * *

Então Lionsgate entrou em contato. “Sobre aquela coisa de Série-de-TV-e-Filme que você mencionou”, eles disseram, “Se a gente vai fazer um acordo para algo como uma grande narrativa interligada e multiplataforma baseada nos seus livros, não faria mais sentido fazer um jogo de videogame junto com a série de TV e os filmes? Porque sério, por que não deveríamos fazer um videogame também?” (Estou parafraseando um pouco aqui para vocês entenderem.)

Eu disse: “O que?”

* * *

Desde então, estive conversando com a Lionsgate bastante. Indo a reuniões. Tendo conversas sérias.

E quando eu digo “Eu tenho conversado com a Lionsgate” eu quero dizer “Eu e minha habilidosa equipe conhecedora de filmes que vivem disso e alguns deles são advogados de olhar duro e poderosos.” Porque como eu disse, eu sou de uma pequena cidade de Wisconsin mas não sou estúpido.

E eu vou ser honesto com vocês. Desde o primeiro momento em que sentei na mesa, estava preparado para sair correndo. Eu gostei do jeito que a Lionsgate estava sonhando grande comigo sobre adaptar meu livros. Eles estavam dispostos a pensar fora da caixa. Estavam dispostos a fazer uma caixa novinha só pra que a gente encaixasse direitinho.

Mas… bem… Hollywood é assustadora. Os contratos são, para ser honesto, horripilantes. E a diferença de poder é imensa. Até os estúdios mais pequenos são mais poderosos que alguns países. E mesmo o maior autor de todos não é lá grande coisa.

Então sim, pode parecer bobo, mas desde o começo do processo eu estava querendo pular fora do acordo. Eu quase procurava por uma desculpa para fazer isso, porque a vida é curta demais. Eu não queria ganhar um saco de dinheiro e um tapinha nas costas e passar os próximos três anos vendo meus livros serem molestados sem poder fazer nada.

Então começamos a negociar, e foi aí que recebi a maior surpresa de todas.

Você vê, eu nunca esperaria que um estúdio me tratasse como um ser humano. Mas, durante todo o processo, Lionsgate me tratou com um respeito incrível. Eu fiz pedidos que me pareceram razoáveis e eles responderam a eles… razoavelmente. E eu não estou falando sobre apenas palavras bonitinhas aqui, eles estão fazendo acordos e contratos me dando controle das coisas. Eles não estão sendo apenas razoáveis, estão sendo gentis e compreensivos.

Para ser perfeitamente honesto, é um pouco desconcertante. Eu nunca esperaria que um estúdio de Hollywood fosse me tratar como um ser humano. Me deixar trabalhar como um parceiro criativo e respeitar o fato de que eu sei sim bastante sobre como as histórias funcionam. Esta história em particular.

Então… sim. Esta é a notícia. Eu e eles, nós vamos fazer algo.

Lionsgate está fazendo sua própria conferência de imprensa hoje e vão haver histórias de todos os jeitos sobre as novidades de Hollywood bem em breve. E não é uma coincidência que meu blog está lançando isso no exato mesmo dia que o grande anuncio deles. Na mesma hora, inclusive. Lionsgate coordenou comigo para que eu pudesse compartilhar estas noticias no meu blog no mesmo momento em que eles lançam a história deles.

Isto foi tão importante para mim porque se você lê meu blog ou me segue nas mídias sociais… bem… você é parte da razão pela qual meus livros são grande coisa. E muitos de vocês são parte do meu time por anos, e eu queria a chance de contar para vocês sobre esta noticia eu mesmo ao invés de vocês ouvirem isso pelas ruas.

O fato de Lionsgate me deixar lançar isto aqui no blog simultaneamente com a conferência de imprensa deles é outro bom sinal, em minha opinião. Isto mostra que eles me respeitam, e mostra que respeitam vocês também.

Agora eu sei que alguns de vocês vai estar lendo isto com medo em seus corações. Vocês vão se preocupar sobre eles estragarem tudo. Eu entendo. Eu sei que vocês amam esses livros.

