The post: A guerra secreta | Crítica

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Ficha técnica

Título original: The post

Distribuidora: Universal Pictures

Direção: Steven Spielberg

Roteiro: Liz Hannah

Elenco: Tom Hanks, Meryl Streep, Bob Odenkirk, Tracy Letts, Bradley Whitford, Bruce Greenwood, Mathew Rhys.

Estreia: 25.01.2018

Nota: 3/5

Meryl Streep interpreta Katharine Graham a primeira editora chefe do The Washington Post. Ela tenta ser forte e enfrentar o machismo que permeia suas relações principalmente com seus conselheiros que não estão satisfeitos por serem chefiados por uma mulher.

Além disso, Kay, como é carinhosamente chamada pelos amigos e colegas de trabalho, precisa lutar para manter o jornal que faz parte da sua família desde que ela se entende por gente. Por isso ela busca ajuda de investidores e banqueiros por meio de um frágil acordo de vendas de ações.

Tom Hanks é Ben Bradlee editor e uma das pessoas de maior confiança de Kay Graham. Ele está cansado de ver o jornal à sombra do The New York Times que sempre tem as melhores fontes e notícias mais quentes, deixando os restos, as migalhas para o The Washington Post. Ele quer acabar com isso.

Por isso, quando o The New York Times começa, em 1971, a liberar uma série de segredos do governo Nixon, relacionados a um arquivo chamado de “Pentagon Papers” o que Ben mais quer é um acesso melhor aos arquivos para que possa colocar The Washington Post na frente de todos os jornais, torná-lo o primeiro. Custe o que custar, mesmo que envolva acabar com uma amizade de anos entre sua chefe e o cara que está envolvido diretamente nos Arquivos divulgados.

O governo pretende não deixar que as notícias cheguem à população, ainda que para isso tenha que violar a Primeira Emenda. Mas, o que é a primeira emenda? Entenda:

É vedado ao congresso criar legislação que favoreça estabelecimento de religião ou proíba seu livre exercício, ou restringir a liberdade de expressão ou de imprensa, ou o direito das pessoas de se reunirem pacificamente e de requerer do Governo reparação de prejuízos.”

Ante a liminar que determinou que o The New York Times parasse de publicar notícias confidenciais relacionadas ao governo. Resta ao The Washington Post, então, decidir se entra na briga pela informação aos cidadãos ou se pensam no futuro do jornal, cujo investimento recém feito pode ser encerrado caso o jornal venha a ser processado por descumprir ordens do governo.

Sem mais delongas sobre o filme, antes que eu conte a história toda para vocês, temos em The Post a união (finalmente) de três estrelas do mundo do cinema: Meryl Streep, Tom Hanks e Steven Spielberg. Esperar pelo resultado dessa união de forças foi, contudo, melhor do que o resultado em si.

Meryl, excelente como sempre em suas atuações teve uma personagem a meu ver um tanto quanto estereotipada já que Kay é uma mulher, vivendo em uma época em que homens querem mandar e ela naquele papel de: “eu sou mulher, todo mundo quer me dizer o que tenho que fazer, mas de repente vou dar um chilique e mostrar pra todo mundo quem manda nesse negócio”.  Esse é um tipo de papel que já vemos superado nos filmes mais atuais e acho que fica um pouco fora de lugar ante a época em que o filme se passa (década de 70). Vemos mais a força da personagem quando algumas moças a esperam na porta do tribunal e a olham com admiração do que nas próprias atitudes da personagem ao longo do filme.

Bob Odenkirk conhecido em sua atuação nas séries Breaking Bad e Better Call Saul nos traz uma sensação de nostalgia. É certo que determinados atores ficam marcados por atuações específicas, cujos jargões e trejeitos ficam marcados para sempre e vira e mexe vemos tais traços no ator em outras histórias. Mas também é certo que não curti as cenas em que Bob, que interpreta Ben Bagdikian, um dos jornalistas mais importantes já que foi o responsável por conseguir os “Pentagon Papers”, precisa sair do jornal para fazer ligações externas para não chamar a atenção. Nesse momento vi as ligações sendo feitas por Saul Goodman e não pelo Ben Bagdikian.

De outro lado temos, ainda, a previsibilidade da história. Nada de UAU eles conseguiram isso, “Nossa! Olha o que aconteceu!” bastou um pouco de atenção no início para o telespectador ter nas mãos o que precisa para saber o desfecho.

Apesar disso, o filme cumpre muito bem seu papel de mostrar a importância de um jornal para a população. Um dos juízes que julgaram o caso entre o The New York Times e o governo fundamentou seu voto no entendimento de que o papel da imprensa era servir os governados, não os governantes. Isso, somado ao fato de que atualmente as redes sociais estão permeadas de notícias falsas publicadas apenas buscando mais curtidas, e no momento em que governantes como Trump estão em “pé de guerra” com a mídia de seu país faz com que o filme chegue em um ótimo momento, nos lembrando da importância da liberdade de expressão, mas principalmente, nos lembrando da credibilidade dos jornais ante as notícias sérias que afetam diretamente os cidadãos.

A trilha sonora composta por John Williams é impecável!

E é por isso que, apesar de previsível e de não considerar uma obra prima do cinema vale o ingresso! Assistam ao trailer!

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