Resenha: A Vida Como Ela Era – Susan Beth Pfeffer

Primeiro volume da série Os últimos Sobreviventes

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“Nunca pensei muito sobre o fato de que a lua que vejo é a mesma que Shakespeare, Maria Antonieta, George Washington e Cleópatra viram. Para não mencionar os zilhões de pessoas de que nunca ouvi falar. Todos os Homo Sapiens e Neandertais olharam para a mesma lua que eu olho. Ela também aparecia e desaparecia do céu deles”.

Olá leitores do Sobre Livros! Eu adoro livros, filmes e séries que tem um cenário apocalíptico. Não sou nenhuma masoquista, mas eu gosto de acompanhar como os humanos – que nem sempre agem como humanos – passam e se adaptam a novas realidades. Nos momentos extremos as pessoas se revelam exatamente como são, e colocam a prova todos os ideais, concepções e moral. E nada é mais intenso que a perspectiva que a vida como a conhecemos está chegando ao fim, não é mesmo?

É nesse cenário que a norte-americana Susan Beth Pfeffer nos arremessa. Pfeffer já escreveu mais de 70 obras infantis e infanto juvenis e recebeu inúmeros prêmios. A série Os últimos Sobreviventes possui quatro livros e a editora Bertrand é responsável por sua publicação no Brasil.

A Vida como Ela Era é o primeiro volume da série, e sua proposta consiste em um diário escrito por uma garota de 17 anos, Miranda. Miranda está no primeiro ano do Ensino Médio, com todas as preocupações que uma adolescente norte-americana sempre está apavorada.  Até que é anunciado um grande evento: dali a poucos dias um asteroide iria colidir com a lua.

Tudo bem, asteroides sempre colidem com a lua. Mas esse evento se torna especial já que os astrônomos afirmam que essa colisão poderá ser vista até por binóculos, o que causa comoção entre a sociedade. Na escola, televisão, rádio, todos só conversam sobre como irão acompanhar esse evento histórico. Todos se preparam para assistir como se fosse uma festa com fogos de artifício.

Mas o que acontece de fato não é nada festivo. A colisão não foi exatamente como o previsto pelos astrônomos… O impacto foi mais forte, alterando a posição da lua e a trazendo para mais perto do planeta Terra.

As horas a seguir foram de puro pânico. As pessoas que estavam nos litorais dos continentes foram as primeiras a serem vitimadas. Nossa personagem Miranda mora no interior dos EUA, então suas primeiras impressões se limitam ao terror em saber se seus familiares estavam bem – sendo que as linhas telefônicas estavam congestionadas – e conseguir entender o que essa alteração poderá acarretar na vida de todos.

Miranda vive com sua mãe e irmão, John. Seu pai mora com a nova esposa grávida e seu irmão mais velho, Matt, estava na faculdade. Mesmo com dificuldade, a mãe de Miranda consegue confirmar que os familiares estavam bem e permite que os filhos vão para a escola no dia seguinte.

“Se houver um mundo – começou ele – e se houver aula, você gostaria de ir ao baile de formatura comigo no ano que vem?”

Todos os alunos estão agitados e curiosos sobre as consequências da aproximação da lua a terra, e no meio da aula a mãe de Miranda aparece muito agitada, pedindo que Miranda seja liberada da aula mais cedo. Ao entrar no carro, ela percebe que a mãe também pegou seu irmão John e sua vizinha, entregou um envelope cheio de dinheiro e que estavam indo fazer compras.

A mãe de Miranda não foi a única a querer se preparar para o fim do mundo. No supermercado, as compras deveriam ser pagas não por cada produto, mas sim por cada carrinho cheio. Todos ficaram pensando no que iriam precisar, comida enlatada que duraria mais tempo, roupas quentes, sementes, ração para seus animais domésticos, enfim… qualquer produto que ajudasse a sobreviver por mais tempo.

A princípio Miranda achou tudo aquilo uma loucura, mas foi só começar a passar os dias para que a verdade explodisse: o mundo inteiro estava sofrendo grandes abalos e só os mais preparados iriam sobreviver. Era um momento de decisões difíceis, e que cada ação teria consequências graves.

Esse não é um livro fácil de acompanhar. O desespero, fome e desilusão nos acompanham por cada linha. Chorei, me emocionei, sofri junto. E cada página virada foi uma lição de fé e coragem.

“Nós temos uns aos outros. Enquanto tivermos uns aos outros, ficaremos bem”.

AMEI passar esse tempo ao lado de Mirando e sua família, e espero ansiosa o segundo volume, “Os Vivos e os Mortos”. Quero saber tudo que a autora está preparando para nós, como as coisas vão progredir e se resolver.

É admirável como a autora nos conduziu, nos fazendo acreditar que estávamos em um beco sem saída… Os choques são intensos, proporcionando verdadeiros abalos em nossa concepção de mundo. O que realmente importa? Como se deve agir quando se está a beira da morte? Onde encontrar forças? Quem realmente é corajoso?

Indico veementemente a leitura desse livro! Mas reafirmo: essa não é uma leitura fácil. Durante a leitura somos engolfados por sentimentos de desespero e não é fácil se manter distante. Contudo, acredito que essa é uma excelente oportunidade para conhecermos nós mesmos. Boa leitura!

“Acho que sempre pensei que, mesmo que o mundo acabasse, o McDonald’s continuaria funcionando”.

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