Semana Especial do Halloween: Rogai por Vós de Rober Pinheiro

quinta-feira, outubro 28, 2010 23:15
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Especial Halloween

No próximo domingo, dia 31 de outubro, será comemorado o Dia da Bruxas, também conhecido por Halloween. O Sobre Livros convidou alguns autores para escrever contos não relacionados ao tema especificamente, mas que envolvam elementos macabros, algumas colheradas do sobrenatural e uma pitada de terror.

No primeiro dia foi apresentado o conto Jack da querida Georgette Silen, no segundo foi Sobre as Vezes Que Me Matei por Fábio Henckel, no terceiro Andrés Carreiro nos brindou com Reflexos Ardentes com e hoje o conto é de…

O conto de hoje foi escrito por Rober Pinheiro, já conhecido no site por ser autor do livro O Vale de Eldor, primeiro da série Lordes de Thargor.

Esse conto é uma espécie de continuação que saiu no Paradigmas IV (A Última Prece), um padre transformado em demônio, o que pode acontecer? Parte da equipe também conheceu o Rober na Bienal do Livro em São Paulo, super simpático e diferente da foto que ele veincula na internet =D (Sério, ninguém reconheceu!)

Quem quiser conversar, conhecer e saber um pouco mais sobre os trabalhos de Rober Pinheiro, basta segui-lo no Twitter @roberpinheiro e visitar o seu site.

Rogai por Vós

Rober Pinheiro

A claridade opressiva da primeira hora da manhã, mesmo filtrada pela sujeira que cobre parte dos vidros trincados das janelas, ainda fere meus olhos. Recuo para as sombras, procurando um abrigo entre os entulhos amontoados do velho galpão que me serve de morada desde que… desde que deixei de ser eu.

A Voz em minha cabeça desapareceu, mas em seu lugar ficou a ilusão. Um fantasma que me persegue como uma espécie de castigo pela minha fraqueza, por minha rendição. Encontro um lugar vazio entre duas caixas e tento descansar, mas um tremor percorre meu corpo e me atira ao chão, enquanto espasmos de dor transformam meu estômago numa prensa. Estou faminto; há dias não como nada e qualquer coisa que tento ingerir, mal toca o estômago e sou obrigado a botá-la pra fora. No início, pensei que as náuseas eram por causa da comida estragada que me vi obrigado a pegar no lixo e, certa vez, até cheguei a roubar uma maçã que uma senhora deixou cair da sacola de compras. Ela nada disse, apenas continuou me olhando enquanto eu pegava a fruta e corria para longe, como se aquela coisinha avermelhada na minha mão fosse o maior dos tesouros do mundo. Quase sem fôlego, parei na porta desde armazém abandonado e dei a primeira mordida. Não consegui identificar qualquer sabor, mas isso era o que menos importava. Se conseguisse diminuir minha fome um pouco que fosse, já seria o suficiente. Devorei-a em menos de um minuto, com semente e tudo, e me escorei na parede tentando apreciar a primeira refeição decente em dias. As convulsões demoraram pouco a chegar. Meu estômago rugiu, indignado, e expulsou tudo o que eu acabara de ingerir e mais um pouco. Desde então não consegui pôr mais nada na boca.

E pensar que tudo isso começou por causa de uma garota desconhecida, por que tentei ajudá-la. Padre François me havia alertado sobre os tipos que andavam pelos arredores da paróquia. Disse para tomar cuidado e não me envolver em assuntos que não se relacionassem à igreja. Mas como eu poderia imaginar que aquela… garota, tão bonita, tão… indefesa e amedrontada e… triste, fosse na verdade aquilo que eu jamais imaginei existir. Quem nesse mundo maldito poderia saber que por detrás daqueles olhos amendoados, cheios de lágrimas que pensei serem verdadeiras, se escondia um… um demônio? Deus, um demônio!

E Padre François preocupado com traficantes e prostitutas. Se ele soubesse o que ronda sua paróquia, o que a noite esconde em suas… A imagem dela. Ainda ronda meus pensamentos, me torturando, me tentando. Ela me enfeitiçou, foi isso o que aconteceu, e me transformou nessa… nisso que sou agora.

Que ironia estranha. Sempre acreditei que minha fé e meu sacerdócio me livrariam das tentações mundanas e, no entanto, elas foram justamente minha perdição. Nunca apreciei o senso de humor ácido do destino, mas ele acabou superando todas as minhas expectativas.

Já de volta, padre? — a voz me chega como um sussurro e, ao buscar a origem do som, vejo uma cabeça translúcida emergir de dentro da parede.

Me deixe em paz — digo isso sem muita convicção. Se ele pudesse, ou quisesse ir embora, já o teria feito antes.

