Resenha: A Menina Que Tinha Dons – M. R. Carey

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“A verdade é a verdade, o único prêmio digno de se ter. se você a nega, só mostra que não é digno dela.”

Olá leitores do Sobre Livros! Eu não sei dizer bem ao certo o que me levou a querer ler o livro A Meninas que Tinha Dons. Só sei que não sosseguei até conseguir adquirir meu exemplar e devorá-lo. Talvez usar esse termo – devorar – não seja uma boa ideia ao lembrar do enredo do livro…

O autor é M. R. Carey, que nasceu em Liverpool em 1949 e é roteirista e romancista de horror e fantasia. Ele escreve para a Marvel e DC – X-Men, Quarteto Fantástcio e Batman. Escreve ainda pra Vertigo, sendo responsável por Lúcifer – baseada no personagem criado por Neil Gaiman em Sandman – e Hellblazer, protagonizada pelo mago inglês John Constantine.

Imaginei que A Menina que tinha Dons fosse um livro de terror, mas a cagona aqui leu o livro sem maiores problemas. O final é perturbador, mas deixe-me apresentar a ideia do livro antes de esmiuçá-lo.

A Menina que Tinha Dons abre-se nos apresentando o cotidiano de Melanie, numa narrativa magistral em terceira pessoa. Melanie é uma criança de 10 anos, que vive presa. Sua rotina consiste em acordar, passar por um procedimento onde ela é presa em uma cadeira – pés, mãos e pescoço são atados a uma cadeira de rodas – e então transportada para uma sala de aula.

“Saber a data é tranquilizador de um jeito que ela não consegue explicar. É como se desse a ela um poder secreto – como se ela estivesse controlando um pedacinho do mundo.”

Os demais alunos estão na mesma posição que ela. Os guardas, professores e médicos tem muito cuidado perto das crianças, ninguém os toca diretamente. Na sala de aula eles aprendem os conteúdos normais de uma escola, mas as crianças sabem que existe uma vida diferente.

Fora dessa prisão militar, Melanie sabe que existe uma cidade protegida que ela sonha em um dia morar. Também sabe que lá fora existem perigos que sua mente tem dificuldade de assimilar. Famintos. Esses seres caçam e matam as pessoas, e todos temem verdadeiramente esse predador.

A Menina Que Tinha Dons - M. R. Carey

Melanie deseja um dia poder viver em segurança nessa cidade com a professora Justineau. Essa professora em particular encantou nossa protagonista, que espera ansiosa por suas lições. Melanie gosta de suas aulas sobre Mitologia Grega, mas ela só pode esperar por essas aulas durante a semana, pois no final de semana o ritmo da prisão é outro.

Aos sábados, as crianças ficam presas em suas celas durante o dia todo ouvindo música alta, para impedi-los de conversar entre si. Aos domingos eles recebem sua refeição e um banho e esse é o dia que a Melanie mais detesta.

Isso porque essa única refeição semanal consista em larvas e durante o banho as crianças ainda estão presas as cadeiras, enquanto um jato de espuma cai sobre eles – de roupa e tudo. Essa espuma arde muito, e só piora. Eles ficam presos dentro dessa sala malcheirosa, com a espuma ardendo muito, até que o tempo passe e finalmente são levados novamente para suas celas.

Toda essa rotina muda quando duas das crianças são enviadas ao laboratório e não retornam. Melanie não gosta das mudanças da rotina, pois ela não sabe o que esperar delas. Seu cotidiano é seguro, pois ela sabe o que vai acontecer e está preparada para isso. E tudo piora quando então ela é a enviada ao laboratório.

Que corrida alucinante! O livro é cheio de ação, e a todo o momento somos surpreendidos. O livro é brilhantemente construído, seus personagens críveis e a evolução do enredo magistral.

Quando o autor está focado na Melanie, sua narrativa se adapta ao vocabulário de uma criança. Seu raciocínio e sensações são transmitidos de acordo com o que se espera de uma criança que não sabe o que é e que está se descobrindo. As repetições de palavras são comuns, mas nos dá uma visão esplendida da evolução dessa personagem meiga e cativante, e que vem surpreendernos a cada virada de página. Impossível não se apegar a Melanie.

“Uma das coisas que lhe agradavam em Justineau era sua seriedade. Ele detestava gente frívola e imprudente que dança pela superfície do mundo sem olhar para baixo.”

O mesmo pode ser dito dos demais personagens. A Professora Justineau, a Dra. Caldwell, o sargento Parks e o Gallagher são tão bem construídos e a narrativa acompanha exatamente o perfil do personagem, transformando a leitura numa imersão total. O sonho ficcional não se quebra, criamos empatia com todos os personagens, pois nos sentimos próximos de cada um deles.

E o enredo, poxa… O autor conseguiu me surpreender a cada minuto de leitura. A evolução da história é plausível e o desfecho é de cair o queixo. Apenas um ponto me incomodou, mas não posso discorrer sobre ele, pois é spoiler. Mas já acrescento que esse ponto é sublimado pela história, ele perde a importância perto do prazer que a leitura proporciona.

Indico a leitura do livro para aqueles que gostam de livros de fantasia e que aguentem cenas repulsivas. Os seres apresentados podem causar enjoo… Mas garanto que se você se permitir enveredar por essas páginas, não irá se arrepender. Boa leitura!

1 COMENTÁRIO

  1. Ainda não li este livro, mas gostei muito da resenha, vou tentar ler. Mas meu contato é sobre outro assunto. Meu nome é Fernanda Fraga. Sou brasileira e capixaba. Também sou escritora e escrevi o meu primeiro livro chamado Shallon e gostaria que você lesse e colocasse no seu site. Estou disposta a te mandar uma cópia se você quiser é claro.
    Agradecida
    Fernanda Fraga

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