Resenha: Brilhantes – Marcus Sakey

Primeiro volume da série Brilhantes

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Olá leitores do Sobre Livros! Essa foi a minha melhor leitura de 2015 e apesar da necessidade de dividir essa experiência com vocês, passei por aquele momento de ressaca em que não conseguia transpor em palavras a experiência sentida.

Quando comecei a estudar escrita criativa não sabia que uma das consequências seria a perda quase total do prazer em ler. Não que tenha se tornado algo ruim, mas a verdade é que não consigo mais ler sem analisar a técnica, sem esmiuçar o que o autor quis me dizer, ao invés de apenas me jogar e aproveitar uma viagem no banco do carona. Agora ficou mais difícil ser atingida por uma história, o livro me conquista pela técnica bem desenvolvida.

E Brilhantes foi uma grata surpresa. Consegui imergir no enredo sem prestar atenção aos detalhes, só curtindo a aventura. No final, consegui fazer algumas pontuações, mas quer saber? Que explodam. Diverti-me demais lendo e não quero pensar que o protagonista foi criado para ter mesmo esse apelo inebriante.

Então bôra apresentar essa narrativa incrível, e desde já quero implorar: LEIAM BRILHANTES.

O livro começa com uma apresentação de tirar o fôlego. Entendemos que estamos no presente, mas o mundo não é exatamente igual ao nosso. Essa é uma fantasia urbana. Alguns seres humanos desenvolveram poderes especiais, mas nada como telecinesia e a capacidade de voar. São mais como habilidades, uma inteligência avançada.

Vocês já devem ter visto histórias demais com anômalos para saber que os “normais” não reagem bem ao diferente – nem quando as diferenças nem são tão drásticas -, não é mesmo?

Nessa história Nick Cooper trabalha para uma agência que controla os “brilhantes” – os superdotados -, mas não indiscriminadamente. O foco da agência é perseguir os brilhantes que cometem crimes. Só assim Nick aceitaria trabalhar para eles, afinal ele mesmo é um brilhante. Ele tem a habilidade de compreender comportamentos, consegue deduzir o que uma pessoa está pensando ou fazendo. Faz dele um excelente caçador.

Na primeira cena do livro, Nick está perseguindo uma programadora brilhante. Ele a encurralou em um bar medíocre. Seguro que tem a situação controlada, Nick permite que a mulher termine seu drink. Ela consegue escapar e subir no telhado, a apenas dois andares de altura. Para não ser capturada, ela se suicida ao pular do prédio.

Mas antes de pular a programadora conta para Nick diversas nuances sobre a realidade em que vivem. Uma perspectiva diferente da que Nick vive. E esse será o fio condutor para que a vida de Nick exploda.

Ele terá que questionar toda a estrutura que vive para enfrentar um terrorista brilhante. Durante a tentativa de captura, Nick será apresentado a um cenário que ele insistia em não enxergar e a entender que o mundo é muito mais sombrio que ele se permitia entrever.

Divorciado, Nick precisará se arriscar para manter seus dois filhos em segurança. Ele será capaz de um ato extremo para salvá-los?

Uma corrida alucinante, um suspense de tirar o fôlego! A narrativa envolvente nos captura, nos deixando aprisionados a necessidade de entender toda a situação. Eu preciso do segundo volume “Um mundo melhor”. No exterior, o terceiro volume da trilogia já foi publicado.

No Brasil, a editora Galera Record é a responsável pela publicação. Eu gostei da capa, que tem as linhas da cidade e conexões cerebrais em alto-relevo. A edição está aprazível, sem grandes traumas na revisão.

O autor é Marcus Sarkey, norte-americano que trabalhou dez anos como publicitário antes de se tornar escritor. Trabalha também como roteirista e apresentador de Hidden City, um programa de turismo do Travel Channel. Hoje vive em Chicago com a esposa e a filha.

Indico a leitura para aqueles que adoram histórias de detetive, com muitas cenas de ação e reviravoltas instigantes. Para aqueles que gostam de elementos fantásticos e uma pequena dose de romance. Boa leitura!

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