120 batimentos por minuto | “Estamos todos mortos e vivos”

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Ficha técnica:

Título original: 120 battements par minute

Distribuição: Imovision

Direção e roteiro: Robin Campillo

Elenco: Nahuel Perez Biscayart, Arnaud Valois, Àdele Haenel, Antoine Reinartz, Aloïse Sauvage, Catherine Vinatier e Caoline Piette.

Classificação: 16 anos

Estreia: 04 de janeiro de 2018.

Nota: 3.5/5.0 (bom)

Sinopse: ​Início dos anos 1990. Com a epidemia da AIDS já tendo levado inúmeras vidas na última década, o grupo ativista Act Up-Paris potencializa suas formas de ação a fim de lutar contra a indiferença geral. Nathan, um novato no grupo, tem seu mundo abalado por Sean, um militante radical.

Pesado, intenso e real. Como todo filme sobre o assunto. O filme retrata o dia a dia do grupo ativista Act Up- Paris que luta pelos direitos dos soropositivos em uma época que pouco se sabia, se informava e e dava para a AIDS.

Eles querem informar, lutar para serem ouvidos, para mudar a opinião do povo e a postura dos que governam, para derrubar preconceitos. Não se trata aqui apenas de fazer uma propaganda, de promover o Act up-Paris.

Além disso, enfrentam o descaso do laboratório farmacêutico que omite os resultados dos testes de um possível novo medicamento que pode ajudar os soropositivos. A única frase recorrente que se ouve dos farmacêuticos é: “nós sabemos pelo que estão passando” quando, na verdade, não sabem, e permanecem omissos, enquanto mais e mais pessoas vão morrendo.

De outro lado há as frequentes reuniões do Act Up e o telespectador é levado a fazer parte do grupo, sobretudo por ser, até determinada parte do filme, o ponto predominante, mostrando não só como agem para ajudar a causa, mas também para mostrar como agem os membros entre si. Quando concordam e discordam, como chegam a um consenso sobre as ações.  Mesmo sem perceber, o espectador se vê comovido, revoltado, envolvido. É inevitável.

O diretor e também roteirista Campillo quer mostrar a realidade de tudo. Nada de filtros, amenidades. Nada de romantizar. É a crueza e a intensidade da situação que aqueles que vivem com HIV enfrentam que ele busca mostrar. Sem julgamentos. Mas, ainda assim, com um olhar humano. E o faz com sucesso, sobretudo a partir de determinado momento, em que o relacionamento e a queda brusca de saúde de um dos membros do Act Up faz com o filme se divida entre a vida pessoal desse membro específico e a continuidade nas ações do grupo.

O filme é permeado de frases de efeito que emocionam, que tocam o espectador. A frase que compõe o título desta crítica é apenas um pequeno exemplo delas.

O ponto negativo do filme fica por conta de sua duração excessiva. Foram 140 minutos que poderiam ter sido reduzidos já que algumas cenas se mostraram longas sem necessidade.

O filme serve como um alerta, sobretudo em um momento em que, apesar da ampla gama de informações, o HIV continua matando, e muito.

Assistam ao trailer!

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