Resenha: Quinze dias – Vitor Martins

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O mundo inteiro é seu”

Oi leitores do Sobre Livros! As aulas voltaram há pouco e eu aqui ainda pensando nas férias que Felipe teve e os “Quinze Dias” que passou convivendo com seu vizinho, Caio.

Quinze Dias, do autor nacional Vitor Martins, lançado em maio de 2017 pela Globo Alt, começa com o fim das aulas e início das férias de julho. Felipe é um garoto gordo (nos dizeres dele próprio: nem fofinho, nem cheinho, gordo mesmo) que vive com sua mãe, artista plástica, em um apartamento pequeno, sofre bullying na escola de seus colegas que contam com um acervo imenso de apelidos (nem sempre criativos) para chamarem Felipe e, basicamente, não tem nenhum amigo.

Mas ele está aliviado. Seu último dia de aula termina e ele finalmente vai poder passar as férias de julho trancado no quarto assistindo filmes, séries e vídeos que tanto adora no YouTube. Só que não. Ao chegar em casa, sua mãe anuncia que a vizinha do nº 57 vai viajar com o marido e, não confiando que o filho adolescente fique sozinho em casa, pediram que Dona Rita, mãe de Felipe, tome conta do garoto.

Ocorre que o filho da vizinha não é um garoto qualquer. É o Caio, o garoto por quem Felipe tem uma quedinha desde a infância, desde que ser gordo ainda era fofo, desde quando não havia vergonha em nadar na piscina do prédio sem camiseta, desde que Caio aceitou brincar de “sereia” na piscina sem rir da cara de Felipe.

E assim, começam os longos quinze dias que Caio passará como hóspede na casa de Felipe.

Esse é o livro de estreia do autor e não poderia ter começado melhor. Em um momento em que os livros sobre diversas formas de preconceito só vem crescendo nas editoras e livrarias de todo o país, Quinze Dias é um livro que merece destaque pela forma como trata o bullying, o homossexualismo, a amizade, a família.

Muito embora Felipe seja gay, o foco maior dos problemas que o personagem passa ao longo do livro está voltado para como ele lida com o excesso de peso e o bullying.

Há ainda a Beca, melhor amiga do Caio, que é um prato cheio para o bullying. (Vou deixar os motivos para vocês descobrirem quando lerem).

Vitor conseguiu nos passar tudo de forma leve, apesar dos momentos em que sofremos junto com Felipe pelas situações difíceis, constrangedoras. Ri muito, ri alto, ri de alegria. Chorei, porque é isso que a gente faz quando um livro nos toca de uma forma irreversível. Me identifiquei em diversas partes, e por muitas vezes me peguei pensando que talvez tenha sido o livro em que mais vezes parei e disse (talvez eu converse com meus livros): “Eu também acho!” “ Eu também faço isso!” “ Eu sei bem como é isso”.

Destaque super especial para Rita, mãe do Felipe, super querida!

Gosto muito de livros que tratam de obesidade, preconceito racial, homossexualidade, suicídio, acho que são temas todos deveriam ler sobre e que merecem ser destacados, discutidos e repensados.

Então não posso deixar de indicar outros livritchos relacionados e que amei: Juntando os pedaços, Simon vs. a agenda homo sapiens, Will e Will, Meu coração e outros buracos negros.

Indico Quinze dias pra todo mundo, independente da idade. Há livros nesse mundo que não podem passar sem serem lidos. Este é um deles. Leiam!!!!

2 COMENTÁRIOS

  1. ESSE LIVRO É MARAVILHOSO! Todo mundo devia dar uma chance pra história do Felipe que, além de ser muito relevante é engraçadíssima. Ótima resenha, só uma correçãozinha, no meio do texto é citado o termo ‘homossexualismo’ e esse termo não está mais em uso por designar condição médica (doença), o termo correto agora é o que fui usado posteriormente no texto (‘homossexualidade’). Tenho CERTEZA que não foi intenção de quem escreveu o texto, mas não podia deixar de mencionar. Parabéns pela resenha, e que venham mais livros do Vitor Martins! <3

    • Oi Pedro!!! Agradeço o elogio! Obrigada pela correção, estava desatenta quanto à terminologia correta! Vlw a dica!! E que venham mtos mais livros!

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