Resenha: O Nome do Vento – Patrick Rothfuss

Primeiro volume da série Crônica do Matador do Rei

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“Depois que descobri o que estava me incomodando, a maior parte do meu mal-estar desapareceu. O medo costuma porvir da ignorância. Uma vez que eu soube qual era o problema, ele se tornou apenas um problema, nada a temer.”

Olá leitores do Sobre Livros! Patrick Rothfuss é um autor que impele seus leitores ao amor e a raiva na mesma proporção. O amor a série Crônica do Matador do Rei é incontestável, nunca vi alguém que tenha lido e não amado. E raiva devido a demora em publicar suas sequencias, mas isso o autor mesmo nos avisa em sua dedicatória ao pai: “E para meu pai, que me ensinou que se eu pretendia fazer alguma coisa devia ir com calma e fazê-la direito”. Pois bem, todos foram avisados. A série pode até demorar em suas publicações, mas – meu Deus! – vale a pena!

A Crônica do Matador do Rei tem dois volumes publicados – O Nome do Vento e O Temor do Sábio. Também foi publicado um volume 2.5, que não acrescenta a história propriamente dita, se fixando em um personagem inusitado. Mas novamente o autor nos avisa na sinopse de A Música do Silêncio: “se você quer continuar a aventura do Kvothe, esse livro não é para você.” Nesse aspecto eu gosto muito desse autor que mora em Wisconsin, onde leciona em uma universidade local, ele é sincero e não ilude seus leitores.

O Nome do Vento é uma fantasia épica, que abre-se mostrando a rotina da Pousada Marco do Percurso. A pousada é pouco movimentada, mas o ponto alto está no hospedeiro, o senhor ruivo e forasteiro, que tem um ajudante apaixonante.

Já no começo somos apresentados a fragmentos da historio do Chamdriano, um ser maligno que ninguém sabe definir ao certo. Todos tem pavor e sabem da capacidade terrível dessa entidade, mas pouco se sabe de concreto. E essa história irá nos acompanhar do início ao fim da narrativa.

O Nome do Vento - Patrick Rothfuss

Enquanto os fregueses comem, bebem e contam histórias, Carter chega desvairado a pousada. Ele foi atacado na estrada e está todo machucado, mas seus cortes são mínimos comparados aos ferimentos de sua égua morta. Ninguém sabe o que o atacou, mas o hospedeiro sabe e tomará as medidas cabíveis.

Na estrada, conhecemos um Cronista. Ele é assaltado por um bando que lhe rouba quase tudo. Mas precavido, o Cronista escondeu de maneira astuta algumas de suas moedas. Precisará andar a pé para o destino que galga ansioso, mas poderia ser pior… bem pior.

Já anoitecendo e não encontrando algum bom samaritano que vendesse um cavalo para que vencesse o percurso com mais agilidade, o Cronista busca um abrigo e comida. Ele vê uma fogueira na lateral da estrada e se encaminha para lá, com o objetivo de pedir ajuda.

O que ele encontra difere e muito do que havia imaginado e já dava alguns passos para se afastar, quando o ruivo avisa: é melhor ficar perto da fogueira, o que vamos enfrentar agora poderá matá-lo facilmente, e pelo pavor ele cai e acaba desmaiando e não presencia as ações de Kote.

Mas esse encontro delineado pelo destino trará para nós, leitores, páginas e mais páginas de uma aventura alucinante e cheia de mistérios! Com direito a romance, ação e poesia. Cada linha escrita por Patrick Rothfuss é um brinde a poesia, que nos arrebata com sua inteligência e engenhosidade.

“Há três coisas que todo homem sensato deve temer: o mar durante a borrasca, as noites sem lua e a ira de um homem gentil.”

O livro tem 650 páginas com letras miúdas, mas não se assuste com isso. A narrativa é tão deleitável que não percebemos as páginas sendo viradas. Queremos compreender mais e mais dessa aventura, que é recheada de personagens críveis e irresistíveis.

Nessa história, não tem espaço para leitores facilmente abaláveis… A história é intensa, o personagem principal sofre amarguras intermináveis, mas a forma como ele supera ou não os reveses é que nos apreende e nos faz torcer loucamente pelo seu sucesso.

“Há dois modos certeiros de perder um amigo: um é pedir empréstimos, outro é concedê-los.”

A história foi muito bem planejada e desenvolvida e aguardo uma sequencia ainda mais impactante. A evolução é aprazível, as perguntas são respondidas e a ansiedade para ler o próximo volume se dá pelo apego ao personagem principal. Queremos saber o que vai acontecer com ele e se ele vai conquistar seu objetivo, e acredito que é por isso que A Música do Silêncio esteja sendo tão frustrante. O protagonista é tão interessante que sublima o brilho de qualquer outro.

Indico a leitura para aqueles que amam fantasias épicas. Para aqueles que gostam de acompanhar a história de um personagem pelas suas inúmeras aventuras. Boa leitura!

“Chame um plebeu de plebeu, diga pão, pão, queijo, queijo; mas sempre chame uma prostituta de senhora. A vida delas já é difícil o bastante, e ser educado nunca fez mal a ninguém.”

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