Resenha: Silo – Hugh Howey

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“Holston ainda não entendia como funcionava o processo de recuperação, ou como alguém inteligente o bastante para descobrir aquilo tudo podia ser burra o suficiente para amá-lo, mas ele aceitava as duas coisas sem questionar.”

Olá leitores do Sobre Livros! Quando a Helô da Intrínseca começou a falar sobre Silo, eu sabia. Sabia que ia ficar doida pela leitura, mesmo antes da sua publicação. E isso se deve tanto pela história proposta, quanto pela aptidão inquestionável da Helô de nos fazer comprar suas ideias. Assim que tive acesso ao livro estava comprovado: vale a pena confiar na palavra da Helô. Valeu cada segundo que passei subindo as escadas do Silo.

Eu AMO distopias. Tudo nelas me envolve. Esse gênero que nos obriga a imaginar e questionar nosso possível futuro. Distopias são muito mais que uma ficção. Com elas podemos examinar nossa própria sociedade.

Silo é o primeiro livro da The Wool Trilogy, que foi auto publicado em e-book e alcançando níveis surpreendentes de vendas online chamou atenção das editoras. Mas o autor norte-americano vendeu apenas os direitos do livro impresso para a Simon & Schuster. Os direitos cinematográficos já foram adquiridos pelo diretor Ridley Scott.

“Expressar qualquer desejo de sair. É. A maior de todas as transgressões. Você não vê por quê? Por que isso é tão proibido? É porque todas as revoltas começaram com esse desejo, é por isso.”

Silo apresenta um ambiente pós-apocalíptico, onde o mundo é dominado por toxinas e nada sobrevive. O meio ambiente que conhecemos foi aniquilado, restando apenas poeira e vento. E para sobreviver, a humanidade vive em um Silo. O Silo é um prédio subterrâneo, com 144 níveis. Cada nível é responsável por produzir algo: há níveis para o cultivo de alimentos, mecânica, produção de energia, produção de bens duráveis, refeitórios, distribuição de suprimentos, etc…

Cada pessoa sabe seu lugar e aprende a desempenhar seu papel, tão necessário na sobrevivência de todo o Silo, sendo a sombra de algum profissional. Ser sombra significa seguir esse profissional que você deseja se tornar – se ele te aceitar e a administração do Silo permitir – e aprender tudo sobre aquela profissão. Esse aprendizado é essencial para a vida no Silo e todos tem consciência disso.

Fora essas profissões mais elementares, temos também as profissões administrativas. Exemplo de uma é o cargo de Xerife, que é uma pessoa escolhida pelo Prefeito para executar a lei. A lei é bem clara, estando descrita no Pacto. As mais importantes são aquelas que tratam sobre a pior transgressão, o desejo de sair do Silo. Mas não se enganem… Questionar e comentar sobre o que há no mundo fora do Silo também é uma transgressão forte. E TUDO é punido. E a pior punição é ser enviado para a limpeza.

A limpeza acontece quando um transgressor é enviado para fora do Silo para que limpe as câmeras que enviam imagens do exterior para dentro do Silo. Por mais inóspito que seja o exterior, as pessoas dentro do Silo aguardam ansiosas a próxima limpeza para ter imagens claras de como estão as coisas do lado de fora. O enigma está em porque as pessoas condenadas a limpeza, condenadas à morte, fazem a limpeza. Depois que saíram do Silo não há mais nada que as autoridades possam fazer para obriga-las a limpar as câmeras, mas até hoje ninguém deixou de limpá-las.

Há três anos atrás, Allison pediu para sair do Silo. E em decorrência dessa transgressão ela foi presa e enviada para a limpeza. Seu marido era o Xerife Holston, que ficou dilacerado com a saída de sua mulher. O tempo passa, e o Xerife então decide que está na hora de sair e compreender o desejo de sua esposa em estar no mundo exterior.

Dizer que este é um livro alucinante é pouco… Fiquei vigiando meus dedos no teclado para não deixar que nenhum spoiler escapasse, e acreditem, não falei um ínfimo da primeira parte do livro. Essa é uma daquelas histórias encorpadas, em que o autor tem autonomia para nos surpreender a cada virada de página devido a uma história bem delineada.

A narrativa é sombria, fluída e marcante, e nos embala mesmo quando fechamos o livro. Os personagens nos acompanham nos fazendo estremecer com suas histórias. Todos extremamente bem formatados. E fica um aviso: segurem seus corações, afinal o autor não tem receio de dar fim a eles.

O livro tem uma divisão interessante, essencial para o desenrolar da história. Escrito em terceira pessoa, podemos acompanhar o que acontece em vários ângulos. O tamanho dos capítulos são adequados para uma leitura intensa e rápida.

Confesso que encontrei mais erros de revisão que normalmente a Intrínseca deixa passar. Mas nada que comprometa a leitura, foram erros simples de digitação. A capa é belíssima, o tamanho das letras confortável. Suas 501 páginas passaram em um átimo pelos meus olhos.

Indico a leitura com fervor. É sério, é uma intimação: LEIAM. Para os amantes do gênero é um prato cheio. Tem de tudo um pouco: mistério, investigação, romance, intrigas, jogo político, ficção científica, golpe, traição, mentiras… E como foi dito na capa… verdades também podem ser fatais. Boa leitura!

 

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Laila Ribeiro é mestra em Escrita Criativa pela PUCRS; pós-graduada em Gestão Empresarial, em Gestão Pública e MBA em Gestão de Recursos Humanos; graduada em História pela PUC Minas (2014) e em Administração Geral e Agroindustrial pela Universidade Presidente Antônio Carlos (2007). Atualmente, é membro da equipe do site literário Sobre Livros (www.sobrelivros.com.br), e mantém o canal literário https://www.youtube.com/c/ribeirolaila. Participou de antologias de contos (Insanas - Elas Matam!, Onisciente Contemporâneo, Translações Singulares e Não Culpe o Narrador) e, em 2016, foi monitora da Oficina de Criação Literária do professor e escritor Luiz Antonio de Assis Brasil.

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