Resenha: Caixa de Pássaros – Josh Malerman

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Olá leitores do Sobre Livros! Meus pais não acreditam, mas eu sou a maior medrosa quando se trata de livros/séries/filmes de terror, devido ao fato de amar fantasia. Eles não acreditam que história de vampiros e lobisomens podem não evocar medo. Mas a verdade é que desde 2003 não me deparo com uma história que me assustasse tanto quanto Caixa de Pássaros.

Comprei o livro em um impulso de curiosidade. Mesmo sabendo que era um livro considerado de terror, não pude segurar a vontade de entender o que diabos se passava nessa história – ops, sendo uma história de terror seria melhor não atrair espíritos malignos, né? 😛

Caixa de Pássaros foi escrito por John Malerman – que veio na Bienal do Livro do Rio de Janeiro de 2015 – que é cantor e compositor da banda de rock High Strung. Atualmente ele mora em Ferndale, Michigan, com a noiva.

O livro começa nos mostrando o momento que a protagonista Malorie toma uma atitude para mudar sua situação atual. Ela está sozinha em uma casa deteriorada, encurralada e precisa criar a coragem de sair do único lugar que lhe deu algum abrigo. Ela tem dois filhos, um menino e uma menina, de quatro anos, que foram muito bem treinados para viver nessa nova realidade.

Acontece que em certo momento, os humanos começaram a presenciar alguns fatos aterradores. Sem qualquer motivo aparente, pessoas no mundo todo têm ataques de violência. Mas não são ataques comuns, como assaltos, estupros e serial killers como infelizmente somos obrigados a conviver. É pior. Em um ataque a mãe enterrou vivos os filhos e se matou.  Em outro o homem arrancou os próprios olhos com uma colher. As pessoas estavam ferindo gravemente – e de maneira grotesca – as pessoas a seu redor, e depois se suicidavam.

Em um primeiro momento ninguém entendeu o que estava acontecendo, mas a medida que esses ataques aumentavam, as pessoas começaram a suspeitar que havia algo motivando essa violência. E que esse algo provavelmente era um ser. Alguma coisa viva que podia se locomover e que não estava sozinho –  a humanidade presenciava sua derrocada para seres que ela nem podia descrever, afinal uma única olhadela para esse ser eclodia a violência.

Todas as pessoas que avistaram um desses seres não conseguia relatar o que viu para ajudar os demais a se defenderem. Assim que via, a pessoa era tomada pela insanidade e agredia quem estivesse perto e depois a si mesma. Nenhum governo resistiu, pouco a pouco a humanidade foi reduzida a aqueles que conseguiam se proteger daquilo que estava do lado de fora de suas casas, protegendo a visão daquele ser inexplicável.

Com a humanidade quase extinta, Malorie conseguiu sobreviver dentro de uma casa que tinha todas as suas janelas protegidas com cobertores. Desde que a crise estourou que ela não via o lado de fora. Buscava água em um poço a alguns metros da porta dos fundos da casa, mas para essa e qualquer outra tarefa que necessitava fora da casa era preciso usar uma venda sobre os olhos. Para sobreviver, era preciso não enxergar.

Malorie precisa sair da casa, mas o único caminho é o rio atrás da propriedade. Ela precisará usar um barco para levar os filhos pelo rio. Tarefa extremamente perigosa para quem precisará remar e guiar o barco usando uma venda.

A leitura de Caixa de pássaros nos deixa o tempo todo apreensivos, não consegui parar de ler. Precisava saber para onde Malorie estava levando os filhos, se conseguiria, se encontraria uma salvação. E mais: como as coisas chegaram naquele ponto. Como uma mulher sobreviveu sozinha e criara os filhos por 4 anos? Durante a leitura vamos aumentando o número de questionamentos e a curiosidade nos faz avançar, mesmo que tenha momentos realmente pavorosos.