Mas acredite quando eu digo isso: Vocês não amam mais estes livros do que eu amo. Você não poderia gostar mais deles do que eu gosto. Eu coloquei vinte anos da minha vida neles. Eles caminham ao lado do meu coração. Eles são parte tangível da minha alma.

Eu não sou estúpido. Eu acredito que a este ponto vocês já me conhecem o suficiente para confiarem em mim e saberem que eu não vou me apressar em… bem… nada. Se eu aceitei um acordo assim, é apenas porque eu realmente acho que existe uma chance de fazer algo realmente lindo.

Eu vou falar mais sobre isso aqui no blog mais tarde. Eu responderei perguntas e explicarei as coisas com mais detalhes.

Depois. Farei isso tudo depois.

Por agora, apenas pelos próximos dias, que tal apenas ficarmos excitados com isto? Teremos bastante tempo para causar estardalhaço e nos preocupar nos próximos dias, mas por agora, não vamos nos preocupar. Por agora, vamos apenas passar um tempo sendo nerds felizes, excitados com o pensamento de ver a Eólica e a Artificiaria. Existem algumas cenas que eu amaria ver em outro lugar além da minha própria mente.

E acredito que existem algumas cenas que todos vocês gostariam de ver também.

Vejo vocês depois, Cowboys do espaço,

Pat

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5 Comentários

5 Comentários

  1. Maria Ermelinda Tomaz Pereira

    3 de fevereiro de 2017 em 17:28

    Fiquei sem ar agora. Mas não está completo.

    • Rafael Casanova

      3 de fevereiro de 2017 em 17:41

      Olá Maria, o que não está completo? A notícia é de outubro de 2015 ^^

  2. Pingback: Patrick Rothfuss responde algumas perguntas dos fãs | Sobre Livros

  3. Pingback: A Crônica do Matador do Rei | Por que tanta demora, Patrick? – Interlúdio #1 | Sobre Livros

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Cinema

Coringa, de Todd Phillips, o espelho de um mundo doente

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Coringa, de Todd Phillips, o espelho de um mundo doente

Cláudio Diniz e Warley Cardoso

 

“É do inferno dos pobres que é feito o paraíso dos ricos.”

(Victor Hugo)

Olá, Leitor!

Uma das tópicas mais importantes do filme Coringa (2019), de Todd Phillips, é a melancolia do palhaço fracassado que enxerga na violência desmedida um caminho a seguir em meio ao caos de um mundo que não deu certo. O cenário é uma Gothan City que poderia se assemelhar a qualquer cidade onde a falta de esperança num Estado que “caga” para o cidadão resulta na revolta das maiorias silenciosas. O desprezo dos mais ricos com os deserdados do capitalismo conduz à carnavalização da miséria no festim diabólico da indústria cultural. No fim, a revolta iminente dos invisíveis da história não é apenas uma visão dantesca de um inferno utópico, mas uma assustadora e complexa escatologia.

Definitivamente, não é um filme que deve ser interpretado com simplismo a partir de uma chave de leitura política de direita ou de esquerda. Tampouco, uma ficção baseada no projeto de desenvolvimento da origem do vilão como já se fez para o próprio Batman. Na Gotham de Todd Phillips, não há espaço para romantismos de qualquer inspiração. Coringa é um filme que impacta porque é perturbador, sanguinário e sem um sentido ficcional previamente estabelecido. Talvez, a chave de leitura mais importante do filme reside na percepção de que o protagonista desse thriller dramático está muito mais próximo do ser humano do que jamais se pensou que tal vilão poderia estar.

Disponível em https://www.cineset.com.br/critica-coringa-joaquin-phoenix-2019/ Acesso em 16.10.2019

“Um soco na cara” é uma possível definição que se pode ter após assistir a este filme perturbador e magnífico.

Logo no início da sessão nos deparamos com um protagonista doente, que necessita da ajuda do Estado para cuidar de si e da mãe convalescente. Sua perturbação e suas preocupações são grandes.

