
Eu tenho sudorese.
E aí, gente? Como vão? A resenha de hoje é a respeito de “Fome”, do estadunidense Michael Grant. Trata-se de um lançamento da editora Galera Record, e é o segundo volume — de seis — da série “Gone”, iniciada pelo livro homônimo.
Agora podemos ter a certeza de que essa série realmente veio para ficar. A excelente relação entre história e escrita com que nos deparamos no primeiro livro é mantida, se não até superada!
Se eu tivesse que resumir o enredo deste volume, diria que todos os acontecimentos descritos relacionam-se, de uma forma ou de outra, ou à luta pela obtenção de comida para os habitantes do LGAR, ou à Escuridão.
Os conflitos já existentes se intensificam e, para ajudar, novos aparecem. É LGAR contra Academia Coates, Sam contra Caine, a necessidade contra o comodismo, a Escuridão contra basicamente… todos, e, principalmente, os normais contra as aberrações. Pois é. O que antes tratava-se apenas de indiferença, agora toma novas proporções. Os mutantes tornam-se alvo da ira descontrolada e descabida vinda por parte dos ditos “normais”, colocando aliados em lados opostos, fragilizando ainda mais as já frágeis defesas do LGAR.
Fome é um livro muito… tenso. Intenso. É irresistivelmente assustador. Conta com muitas cenas fortes, de dar uma embrulhada no estômago mesmo! Sangue. Bile… Tem pra tudo quanto é gosto!
O trabalho editorial também é digno de nota! Tradução redondinha, nenhuma gíria do tempo do Chacrinha, e uma capa que deixa as estrangeiras com a cara na poeira. Há algumas brexinhas na revisão aqui e acolá por se tratar da primeira edição, é claro, mas nada de mais. Minha única queixa mesmo vai para a demora em lançar o livro. Para não mencionar os fins tensíssimos, que nos deixam tremendamente apreensivos pelas continuações, os textos de Michael Grant são um tanto quanto… extensos. “Gone” tinha muita informação, muita mesmo. Muitas coisas a serem lembradas… todas esquecidas. Tendo lido seu antecessor há mais de um ano, quando peguei “Fome”, as primeiras páginas só serviram para me mostrar o quanto precocemente esclerosado estou. Não me lembrava de nada. Nadinha. Personagens, cenários… “QUEM DIABOS É EDÍLIO?!?!??!?!”. Com o tempo a coisa fluiu e as memórias voltaram, é claro, mas mesmo assim seria uma experiência ainda mais agradável ler essa série toda com os acontecimentos mais “fresquinhos” na cabeça!
Talvez o único problema de “Fome”, como livro, seja justamente a própria fome. Michael Grant está sempre batendo na tecla de que os habitantes do LGAR salivam horrores só de sentirem o cheiro de uma deliciosa lata de… espinafre. Pois é. A situação está realmente tensa. Todos comeram deliberadamente quando havia algo a ser comido, e na hora em que finalmente decidiram racionar os alimentos, já era tarde. Tudo o que as crianças ingerem são, basicamente, duas ou três latas de alguma coisa melecada e fedorenta por dia. É tudo o que resta. Lembro-me de uma citação que fiz na resenha de Gone: “Todo mundo estava simplesmente matando o tempo. Mas se tudo que fizessem fosse simplesmente matar o tempo, o tempo acabaria matando-os.” Em Fome, vemos que nunca foram ditas palavras tão verdadeiras!
Todos estão famintos, e a fome mexe com a cabeça das pessoas. Nossos personagens mudam. O autocontrole de Sam desaparece, por exemplo. É claro, ele é o encarregado de cada pequena decisão a ser tomada, todas elas recaem sobre suas costas… Ele se torna o pai de todas as crianças do LGAR. Ao mesmo tempo em que cabe a ele julgar se uma criança de treze anos pode assistir a um filme recomendado para maiores de catorze, é sua responsabilidade também decidir se a vida de um amigo deve ou não ser sacrificada. Toda essa pressão já seria suficiente para que explodíssemos. Mas a fome também ajuda. Atrapalha. Mata aos poucos.
Mas como eu disse, “talvez” esse seja o único problema. Porque talvez não seja. É uma coisa necessária para que nos indentifiquemos, nos compadeçamos e nos simpatizemos com aquelas pessoas tão, com o perdão das palavras, desgraçadamente ferradas. Só acho que talvez tenha sido demais, tenha ofuscado a história, que é o que realmente merece destaque. Em Lies quero me saciar de informações, então, Grant, menos fome, por favor!
— Não devemos ir por esse caminho, pessoal, criando uma divisão entre normais e aberrações.
— Eles já fizeram isso! — gritou Zil. — São as aberrações que se acham especiais, como se peidassem cheiroso.
