Resenha: Léxico – Max Barry

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Olá leitores do Sobre Livros! Recebi o diagnóstico de bookaholic há alguns anos – hahahaha – e compreendo que minha paixão pelas palavras atordoam os não viciados, mas devo acrescentar que nesse ano de 2015 o vício aumentou exponencialmente, afinal as aulas do mestrado me apresentaram teorias e aplicações das mais variadas, fazendo com que eu me sinta ainda mais deslumbrada com a nossa língua.

Partindo disso, não era de se impressionar meu impulso curioso quando a Intrínseca lançou o livro intitulado Léxico, mas ao ler a sinopse e perceber que se tratava de uma ficção científica – ai meu Deus – foi impossível não implorar por um exemplar.

Léxico foi escrito pela autor australiano Max Barry, que já teve seu livro Homem-máquina também publicado pela editora Intrínseca. Para a alegria dos enfarados de séries, Léxico é livro único – uma pena, devo acrescentar. Seria interessante usar o universo criado, mas com novos personagens.

A ação do livro já começa a nos arrebatar o coração na primeira cena, que faz o leitor vivenciar um rapto. Nosso protagonista, Wil Parke, é raptado em um aeroporto, e o mais bizarro é que a segurança não nota a ação criminosa.

Os sequestradores não demonstram qualquer piedade, são violentos e matam qualquer pessoa que tente impedir o sequestro. A namorada de Wil tenta intervir, mas os criminosos estão extremamente determinados.

Em outro ponto da história, conhecemos Emily Ruff. Emily vive nas ruas, e para sobreviver usa truques com cartas para conseguir algum dinheiro. Passa todo tipo de degradações nas ruas, até que é abordado por um cara arrogante e com uma proposta estranha. Emily deveria responder algumas perguntas e dependendo das respostas ela poderia estudar em uma academia diferente da escola normal. Ela teria uma casa, comida e a oportunidade de dominar uma técnica capaz de realizar todos os seus desejos.

As histórias de Wil e Emily são contadas em paralelo, cada capítulo focado em um. No início da narrativa já entendemos que Wil mais que sobreviver ao rapto, precisa resgatar sua memória perdida para impedir que mais inocentes sejam assassinados.

Emily é uma personagem que nos desafia a empatia, além de muito inteligente, ela é ambiciosa e maliciosa, provocando uma torcida desconfiada pelo seu sucesso. Não sabemos se o certo é torcer por ela, afinal suas motivações não são as mais honrosas… Não espere personagens fofos e carismáticos, em Léxico somos desafiados a entender que cada pessoa tem suas qualidades e defeitos.

Léxico nos oferece uma trama interessantíssima, com ação do início ao fim. Adorei a forma como autor propõe uma discussão bacana sobre a função da língua falada e escrita. Max Barry foi brilhante ao explorar um elemento presente no nosso cotidiano de forma fantástica, assim o pacto ficcional entre o leitor e a obra é mais consistente e vívido.

A edição da editora Intrínseca está sublime – como sempre, né? – Diagramação confortável e revisão satisfatória. A capa é simples, mas traz os elementos do livro. Fico tentada a sugerir que outra capa chamaria mais atenção, conquistaria mais o público de ficção científica e fantasia, mas como não consegui imaginar nada melhor, pergunto a vocês: o que vocês acharam?

Eu amei a leitura de Léxico e indico para todos aqueles que gostam de poderes fantásticos, organizações secretas e narrativas de tirar o fôlego. Mas devo acrescentar que o final poderia ter sido melhor, e acho graça dessa afirmação. Isso porque o autor sacrificou um final grandioso por um mais… romântico. E a graça disso está no fato dessa resenhista ser uma romântica boboca e essa conclusão é quase um tiro no pé…

… Mas leiam. É muito difícil resenhar Léxico sem soltar spoilers, pois o phodástico do livro está em suas revelações graduais. Boa leitura!

Seu coração irá se despedaçar algumas vezes, viu? – é sempre bom avisar.

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Laila Ribeiro é mestra em Escrita Criativa pela PUCRS; pós-graduada em Gestão Empresarial, em Gestão Pública e MBA em Gestão de Recursos Humanos; graduada em História pela PUC Minas (2014) e em Administração Geral e Agroindustrial pela Universidade Presidente Antônio Carlos (2007). Atualmente, é membro da equipe do site literário Sobre Livros (www.sobrelivros.com.br), e mantém o canal literário https://www.youtube.com/c/ribeirolaila. Participou de antologias de contos (Insanas - Elas Matam!, Onisciente Contemporâneo, Translações Singulares e Não Culpe o Narrador) e, em 2016, foi monitora da Oficina de Criação Literária do professor e escritor Luiz Antonio de Assis Brasil.

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