Resenha: Átila – O Fim do Mundo Virá do Leste – William Napier

terça-feira, maio 3, 2011 21:30
Postado na Categoria Resenhas

William Napier

Olá senhores(as)(itas). A minha resenha de estreia no SobreLivros será sobre o primeiro volume da série Átila, lançado no Brasil pela editora Record. No Brasil também já temos o vol. 2 – O Prenúncio da Tempestade, mas o vol. 3 – The Judgment – ainda está disponível apenas em inglês.

Mesmo compelido a começar a resenha com a sinopse do livro (e, obviamente, não me limitar a ela) vou colar apenas um trecho, que julgo relevante para passar a minha opinião para vocês:

Neste volume, Napier nos leva até o início do século V. Roma está à beira do abismo. O grande império que regeu o mundo ocidental por doze séculos gloriosos encontra-se perigosamente vulnerável.

As enormes tribos bárbaras de vândalos e visigodos estão se reunindo em suas fronteiras. Os piores rumores dizem respeito aos hunos. E agora eles têm um novo líder, Átila. Só há um homem capaz de se opor a ele: Aécio, o grande general romano, também conhecido como ‘o último dos romanos’.

William Napier entra para o seleto hall de “escritores historiadores”, como eu gosto de chama-los, e temos em Átila talvez o ápice desse estilo literário, com todas as suas qualidades e falhas. Tudo é grandioso quando se fala nessa série. Os conceitos e ambientação históricos são levados ao limite, assim como as explicações, os diálogos e a brilhante caracterização dos personagens.

O livro é narrado por Prisco de Pânio, um pedagogo que tem uma sutil participação na história e aque agora escreve como um historiador, narrando os fatos ocorridos dos últimos anos da decadência e da queda final de Roma. E é exatamente nesse ponto que o livro que mais me incomodou. Mesmo Prisco sendo um personagem (relevante ou não, ele é um personagem), o texto todo nos é apresentado por um narrador onisciente. Na tentativa do autor em tentar dar veracidade histórica aos fatos e de justificar as bruscas variações de ponto de vista entre as cenas, acabou tropeçando nesse ponto. É um crime literário? Muito longe disso! Mas foge do padrão narrativo ao qual estamos acostumados em Conn Iggulden e Bernard Cornwell, por exemplo.

No que tange a história do livro, esse primeiro volume trata basicamente da formação de caráter de um menino chamado Átila, mantido na corte romana devido a acordos de guerra entre Roma e os hunos, até então seus aliados. A construção do personagem chama a atenção em dois pontos primordiais: 1. Justificando o ódio debochado que Átila alimenta aos poucos contra os romanos e; 2. O desprezo que ele carrega pelos costumes daquele povo, ao ver como eles tratam uns aos outros e o quanto isso contrasta com os costumes dos hunos.

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Outros personagens entram e saem (dentro de um saco preto ou não) durante a narrativa, como um bom livro histórico deve fazer, contextualizando e dando personalidades marcantes para os homens que conhecíamos apenas nos livros didáticos. O único que realmente me incomodou foi Lúcio (não vou dar spoiler, pode ir tirando seu cavalo de batalha da precipitação), dado o excesso de glamurização de sua coragem, força, etc. Algumas passagens com o soldado soaram inverossímeis e me arrancaram um “Ah, tá bom…” durante a leitura.

Tecnicamente o livro é bem dividido, incluindo os pontos chave e os obstáculos (grandiosos, novamente) para fomentar o enredo nos pontos certos. E, exceto pela confusão de ponto de vista (já citada), o autor é quase impecável na condução do leitor.

Agora, o grande balde de água fria para você que estava pensando em adquirir o livro: Átila é um romance de nicho. O livro é de leitura OBRIGATÓRIA para fãs de Romances Históricos bem ambientados e altamente descritivos, até mais do que as Crônicas Saxônicas de Bernard Cornwell. No entanto, desagradará o leitor que não está acostumado com longas passagens explicativas sobre o contexto das cenas e dos personagens. Algumas explicações, mesmo para mim que sou um exímio devorador desse estilo literário, pareceram desnecessárias para o enredo.

Em suma, pelo estilo literário de William Napier, não vejo Átila atingindo um público gigantesco no Brasil. No entanto, para os leitores ávidos de Romances Históricos, a série é mais uma das leituras obrigatórias dividindo seu pequeno hall com Bernard Cronwell e Conn Iggulden.

Thiago Ururahy, nascido em São Paulo capital, em 1982. Formado em economia, trabalhou no mercado financeiro por 8 anos. Fã de esportes, possui uma adoração pelos NY Yankees. No ano de 2010 iniciou os estudos para sua carreira como escritor e pretende lançar seus primeiros romances em 2012. Entre suas influências estão J.R.R. Tolkien, George Martin, Neil Gaiman, Bernard Cornwell e Stephen King. Contato: tucecon@hotmail.com ou pelo twitter @T_Hurukai

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6 Respostas para “Resenha: Átila – O Fim do Mundo Virá do Leste – William Napier”

  1. Gustavo disse:

    maio 3rd, 2011 às 21:56

    Aah, li esse livro faz um boooom tempo, e realmente to esquecido da historia. Mas se esse Prisco for quem eu tô pensando, realmente concordo. Me lembro que na época fiquei achando incrivelmente nada a vê a participação daquele homem na história. Agora um ponto que eu discordo: eu (com certeza) não sou fã do estilo “romance historico”, mas mesmo assim, mesmo com suas enormes passagens explicativos, o livro não me desagradou. Queria bastante comprar a sequencia, mas até hoje Atila me arde o bolso (60 reais num livro? Eu realmente nao sei onde tava com a cabeça, mesmo o livro sendo bom). Vou esperar a sequencia baixar de preço, alguma promoção ou qualquer coisa do tipo, ai sim comprarei. Mas antes vou ter que reler o primeiro, não lembro de 70% do livro!

  2. gabriella disse:

    maio 3rd, 2011 às 21:57

    resenha muito boa! :D

  3. Thiago Hurukai disse:

    maio 3rd, 2011 às 22:12

    Oi Gustavo! Fico feliz que tenha gostado. Meu nariz torcido para as passagens explicativas é que em alguns momentos elas interromperam a cena para explicar sobre uma fortificação X, por exemplo. Era legal, eu queria saber sobre a história, mas PRIMEIRO ME FALA SE ELE MATOU O CARA! Hahahaha
    Grande Abraço!

  4. Thiago Hurukai disse:

    maio 3rd, 2011 às 22:15

    Obrigado, Gabriella!

  5. Rafael Sales disse:

    maio 5th, 2011 às 0:59

    Uau!!!
    Parabéns pela estréia Thiago e também pela escolha como resenhista do pessoal do Sobre Livros.
    Está ai um cara que possui uma visão diferenciada da literatura.
    De fato esse tipo de leitura não me agrada muito, mas as qualidades descritas pelo Sir. Hurukai fazem nascer um certo interesse em buscar por obras nesse estilo, especialmente essa apresentada.

    Desejo sucesso nesse novo projeto
    e que venham mais resenhas fantásticas como essa por parte do grande Thiago

    Abração a todos do Sobre Livros.

  6. Thiago Hurukai disse:

    maio 6th, 2011 às 11:27

    Valeu Rafa! Obrigado pelas palavras.
    Abs,
    Thiago

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