Por que tanta tristeza? Será por que você não consegue mais admirar o sol como antes, ou por que a fome não te dá sossego? — Um corpo enevoado vai tomando forma; um braço, tronco, pernas… uma criatura de sonho (ou, no meu caso, pesadelo!) que surge do nada e, sem cerimônia, se senta na minha frente. Atrás dele, através dele, os fundos do armazém ganham uma tonalidade confusa e irreal. Josué, o jovem coroinha que me ajudava com os afazeres da igreja, agora nada mais é que uma forma vazia, um fantasma preso entre o aqui e o lá. Uma alma que não encontrou o caminho para o descanso. E por minha culpa.

Ele me olha novamente, a transparência dos olhos me revirando o estômago mais do que a fome.

Vamos! Pra quê essa cara? Pelo menos, você está em uma situação melhor do que a minha. Pelo menos você não está MORTO — as palavras me atingem como uma navalha. Ao que parece, os mortos não perdem a capacidade de manter a língua afiada. Logo depois que eu fui… enganado, retornei à igreja em busca de um pouco de conforto, e sem conseguir me conter, ataquei Josué, me alimentando de sua essência, de sua alma.

Quando voltei a mim e percebi o que acontecera, entrei em desespero e tentei a todo custo desfazer o que tinha feito, mas já era tarde. Sentia-o dentro de mim, como sentimos a presença do alimento ou da água. Mas, diferente disso, era como se me fizesse mal, me intoxicasse. E num dia, sem aviso, eu o expeli, como fizera com a maçã. Desde então, ele me persegue, atormenta minhas noites sem dias e minhas madrugadas eternas.

Sabe que eu não tive culpa, eu…

Já sei, já sei. — ele me interrompe e, numa atitude que adquiriu recentemente, passa a atravessar os objetos próximos com a mão — Não adianta mais se desculpar, como não adianta eu ficar te xingando de filho de uma puta desgraçado e sem coração que acabou com a minha vida. — Ele solta um risinho de escárnio e continua: — Agora, o que precisamos fazer é resolver a sua fome, porque, sinceramente?, você morto não me serve de nada.

Surpreso, tento entender o que ele quer dizer.

Que foi? Acha que eu gosto de ficar do lado do meu assassino ou que a sua companhia deprimente é a coisa mais emocionante do mundo? Para, vai! Só que, até eu descobrir mais sobre essa minha… nova vida, melhor estar com alguém conhecido, mesmo sendo você, do que sozinho.

Não faz o menor sentido o que ele está dizendo, mas prefiro ficar quieto e não responder. Afinal, sentido é uma palavra que ganhou um significado bem diferente pra mim nos últimos tempos.

Bom — Josué continua tagarelando com se estivéssemos numa mesa de boteco. Não que eu frequentasse mesas de boteco, mas… —Vamos pensar numa solução pra sua, ah… crise de abstinência? — ele sorri e por um segundo, sua aura translúcida assume certo ar da jovialidade de antes, de quando era vivo.

— Não há nada que você ou eu possamos fazer, estou condenado a…

Ah, que é isso! Você agora é um demônio fodão sugador de almas e… — ele para de tagarelar por um minuto e esfrega a região da cabeça (ou onde antes ficava a cabeça), como se pensando, mas pela falta de experiência ou pelo pouco tempo de vida como fantasma, alma penada, ou seja lá em que diabos ele se transformou, a mão acaba por atravessar direto de uma orelha a outra. — É isso! Você agora é um demônio, certo? Se lembra da sensação que disse ter sentido quando se alimentou da minha pobre alminha? — Esboço um aceno pouco convincente e, sem dar margem a que eu possa responder, ele continua: — Vai, tudo bem. Eu já superei isso. Ou quase. Mas, aqui. Você tá esse trapo por que não tá se alimentando direito, certo? E sem essa de maçã ou comida de verdade. Teu negócio agora é outro.

Arregalo os olhos de espanto, quando finalmente compreendo aonde ele quer chegar.

Você não está querendo dizer que eu devo…

Se alimentar de almas. É, é isso mesmo!

Isso já é demais. Como se não bastasse eu ter que aturá-lo, agora ele vem com esse papo de nutricionista do além, jogar na minha cara algo que eu já imaginava ser verdade, mas que poderia muito bem continuar fingindo que não era. Não vou sair por aí comendo almas de homens e mulheres indefesos. Eu já estou fodido o suficiente pra não precisar de mais essa culpa me corroendo.

Você só pode está brincando. Quer que eu faça com outros o que fiz com você?