O clima que envolve a trama, sua fotografia e a forma como são expostos os seus dramas nos comovem desde o primeiro momento pois, a imersão no universo do personagem é enorme e tudo o que lhe acomete provoca um grande incômodo.

Se existe uma palavra para definir o que sentimos ao longo das mais de duas horas de filme é desconforto. Desconforto ao ver uma Gotham decadente, suja, desorganizada, sem apoio político para as pessoas menos favorecidas e desconfiada, acima de tudo, de sua classe política que nada faz pelos cidadãos. Afinal, a invisibilidade social e o desprezo aos mais necessitados é recorrente. É neste cenário que está Arthur Fleck (Joaquin Phoenix), um palhaço triste e sem talento, que sobrevive em meio à criminalidade e à dificuldades econômica. Um cara ocupado com trabalhos pouco dignos e que busca ganhar a vida fazendo os outros rir numa Gotham City sem qualquer disposição para isso. A cidade cheia de lixo, fruto de uma greve prolongada do serviço de limpeza urbana, é apenas uma dentre as várias metáforas visuais do filme.

O pobre e solitário palhaço vive com a sua mãe doente (Frances Conroy), que o chama desde criança de happy (uma pequena ironia relacionada com um problema neurológico que faz com que Arthur ria de forma descontrolada quando se sente eufórico ou nervoso). Mãe e filho, carregados de traumas psicológicos, apoiam-se na esperança de que o magnata Thomas Wayne  apareça para ajuda-los porque, supostamente, ele seria o pai biológico de Arthur Fleck.

Devido a sua doença ele carrega consigo um cartão para explicar sua condição e o entrega a desconhecidos sempre que tem um ataque de riso no momento errado, o que é deprimente. Arthur é uma vítima na maior parte da história, humilhado e enganado por todos, e que se afunda cada vez mais numa miséria tão abismal que o suicídio é uma ideia recorrente. No entanto, Arthur acaba se transformando em um assassino frio e cruel. Esse processo é gradual e nos faz questionar se alguns daqueles problemas poderiam acometer qualquer um de nós em algum momento.

É de se esperar, tendo em vista toda a história, canônica ou não, que a transformação de Arthur seja uma coisa previsível desde o primeiro frame, porém a história ainda consegue oferecer algumas surpresas ao longo da descida de Arthur à loucura homicida.

Pode-se perceber as inúmeras influências diretas presentes no filme e alguns fans services. Os rascunhos no diário, no qual anota suas ideias criativas fazem lembrar de Psicopata Americano (2000). A narrativa triste remete a HQ A Piada Mortal (1988) e a sequência no talk show tem uma homenagem ao seminal O Cavaleiro das Trevas (1986), de Frank Miller. A presença de Robert DeNiro como o apresentador Murray Franklin, uma inversão propositada de O Rei da Comédia (1983), em que o apresentador era Jerry Lewis e De Niro fazia o papel do sociopata que aspirava ser comediante. Zazie Beets traz uma normalidade precisa ao papel de vizinha e interesse amoroso de Arthur e, Frances Conroy, representa com brilho uma mãe instável.

Coringas. Disponível em https://nerdficina.com.br/2018/09/25/a-evolucao-do-coringa-nos-cinemas/ Acesso em 16.10.2019

Enquanto o Coringa de O Cavaleiro das Trevas é uma encarnação enigmática, porém de ótimo gosto, de puro caos, imprevisibilidade e animalesco, Joaquin Phoenix concretiza sua interpretação tornando o personagem mais humano e tridimensional.

O Coringa de Phoenix é um personagem renovado, uma versão mais fiel às HQ’s, mais patético, mais performático e, ao mesmo tempo, com sequências de dança e expressões corporais memoráveis que remetem  ao personagem Alex, de Laranja Mecânica (1972). O trabalho de Joaquin Phoenix é fantástico até nos mais pequenos detalhes. Os 23 kg a menos, as unhas roídas até ao sabugo e, propositalmente, manchadas de nicotina, ajudam Phoenix a compor a encarnação real de Arthur, dá a ele substância.

