Resenha: Legend – Marie Lu

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“Se você quiser se rebelar contra o sistema, faça-o de dentro dele. Isso é muito mais forte do que se rebelar estando fora do sistema. E se você escolher se revoltar, leve-me com você.”

Olá leitores do Sobre Livros! Sabe quando você lê um livro que já estava há muito tempo na sua estante e você pensa: porque raios eu demorei tanto? Pois é… Foi o que eu pensei quando terminei de ler Legend.

Confesso que quase não vi nenhum burburinho sobre este livro. Parece-me que ele passou um tanto despercebido pelos leitores brasileiros, mas acredito que assim que as primeiras notícias de sua adaptação começarem a pipocar a situação mude, afinal esse livro é digno de toda empolgação!

Legend é escrito pela Marie Lu, que se inspirou na história de Os Miseráveis para escrever a série. Atualmente ela mora em Los Angeles nos Estados Unidos.

O que para mim tornou Legend uma leitura incrível foi à forma como ele foi escrito. Em primeira pessoa, o livro é narrado por dois personagens centrais, alternando entre eles os capítulos. Uma aventura de tirar o fôlego, nos deixa com o coração acelerado e esfomeado para compreender melhor esse universo tão bem delineado e formatado.

Legend é uma distopia, apresenta o território hoje conhecido como América do Norte em um estado desolador e permeado por guerras. Guerras estas travadas entre a República contra as colônias. O cenário é sombrio, pragas infectam a população que é frequentemente colocada em quarentena. A sociedade vive o drama de uma hierarquia social cretina, a divisão de renda é totalmente injusta.

Como se a realidade já não fosse ruim o suficiente, todas as crianças quando completam dez anos precisam passar por uma avaliação completa. Através desta, as crianças são avaliadas de acordo com seu rendimento físico e mental, e pelos resultados é determinado todo o futuro desta criança. E é claro que o estrato social no qual ela saiu também é levado em consideração.

E já no começo do livro – e aqui já afirmo meu completo encantamento, o elegendo assim meu personagem predileto – somos apresentados ao criminoso mais procurado da República: Day. Day é um garoto de 15 anos, mas a República não sabe nada sobre a aparência dele, tendo conhecimento apenas de suas façanhas que envolvem habilidades físicas, muita inteligência e uma vontade danada de frear as ações da República.

A outra personagem central é espoleta June – que é incrível, mas ainda assim prefiro o Day – um prodígio. Aos quinze anos já está quase se formando na escola militar que preparam os jovens destaques para comandar os exércitos da República contra a colônia. June é criada desde muito pequena pelo seu irmão – maravilhoso e merecedor eterno de minhas lágrimas – Metias, que é um respeitado capitão a serviço da Comandante Jameson.

Os mundos completamente adversos destes dois personagens centrais estão prestes a colidir. E acreditem quando afirmo que essa colisão não será nada agradável para nenhum dos dois. Mas é aí que reside minha verdadeira admiração pelo livro: com uma narrativa fluída e desembaraçada, somos bombardeados intensamente com revelações e reviravoltas.

A evolução dos personagens é palpável e a história contada é digna de reverência. Mal posso esperar pelo segundo volume Prodigy, e pelo filme.

A edição do livro está perfeita. E olha que eu vivo reclamando da péssima qualidade dos livros da Rocco. Legend tem todas as páginas decoradas, que nos ajudam a entrar no clima sombrio do livro.

Indico para os leitores que andam se contaminando pelo viral das distopias. Principalmente para aqueles que têm estômago forte, já que esta autora não tem qualquer receio de quebrar nossos corações. Peguei-me chorando diversas vezes pela intensidade dos sentimentos invocados durante a leitura. Boa leitura!

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