Resenha: Pela Noite Eterna – Veronica Rossi

Segundo volume da Trilogia Never Sky

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Olá leitores do Sobre Livros! Surtei quando li o primeiro volume da trilogia Never Sky e até hoje importuno meus amigos brigando para que leiam a história incrível da Ária e do Peregrine. E foi com muita pena que reconheci que o segundo volume, “Pela noite eterna”, não atendeu as expectativas. Mas deixe-me explicar o motivo…

A trilogia Never Sky é escrita pela autora brasileira Veronica Rossi, e você pode ler a resenha – totalmente fora do controle de tão empolgada – de Sob o Céu do Nunca aqui. O terceiro volume, Into the Still Blue, já foi publicado no exterior e também mais duas novelas – entenda as diferenças entre conto, novela e romance no vídeo da coluna Crítica e Criação Literária amanhã – que mostram a história do Roar e Liv, e da Brooke. Ainda não temos a previsão de lançamento em terras tupiniquins.

Pela Noite Eterna começa logo depois que termina a história de Sob o Céu do Nunca. Isso é bom, pois dá uma continuidade interessante ao enredo, mas pode ser um risco se o autor não desenvolveu uma história consistente.

Never Sky apresenta um futuro pós-apocalíptico, em que os humanos sobrevivem de duas “maneiras”. Conhecemos primeiro os humanos que vivem nos núcleos, isso é, prédios subterrâneos que provém todas as necessidades de seus habitantes. É inconcebível que seus moradores saiam para o lado de fora do núcleo, pois o exterior tem um ambiente muito hostil.

Para sobreviver aprisionado nesses prédios, foi desenvolvida um artefato biotecnológico, em que uma espécie de vidro é colocado sobre o olho esquerdo e seu usuário se conecta aos “reinos”. Os reinos são uma espécie de realidade virtual, em que seus usuários podem viver diversas realidades sem qualquer risco a saúde. Fisicamente estão presos em um prédio, mas a mente pode vivenciar inúmeras sensações através do “olho mágico”.

No outro extremo temos os humanos que vivem do lado de fora, na natureza selvagem. Grupamentos de pessoas formam diversas tribos que tentam sobreviver em um mundo bem diferente do que conhecemos, afinal, todos os seres humanos precisam lidar com um inimigo em comum, o éter.

No céu do nosso futuro formam-se nuvens carregadas de éter, que disparam uma espécie de raio que pulveriza o que estiver em baixo. O éter aniquila a vida por completo, matando plantações e a vida selvagem, levando a fome a todos.

Pela Noite Eterna - Veronica Rossi

ATENÇÃO: a partir daqui, spoiler do primeiro volume.

No primeiro volume, conhecemos a moradora de um dos núcleos, Ária. Essa garota amadurece absurdamente, afinal perde sua mãe e é retirada de seu ambiente seguro para enfrentar as intempéries do mundo. Nesse processo, ela conhece o selvagem Perry, que a ajuda a conhecer e dominar essa nova realidade.

Todos torcemos muito para o final feliz desse casal, e a primeira cena de “Pela noite eterna” consegue acalmar os corações dilacerados com a separação no final de “Sob o céu do nunca”. Mas lembrem-se que Perry assumiu a liderança da tribo dos Marés, então namorar uma tatu não será fácil…

A narrativa em terceira pessoa da Veronica Rossi é perfeita. A autora escolheu as técnicas empregadas muito bem, pois usando o nível de imersão profunda possibilitou a total empatia com os personagens. Cada capítulo é narrado por um focalizador, alternando entre a Ária e o Perry, então entendemos as motivações, medos e esperanças de cada um, torcendo fervorosamente por um final feliz para os dois.

O que pecou nesse livro, no meu ponto de vista, foi a agilidade dos episódios. No primeiro livro somos bombardeados com os acontecimentos, o ritmo frenético nos deixa completamente arrebatados. Já nesse segundo volume, os episódios são mais espaçados, a autora descreveu cada acontecimento a exaustão, então a impressão que passa é que esse livro enrola um pouco o leitor.

Aguardo o terceiro volume e as duas novelas, mas sem tanta agitação. Continuo apaixonada pela história e seus personagens, mas perdi um pouco da empolgação, senti-me um tanto frustrada.

De qualquer maneira, essa história merece ser conhecida pelo maior número possível de leitores. Mesmo “Pela noite eterna” tendo enrolado um pouco, vale muito a leitura! É maravilhoso conhecer esse mundo desolado e seus personagens incríveis. Boa leitura!

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