Percebe-se que a linha criativa que Todd Phillips procura seguir é a de Martin Scorcese. Este é sua inspiração e o filme claramente baseia-se nos clássicos dos anos 70 como O Rei da Comédia e Taxi Driver (1976). É uma interpretação profunda, construída sobre um ponto de vista subjetivo de uma pessoa com graves distúrbios mentais que se arrasta lutando para sobreviver. A trilha sonora completa a imersão do filme. É o melhor trabalho de Todd Phillips, incluindo o figurino, produção e fotografia impecável.

Existe, porém, uma tênue camada de interpretação. Para uns isso pode levar a uma glamorização do vilão carismático e seu comportamento. Porém, subsiste certa discussão sobre o fato de o personagem poder ou não incentivar as massas para a desordem e o caos por motivo do tamanho desconforto e inquietação dessa película. Mas, absolutamente, o Coringa não foi feito para ser uma apologia ao comportamento de seus personagens. Talvez seja um instrumento fantástico de questionamento das mazelas do nosso tempo. Entretanto, podemos pensar que ele é uma interpretação fidedigna de uma realidade atual e maçante, aturdido por um sistema, seja ele político e ou financeiro, que espreme as pessoas que precisam de ajuda, que esmaga os mais necessitados. Ao mesmo tempo, é uma crítica a muitos comportamentos da nossa sociedade doente, um questionamento sobre tudo o que fazemos no mundo.

É claro que um filme sobre um dos maiores vilões da cultura pop não poderia deixar de se atirar nos temas atuais levando ao confronto com o espectador. A película é uma obra de arte, uma ode a um reflexo da psique de um personagem de enorme grandiosidade. Coringa é desconfortável, instável, carregado de controvérsias, e um dos filmes que melhor captura o estranho espírito do tempo, nosso Zeitgeist de 2019.

Uma mensagem sobre a nossa falta de empatia que faz com que cada vez mais pessoas com problemas passem despercebidas, sem acolhimento, relegadas ao esquecimento e ao desprezo. É uma crítica contundente a uma sociedade que sobrevive dos restos de uma minoria rica que pouco se importa com seus problemas e sua miséria, fazendo com que toda essa mistura mágica tenha como resultado o caos e a convulsão social.

Enfim, uma obra que se passa num outro tempo, mas que fala tanto de nosso presente e nos faz duvidar do futuro. Isto é, um verdadeiro soco na cara.

Conrad Veidt e Joaquin Phoenix. Disponível em https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2019/10/02/o-homem-que-ri-o-filme-assustador-de-palhacos-que-inspirou-coringa.htm Acesso em 16.10.2019

O Coringa, principal antagonista do Batman, foi criado em 1940 por Jerry RobinsonBill Finger e Bob Kane para a DC Comics. Sem dúvida, o vilão é uma evidente menção ao personagem Gwynplaine da obra O homem que ri (1869), de Victor Hugo. Com o propósito de exibi-lo como atração de feiras e circos, os traficantes de crianças (comprachicos) da Inglaterra do fim do século XVII cortam os dois lados da boca de Gwynplaine transformando-o num verdadeiro monstro. Contudo, é o mundo em que Gwynplanine vive que é monstruoso. O descaso com os mais desafortunados é a demonstração de uma modernidade medíocre que busca o exótico e o pitoresco na fronte dos invisíveis do capitalismo. Mais tarde, em 1928, a obra de Hugo foi apresentada em suporte cinematográfico pelo diretor expressionista alemão Paul Leni. Essa tradução intersemiótica revelou-se como a base para a criação do personagem dos quadrinhos. O filme de Leni foi visto como uma obra de terror por causa da excelente caracterização de Conrad Veidt (1893-1943), mas o gênero é evidentemente dramático. A relação com o filme de Todd Phillips, nesse sentido, fica mais próxima ainda. Coringa de Todd Phillips é o drama de um invisível que, como procuramos demonstrar, oferece um espelho melancólico de um mundo doente.

