The Witcher vem para a Netflix: entre telas

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Geralt em The Witcher 3: Wild Hunt e no filme de 2001

Já ouviu falar de Geralt de Rívia? Se não, quem sabe, logo você ouça, especialmente se acompanha os lançamentos da Netflix.

Talvez ele seja mais conhecido como o protagonista da trilogia de jogos digitais The Witcher (CD Projekt Red), mas Geralt nasceu muito antes disso. Sua personagem e elementos do mundo em que habita nos jogos são baseados numa saga, com contos e romances, do escritor polonês Andrzej Sapkowski.

Em maio deste ano, a Netflix anunciou que está trabalhando na adaptação dos romances de The Witcher em um seriado de ­live-action. Sem data de estreia definida ou nomes possíveis para o elenco, só sabemos que a expectativa deve crescer até lá, ainda mais por fãs dos jogos (e mesmo dos livros).

Adaptações de histórias de uma mídia para outra não são novidade. São vários os filmes e séries que adaptaram, ou se apropriaram, dos universos ficcionais criados nos textos de Shakespeare e de Jane Austen, por exemplo. O mesmo vale para o inverso disso, filmes que viraram livros. Num certo sentido, é uma forma de continuar vivendo dentro de uma história que gostamos ou de experienciar esta história sendo contada de uma outra forma. No entanto, e isso é muito importante, quando falamos em adaptação para uma outra mídia, a linguagem dessa nova forma deve ser pensada e trabalhada ou a chance de se errar a mão é grande.

Recentemente, a mesma Netflix adaptou o jogo Castlevania III: Dracula’s Curse, desenvolvido pela Konami e lançado em 1989, abrindo mais uma porta de contato entre jogos e narrativas fílmicas. Castlevania, minissérie com quatro episódios, entrou em cartaz em 7 de julho deste ano e deixou fãs com uma sensação de que o tom dos jogos foi perdido. Evidente que jogadoras e jogadores costumam esperar certos elementos dos jogos numa adaptação, mas nem sempre eles funcionam numa transposição. A audiência importa-se muito mais com Drácula do que com o nosso suposto (anti)herói, Trevor Belmont.  A minissérie não passou de um prelúdio, sobre o qual é possível que não se queria saber o resto.

Castlevania, um dos pôsteres divulgados pela Netflix

Adaptações de videogames para filmes ou séries são sempre um fracasso. Ponto final. Talvez o primeiro filme de Resident Evil, no qual a personagem Alice (interpretada pela atriz Milla Jovovich) é apresentada e conhecemos o vírus-T, que transforma as pessoas em zumbis após a morte, se espalhando pelo mundo, tenha funcionado por si só. Foi um sucesso entre os fãs, mas as sequências não desenvolveram bons roteiros, sendo que as jornadas das personagens se tornaram apenas processos de correr e esconder.

Pôster de Resident Evil: o hóspede maldito

Tomb Raider: Lara Croft, com Angelina Jolie no papel da arqueóloga, também alcançou algum sucesso e recebeu algumas críticas positivas, mas deixou a desejar em relação ao enredo, pois tudo estava apresentado de forma evidente, sem espaços para outros desfechos.

Em uma adaptação de videogame para alguma narrativa fílmica tem que se refletir sobre suas estruturas e repensar as estratégias. O que muitas vezes vale para um jogo, como as frases repetidas pela personagem protagonista (e ainda assim questionável), não vale para os filmes ou séries. Outro exemplo, os bosses, personagens não jogáveis dos jogos (NPCs – non-playable characters) que se enfrenta no final de um nível ou em momentos de clímax da história, costumam ter muito (muitos!) poderes e habilidades, mas isso, em uma adaptação fílmica, pode ultrapassar o senso do ridículo.

O mesmo vale para a adaptação do famoso jogo de tiro em primeira pessoa (FPS – first person shooter) Doom. O filme até conseguiu criar uma sequência de cenas em que a audiência se sente no ponto de vista da jogadora ou do jogador, ou seja, vendo em primeira pessoa. História fraca, personagens com pouco carisma e cortes de cenas malfeitos são alguns dos problemas de Doom. Talvez o maior problema (que é de enredo) seja a relação entre os irmãos John Grimm (interpretado por Karl Urban) e Samantha Grimm (interpretada por Rosamund Pike), já que a audiência oscila entre a dúvida (inicial) sobre o que há entre os dois, se uma tensão romântica/sexual ou qualquer outra coisa.

O fracasso mais recente: Assassin’s Creed, com Michael Fassbender, Marion Cotillard, Jeremy Irons, mesmo com um elenco de nomes de peso, no que diz respeito a interpretações, não conseguiu entregar um filme sequer mediano.

A lista de péssimas adaptações de videogames é enorme.

The Witcher, talvez, possa mudar isso. O famoso bruxo, também conhecido como Lobo Branco (White Wolf) já esteve em outra adaptação, um filme polonês de 2001. A despeito disso, o mundo de The Witcher já foi transmidiado e esse é o grande aspecto de consideração para se esperar um trabalho mais apurado na série da Netflix. Quer dizer, a história dos livros já se expandiu, tanto nos videogames (que seriam narrativas que dão sequência aos livros) quanto em histórias em quadrinhos. Desenvolver uma narrativa e um enredo que funcionem por si só ambientados nesse universo pode ser muito mais interessante do que apenas uma adaptação.

Andrzej Sapkowski, que nunca participou criativamente da produção dos jogos nem recebeu nenhum lucro por eles, será um consultor da produção da Netflix. Ele declarou: “Estou emocionado porque a Netflix vai adaptar as minhas histórias, respeitando o material fonte e os temas que passei mais de trinta anos escrevendo”.

Não se sabe bem que histórias estarão na série da Netflix, tampouco se, de fato, Geralt de Rívia será uma das personagens. As apostas já começaram na internet, com fãs sugerindo nomes para as personagens dos jogos que apareceriam na adaptação. Meu voto acompanha o de várias pessoas, pelo menos sobre o Bruxo: Mads Mikkelsen como Geralt. E você o que acha?

Mads Mikkelsen como Geralt

Eu sou Aline Job e este foi meu primeiro texto para o Sobre Livros. Vou escrever sobre videogames e literatura e novidades do universo de geeks e nerds. Sou jogadora há dois terços da minha vida e isso já significa bastante tempo. Quer que eu comente algum jogo? Gostaria que eu escrevesse sobre algum tema que junta jogos e narrativa? Let me know. Até o próximo e que a Força esteja conosco.

Fontes: IGN Brasil e Sunday Express

1 COMENTÁRIO

  1. Olá Aline muito bom o seu texto, não sei se você conhece ou já leu A crônica do Matador do Rei, que futuramente vai ter filme, série e jogo, gostaria que fizesse uma análise sobre essas futuras adaptações.

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