Josué se aproxima e, mesmo de longe, posso sentir o hálito refrescante que emana dele. Um cheiro suave de café e chocolate e cereja e mais um sem número de sabores me atacam por todo lado, como pequenos tentáculos nervosos que prendem meus sentidos, me fazendo tremer dos pés à cabeça. Josué gostava de chocolate e café e… Não! Tento pensar em corrida de carros, na última missa do domingo, nas conversas dos fiéis na porta da igreja… procurando ocupar meus pensamentos com qualquer coisa que não seja aquela sensação inebriante, enquanto a fome aumenta até quase me deixar louco, ou eu já estou louco e não sei.

Ué, por que não? — sua voz me arrasta de volta ao galpão — Ah, sem essa de fantasma com consciência ou demônio com crise de bondade. Agora, eu sou uma alma penada e você, um demônio. Fazer o quê, é a vida — ou a morte, sei lá. E, cá entre nós, você não tem muita escolha: ou se alimenta ou morre. Posso aproveitar as vantagens da minha não-vida e ir atrás de umas boas almas pra… não? Tá bem, mas depois não diga que eu não avisei.

Passo o que resta do dia encolhido no chão, rezando para que Josué encontre outro para torturar com sua tagarelice. Se toda alma for como ele, São Pedro deve estar num stress dos diabos. Giro o corpo, tentando encontrar uma posição mais cômoda; minha pele queima por dentro e os olhos mais parecem duas brasas prontas a saírem das órbitas.

Relances da memória de Josué ainda surgem na minha mente, especialmente quando eu baixo a guarda ou tento dormir. Pensei que, depois de tê-lo vomitado, elas sumiriam, mas algumas ainda continuam aqui, misturadas às minhas, teimando em não desaparecer.

Adormeço por coisa de uma hora e quando acordo, a primeira coisa que vejo é Josué, um sorriso que não consigo identificar estampado na cara.

Pela fresta da janela noto que a noite já chegou e, tentando espairecer e driblar a fome que voltou com tudo, resolvo sair galpão e caminhar um pouco. Retiro a tábua que esconde o buraco da entrada e saio para a ruela escura. Uma lufada de vento morno me atinge, mas em vez de aliviar minha agonia só faz aumentar o incômodo. Balanço perigosamente — enquanto a imagem da última folha de outono que vi em um desenho na TV me vem à mente, caindo, caindo… — e tenho que me apoiar no muro para não cair.

Tu tá bem? Precisa de ajuda? — A voz surge de repente atrás de mim, e quando me viro para ver quem é, uma mão feita de dedos de metal me atinge em cheio, jogando meu corpo fraco violentamente contra o muro. Sinto o maxilar se deslocar e um gosto ácido inundar minha boca. Giro o corpo molemente, apenas a tempo de ver uma sombra gigantesca cair sobre mim e dois braços semelhantes a guindastes me erguerem no ar.

Onde é que tá? Vamo, me diz onde é que tu escondeu a grana?

Ainda aturdido pela pancada, sequer consigo raciocinar sobre o que o desgraçado está falando.

Não tenho… grana nenhuma — Consigo balbuciar, sujando a camisa do sujeito com meu sangue — Você pegou o cara errad…

Outro golpe certeiro me faz calar a boca, rapidinho. Caio de novo e, dessa vez, permaneço sentado, a cabeça latejando por causa da pancada na parede. Percebo que a sombra fala sem parar e gesticula o tempo todo, mas a única coisa que ouço é um zumbido renitente.

Um brilho opaco surge sobre o ombro esquerdo do meu agressor. Tento focar o olhar e de imediato reconheço os contornos semitransparentes de Josué. Ele me olha sério, como se me dizendo o que devo fazer, o que preciso fazer.

Continuo imóvel, esperando que a sombra gigante tome a iniciativa de me espancar novamente, coisa que não demora muito a acontecer. Ele me sujeita pelas dobras da camisa e me ergue como se eu fosse feito de papelão, me puxando para bem perto de sua cara feia. E recomeça a ladainha ininteligível:

Ou tu me diz aonde tá a grana ou o Deco aqui vai te dá uma lição das boa!

Sem pensar muito no que fazer — ou se devo realmente fazer — cravo as unhas em ambas as orelhas e puxo sua cabeça de encontro à minha. A dor, ou talvez a surpresa pelo que acabo de fazer, o faz parar de repente, os olhos abertos como dois enormes pratos. E isso me dá um ânimo novo.

Aproximo minha boca da sua e aspiro com toda a força que ainda tenho. A primeira onda me atinge como uma lufada de ar revigorante, provocando novamente a mesma sensação de euforia que senti quando me alimentei da alma de Josué. Em pânico, ele tenta se desvencilhar, mas enlaço sua cabeça com ambos os braços e sugo com mais força; o tal Deco balança perigosamente de um lado para outro, desabando sobre um amontoado de caixas de madeira apodrecida. Sinto as energias do grandalhão percorrerem meu corpo, cada fibra de sua força alimentando a vida em mim, saciando minha fome, me curando. Já refeito, me aproximo do corpo inerte e sugo o restinho de alma que ainda sobrou nele.