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Cinema

O sol também é uma estrela – A adaptação

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Título original: The sun is also a star

Direção: Ry Russo-Young

Elenco: Yara Shahidi, /charles Melton, John Leguizamo, Gbenga Akinnagbe, Keong Sim, Hill Harper.

Produtora: Leslie Morgenstein

Distribuição: Warner Bros.

Nota: 2

Sinopse: Natasha (Yara Shahidi) é uma jovem extremamente pragmática, que apenas acredita em fatos explicados pela ciência e descarta por completo o destino. Em menos de 12 horas, a família de Natasha será deportada para a Jamaica, mas antes que isso aconteça ela vê Daniel (Charles Melton) e se apaixona subitamente, o que coloca todas as suas convicções em questão.

Depois de ter curtido bastante a adaptação Tudo e todas as coisas para o cinema minha expectativa para a pré-estreia de O sol também é uma estrela estava praticamente nas nuvens, sobretudo por ter sido uma história que curti muito ler.

No livro, Natasha é uma garota astuta, esperta, escorregadia, com tiradas legais. Daniel é um meninão, mas é muito emocional e sonhador de um jeito que conquista o leitor. Há na história uma inversão de papéis já que Natasha é que é o racional e Daniel o emocional do que não podemos chamar propriamente dito um relacionamento.

A minha primeira decepção com o filme foi, portanto, em relação aos personagens (e quem os interpreta, propriamente dito).

Yara Shahidi, apesar de ser fisicamente muito bem escolhida, eis que muito parecida com o que imaginei para Natasha, não chegou nem perto de ser a Natasha que vi no livro.

No início do filme tive uma impressão muito estranha de que os atores estavam muito pouco entrosados, sem química, não me conquistando nos primeiros minutos. Natasha fala pouco, não tem a maioria das tiradas legais e inteligentes do livro e há muita brecha nos diálogos entre os personagens, o que incomodou muito.

Ao longo do filme essa impressão e entrosamento vai passando em relação ao Charles Melton, mas não em relação à Yara, uma pena. Não digo que a atuação do ator tenha sido magistral, mas deixou menos a desejar.

Em relação à história em si, como eu disse, há muitas brechas nos diálogos e algumas cenas aleatórias bem desnecessárias. Alterar o tempo em que se passa a história do livro de um dia para praticamente dois para que o filme durasse mais prejudicou mais do que ajudou, pois no fim das contas eles fizeram as mesmas coisas praticamente na mesma ordem e no mesmo tempo, contudo, permeados pelas cenas inúteis.

A fotografia, no entanto, foi um ponto salvador do filme, com cenas muito bem construídas da cidade. É um alívio para os olhos.

A trilha sonora é condizente com o filme e algumas me envolveram com a batida forte, fiquei interessada em ouvi-las depois do filme.

Para quem não leu o livro o filme vai parecer mais uma comédia romântica adolescente sobre acreditar em destino, como tantos outros que vemos por ai. Neste sentido, vale assistir. Como adaptação literária é uma ótima obra à parte, não se complementam.

Assistam ao trailer!

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Cinema

IT, a coisa – Capítulo 2 tem trailer e pôster divulgados

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Olá, leitores!

Para aqueles que já leram e assistiram o Capítulo 1 de It, A coisa, ficou aquelas expectativa e ao mesmo tempo frustração pelo fato do filme ter contado apenas metade da história, certo?

Agora, os fãs da obra literária (e até aqueles não tão fãs, mas que curtem uma história de terror) terão a oportunidade de conferir o segundo capítulo da adaptação e descobrir se o restante da história está lá, claro, à sua maneira.

A Warner Bros. divulgou, quase que simultaneamente, o trailer um do Capítulo 2 e o cartaz, e o resultado de ambos, caros leitores… bem, confira!

Eu estou assombrada com esse cartaz e vocês? Por enquanto, só resta dizer: Que venha setembro! Que venha o Capítulo dois!

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