A narrativa de Malerman nos prende e já na primeira página embarcamos nessa viagem apavorante. O mais assombroso é que a trama e a narrativa são tão envolventes, que demorei alguns dias depois de terminar o livro para conseguir perceber, em retrospectiva, que a história tem alguns furos, mas nada que comprometesse a minha opinião de que o livro é sensacional. O autor tinha o objetivo de nos prender e é exatamente isso que acontece, o livro cumpre sua meta.

Duvido que exista alguma pessoa que leu a sinopse desse livro e que não ficou tremendamente curioso. Quando peguei o livro para ler pensei que das duas, uma: Ou o livro seria incrível ou o autor se atrapalharia ao revelar o grande mistério. A saída que Malerman escolheu para finalizar o livro foi brilhante – não vou comentar mais para não soltar spoiler, mas quem quiser conversar comigo sobre esses pontos, vamos conversar aqui nos comentários (mas coloque um aviso de spoiler, ok?).

A edição da Intrínseca está arrepiante! A capa incorpora a atmosfera do livro, todo início de capítulo tem a página decorada. As páginas são amareladas e a fonte confortável. São 268 páginas de muita adrenalina.

Indico a leitura para aqueles que gostam de mistério, de livros que nos prendem pelo seu ambiente sombrio. Vários momentos fiquei absurdamente assustada. Boa leitura!

12 COMENTÁRIOS

  1. EU GOSTEI MUITO DO LIVRO, NÃO DIRIA EXATAMENTE DE TERROR , MAS SIM DE SUSPENSE. MUITO BEM ESCRITO E O INTERESSANTE QUE CONFORME FUI LENDO , COMECEI A CONTAR TRECHOS DO LIVRO ARA FAMILIA QUE FICOU MUITO INTERESSADA, E A CADA PALPITE LÓGICO SOBRE O DESENROLAR DAS COISAS O AUTOR ME DAVA A RESPOSTA DE IMEDIATO. QUANDO O PEGUEI PARA LER NÃO CONSEGUI PRENDER MINHA ATENÇÃO E AGORA FIQUEI ENAMORADA. NÃO SEI SE ERA A INTENÇÃO MAS, ACHO QUE O LIVRO MOSTRA UM POUCO COMO SOMOS E COMO TEMOS MEDO DO NOVO E ESTRANHO , E COMO É DIFÍCIL TIRARMOS NOSSAS VENDAS PARA ENXERGARMOS ALÉM….

  2. Spoiler….. me conta o desenrolar da história me conta o final ….kkk
    Por incrível que pareça acho que sou a única no mundo, mas amo saber tudo do livro ou filme pra depois ver se vou ver ou não

    • (spoiler a frente – por sua conta em risco)

      Na segunda parte da história, a protagonista recebe uma ligação de um homem responsável por um centro de acolhimento (é por isso que, no primeiro capítulo, ela está fazendo a viagem de barco). Ela e as crianças obtêm sucesso, chegam ao local e passam a viver lá.

    • Não é revelado, o que incomodou muita gente, mas que para mim foi demais. Os próprios personagens não tinham como descobrir quem era o “monstro (não sabemos) já que se o visse morreriam. Apenas escutavam e sentiam, isso vai da sua interpretação. leia, o final é espetacular se olhado pelo ponto de vista certo, não vai se arrepender.

  3. ( Spoiler talvez )

    Gostei muito desse livro. É envolvente e assustador, e confesso que não consigo ler ele a noite.
    Mas eu acredito que as criaturas eram ,na verdade, um simples reflexo do que supostamente mais tememos… Nós mesmos.

  4. Spoiler a frente …
    Na vdd na página 237 fala que Olympia fica loca e que ela vê as criaturas e ela fala bem assim
    -Eles parecem Lobos – chora Olympia-parecem Lobos
    Isso quer dizer que as tais criaturas parecem com Lobos mas eu acho que isso vai da Imaginação de cada pessoa porque isso é tipo um jeito que eles parecem mas o que eles Realmente são o que vem na sua mente e a sua criatividade.

  5. Livro envolvente, com certeza. Um suspense, uma vontade de saber o que vai acontecer. Legal o vai e volta da narração. Acho que abriu caminho para um “Box Bird II”. Vamos aguardar o filme.

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