(Zil? Quem é Zil?! Leu “Gone” e não está lembrado de ter se deparado com esse personagem? Não, relaxa, você não está esclerosado como eu! Zil é um dos personagens que surgem no LGAR em “Fome”, e ganham destaque. Devo também mencionar que se trata do pivete-mais-ordinário-da-face-da-Terra. Sério. Sem exagero. Ele faz até com que a pessoa mais pacífica do mundo queira voar em seu pescoço.
Falando em personagens, aí está outro ponto positivo! A narrativa em terceira pessoa, rápida, objetiva e fluída se alterna entre os mais variados pontos de vista. Podemos ver os mesmos acontecimentos sob a ótica de pessoas diferentes, e também podemos acompanhar o que acontece na Academia Coates sem abandonarmos o LGAR. E convenhamos: Michael Grant é um mestre em criar personagens! Todos únicos, extremamente verossímeis e humanos… E desumanos também, por que não?! (ALÔ, DRAKE!)
Você ainda tem sonhos em que machuca animais, Drake?
Não, doutor, sonho em machucar o senhor. *(Drake meiguinho conversando com o psiquiatra. Psiquiatra pra quê, aliás?)*
Agora vamos voltar ao início da resenha. Vocês devem estar se perguntando por que diabos alguém diria uma coisa dessas assim, do nada. Você tem probleminha, Pedro? Sim, na verdade, tenho. Deixa eu explicar. Eu sofro (sente o drama!) de sudorese. É uma desgraça. Minhas mãos, principalmente, suam todo dia, toda hora, todo momento. Enquanto leio livros minhas mãos tendem a suar mais ainda. A questão é que, depois de muita observação (q), encontrei um padrão na quantidade de nitrogênio que eu excretava através deste liquído salgadinho tão presente em minha vida. Quanto melhor o livro, maior a quantidade de suor. (É claro, há outros fatores que influenciam, como o calor, por exemplo, mas nada muito relevante.) E, cara, é sério: meu “Fome” está com a contra-capa amassada, porque, de tanto suor o livro escorregou de minhas mãos e deu de cara com o chão! É mole ou quer mais?! A sequência de “Gone” é digna de litros e mais litros de suor!
Pedro Maziero é resenhista do Sobre Livros. Para sugerir livros, criticar, elogiar, ou simplesmente bater um papo sobre algum livro, basta segui-lo no twitter @pedromaziero
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Boa resenha, não li a edição brasileira ainda, mas pretendo dar uma olhada nela.
Essa série é ótima, muito boa mesmo, Plague pra mim foi o melhor da série até agora e,sinceramente, estou contando os dias pro lançamento de Fear.
Nossa gostei d+ da sua resenha Pedro parabéns ela é engraçada,critica e bem discontraida me deixou com mais vontade ainda de ler Fome o problema é o dinheiro(q ñ tenho)entao vou ter q esperar mais um pouco e ficar morrendo de vontade de ler.
Meus parabéns de novo e q vc continue fazendo essas maravilhosas resenhas.
Muuuito obrigado, Tati! É muito bom ler esse tipo de coisa
Ah, verdade, os livros da Galera são meio carinhos :// Mas vale a pena, quando puder, compre sem medo de se arrepender! É excelente!
Beijão =)
Excelente resenha Pedro, parabéns! Clara, descontraída, simples e inteligente. Não conheço a saga, mas depois de ler sobre fome fiquei muito interessado. Tudo de bom!
Muito obrigado, Victor!
Fico feliz por saber que fiz você se interessar pela série, é muito boa mesmo! Leia, você não vai se arrepender! ^^
Tudo de bom pra você também!
Minha nossa Pedro, muito bom! Me diverti horrores aqui, acho que tenho lágrimas nos olhos até agora de tanto rir…. Parabéns! É tão bom ler resenhas que, mesmo que nunca tenhamos tido vontade de ler um livro, ele desperte essa vontade na gente. E, viu, não se preocupe com o seu exemplar suado, porque o livro do Schulai (q dei pra ele no amigo secreto) tá todo amassado e fedendo à mamita, kkkkkkkkkkkkkk (vide vídeo) kkkkkkkkkkkkkkkkk Grande abraço pra vc e parabéns!
Mas gente, eu realmente preciso ver esse video, porque fiquei meio o_____O… livro fedendo à marmita? Como assim?!??! HUAHAHUHAHHA
Mas enfim, muuuuito obrigado pelo carinho, Lu!
Dizer que admiro seu talento na escrita é pouco Pedro!
ADORO suas resenhas, e sou fã tiete!!!
hehehehehehheheh
Não comecei a ler a série Gone ainda, mas já tenho os dois volumes e lerei em breve.
PARABÉNS pela resenha… ri alto!
Abração!!!
Muuuuuuuitíssimo obrigado, Laila!!
Saiba que a admiração é recíproca
E lê logo, você não vai se arrepender huahuahuahu
Beijão ^^
“Devo também mencionar que se trata do pivete-mais-ordinário-da-face-da-Terra.”kkk’ Concerteza!
Pois é hahaha dá vontade de estrangular! E tenho a impressão de que ele ainda vai fazer muita merda nos próximos livros x_x