Deco ainda me lança um último olhar, breve e apavorado, antes de a cabeça tombar para o lado. Ofegante, me sento junto ao corpo e passo a mão sobre meu rosto. Só então, percebo a presença deles: duas pequenas protuberâncias no alto da testa.

Josué surge do nada e olha sério, primeiro para mim, depois para o grandalhão estirado ao meu lado, e desaparece galpão adentro.

Refeito da fome e com a cabeça desanuviada, puxo o corpo e o deixo na esquina da viela, ainda surpreso com minha recém-adquirida força e com a leveza do Deco. Olho mais uma vez para ele, não sem certa pena — não dele, mas de mim — e tento imaginar o que a polícia vai pensar quando o encontrar na manhã seguinte. Posso até estar errado, mas algo me diz que um corpo a mais nesta cidade de monstros e loucos não vai fazer muita diferença. Mas quem sabe assim ele possa ter, pelo menos, um enterro decente. Não que a essa altura do jogo isso acrescente algo à minha consciência.

Antes de voltar ao galpão, pego a carteira e um molho de chaves do bolso do meu velho amigo Deco, enquanto suas lembranças me fazer recordar de um desconhecido apartamento localizado numa rua não muito longe daqui. Tento procurar algum resquício de culpa no gesto, mas pra quem acabou de consumir sua alma, passar uma temporada em seu apartamento não é nem de longe a pior coisa que eu poderia fazer a ele.

Passo em frente à entrada do galpão, mas não entro. Já tive a minha conta de dias ruins ali. Sigo pela ruela até a avenida mais próxima, um enorme canal aberto repleto de luzes e carros e gentes situada a menos de incríveis cinquenta metros de onde estou. Idiossincrasias de uma grande metrópole. Me misturo aos demais anônimos e começo a procurar pelo endereço do apartamento — ainda não consigo dominar completamente as recordações de Deco — até encontrá-lo nas imediações de um parque semiabandonado. O prédio, velho e decadente como a maioria das construções da região, até que tenta manter o charme de antes, mas não tem lá muito sucesso na empreitada. Dou a volta pela rua lateral e entro pela janela dos fundos, para não levantar suspeitas. Não que aquela espelunca cheia de drogaditos e prostitutas de cinco reais tivesse o melhor sistema de controle de hóspedes do mundo, mas sujo como eu estava e, ainda por cima, com chaves e documentos que não eram meus, melhor não arriscar.

O apartamento é o exemplo mais eficiente que se pode ter da decadência humana e os poucos moveis que o decoram, um sofá-cama com a madeira aparente, uma mesinha baixa e duas cadeiras, estão velhos e quebrados. Na cozinha, a velha geladeira vermelha, uma relíquia, por um instante me leva de volta aos doces tempos de Dona Cezinha, a minha avó postiça. O que ela diria se me visse agora? Um demônio ladrão de almas e invasor de apartamentos decrépitos.

Desabo no sofá e fico contemplando o vazio. Tinha acabado de dar o último passo rumo ao abismo, matado o último resquício daquilo que um dia fora o padre Jesus de Souza. Agora, me resta apenas um… um o quê mesmo? Afinal de contas, me sobrou algo?

O neon avermelhado de um hotel de quinta desvia minha atenção e, ao me virar, noto Josué sentado no batente da janela. Como me achou aqui? Será que ele e o Deco eram conhecidos? Ou será que ele…

Sua forma diáfana flutua até o sofá e se senta ao meu lado. Então, ele já aprendera alguns truques!

Precisamos de uma TV — é tudo quanto diz.

Não respondo. Na verdade, não sei o que dizer e nem estou com o menor saco pra diálogos. Apenas viro para o lado e tento descansar, já que dormir mesmo eu sei que não vou conseguir por um bom tempo.

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3 Respostas para “Semana Especial do Halloween: Rogai por Vós de Rober Pinheiro”

  1. Becky disse:

    outubro 29th, 2010 às 1:46

    Oi gnt,

    Não tem a ver com o post, mas eu adorei a logo do blog, especial pro Halloween! Fiquei dando F5 para poder ver todos! ^^

    Amo o blog, venho sempre que posso! *——*

    Beijos,
    Becky

  2. Luis disse:

    outubro 29th, 2010 às 16:36

    Brou, que máximo esse conto! Muito bom mesmo, como todos os outros. ^^

  3. FABIANO disse:

    outubro 29th, 2010 às 21:26

    Uhuhuhuhuhuuuuu… Bom demais esse conto! Só tem um problema, espero não ter que esperar ano que vem para ver uma bela continuação. Parabéns Rober Pinheiro… Parabéns SobreLivros, vocês estão dando um show nesse Halloween!

    LEIAMOS!

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