Resenha: Dezesseis – Rachel Vincent

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Olá leitores do Sobre Livros! Hoje vim dividir com vocês uma leitura que tinha tudo para ser clichê, mas que consegue nos surpreender do início ao fim!

Dezesseis” é o primeiro volume de uma série distópica chamada Brave New Girl, escrito pela autora norte-americana Rachel Vincent. O segundo volume já foi publicado na terra dos gringos, e se intitula “Strange New World”. Aqui em terras tupiniquins é a editora Universo dos Livros quem manda no bagaço e rezo para que eles o publiquem, porque está bem difícil esperar, viu… que final Senhor, que final!

O livro é uma narrativa em primeira pessoa, e acompanhamos a protagonista Dahlia que tem 16 anos e está se preparando para se tornar uma agricultora hidropônica. Iguais a ela, existem 4.999. Não tô zuando não, existem 5.000 garotas com a exata aparência da Dahlia. Isso porque elas são clonadas, nascem em laboratórios e são destinadas a executar um trabalho específico que irá preencher uma necessidade da cidade.

As regras são bem rígidas. Ninguém pode falar com profissionais fora da sua área. A alimentação, horários, atividades, tudo já foi previamente determinado. Ninguém tem qualquer poder de escolha. E caso alguém pense e tente agir diferente todo o “lote” de clones é descartado.

E Dahlia 16 precisa tomar cuidado, afinal a satisfação pelos vegetais que cultiva e competitividade que a impulsiona são transgressões. Mas a verdade é que seus produtos são tão bons que chamaram a atenção de seus instrutores, e pior, da administração…

Dahlia então é chamada no prédio da administração e mesmo que o motivo seja bom – que tal uma promoçãozinha? – ela se pega aterrorizada com as complicações e consequências do convite. O que ela deve responder sem prejudicar suas irmãs e seu futuro?

Enquanto pondera as implicações de se tornar uma futura instrutora, Dahlia fica presa em um elevador. Mas não está sozinha. Em plena crise de pânico, com o elevador às escuras e o terror do confinamento, Dahlia escuta o impossível. Um soldado conversa com ela, tentando acalmá-la. Essa é uma infração grave, que coloca em risco sua posição e suas irmãs.

Mas Dahlia não resiste e acaba respondendo aos questionamentos do soldado. E quando finalmente é libertada, Dahlia precisará conviver com a culpa de colocar outras 4.999 garotas em risco por conversar com um soldado. O pior é que ela deseja conversar com ele de novo…

Calma! Não fiquem aí pensando que já sabem tudo que vai rolar no livro, pois eu contei só o começo, sem spoilers, para que vocês entendessem um pouco da minha empolgação com a história. Sim, o encontro da Dahlia 16 e do Trigger 17 – o soldado bonitão – pode até suscitar a ideia do “mais do mesmo”, mas preciso que acreditem em mim quando digo que o romance desperto nesses dois é uma ínfima parte dessa história – e necessária para dar um fôlego ao leitor, afinal o percurso da Dahlia é tenso.

A autora consegue nos surpreender inúmeras vezes, nós imaginamos como a Dahlia vai reagir a determinadas situações por ela ser um clone, mas acreditem, ninguém aqui fará escolhas fáceis.

Uma história perturbadora, em que questionamos até onde o ser humano é capaz de ir para se aproveitar dos outros. Estou ansiosa para continuar desbravando essa história que me envolveu e conquistou minha torcida.

A edição de “Dezesseis” está maravilhosa, as páginas são amareladas e a fonte em um tamanho bom, dando conforto ao leitor. Os capítulos são numerados e a capa, apesar de bem bonita, podia ter seguido melhor a história. Se repararem bem, as modelos da capa são diferentes uma da outra. São 235 páginas de muita emoção.

Indico a leitura para aqueles que gostam de uma narrativa fluída e empolgante. Para aqueles que apesar de um cenário nefasto, se deliciam com um romance fofo. Para aqueles que querem derrubar o sistema. Boa leitura!

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