Resenha: A Caçada – Andrew Fukuda

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Olá leitores do Sobre Livros! Sabe aqueles livros que você sempre teve curiosidade em ler, mas nunca dava prioridade? Pois é. A Caçada sempre despertou em mim uma tentação em desvendar, mas eu nunca encontrei uma boa oportunidade para ler. Até que parei de enrolar…

A Caçada é o primeiro volume de uma trilogia escrita pelo norte-americano Andrew Fukuda e publicado no Brasil pela editora Intrínseca. Fukuda foi criado em Hong Kong, e é formado em História pela Universidade de Cornell. Antes de se tornar um escritor em tempo integral foi promotor criminal por sete anos. Atualmente reside em Long Island, Nova York, com a família.

O livro abre-se nos apresentando um personagem sem nome. O cenário é uma sala de aula, e em cada carteira que ele se senta, recebe uma designação diferente. Já perceberam que essa história não se trata da nossa realidade, certo?

Em A Caçada, somos apresentados a um ambiente sanguinário e fatal para os humanos. Esse mundo é dominado pelos vampiros. Até onde se sabe, os pouquíssimos humanos que ainda existem – que são chamados de Epers – estão sob vigilância do governo em um local secreto.

Os vampiros conseguem viver comendo carne de animais, mas sua preferência é carne humana. Eles não suportam a luz solar, tem uma visão aguçada, são velozes e incapazes de se relacionar intimamente um com o outro, isto é, suas emoções são bem restritas.

Lembram-se no personagem sem nome? Ele é humano. Eper. E aprendeu com seu pai como conviver com os vampiros sem ser estraçalhado – devorado, morto. Ele conseguiu se inserir nessa sociedade, fingindo ser um vampiro, não permitindo que ninguém soubesse sua verdadeira constituição e personalidade – ele próprio desconhece várias nuances de sua natureza.

Ele está indo muito bem, chegou a adolescência – vivo – apesar de completamente solitário. Mas essa história não seria interessante se tudo fosse às mil maravilhas, certo?

Acontece que o governo anuncia uma Caçada Eper. Essa caçada possibilita aos vampiros sorteados a oportunidade de caçar Epers. Imaginem a expectativa que esse sorteio causou a todos!

Agora imaginem se nosso amiguinho for sorteado? Como ele vai conseguir fingir ser um vampiro durante uma caçada? Como ele vai correr na mesma velocidade, manter a toalete – que é muito importante em sua camuflagem nesse ambiente hostil -, enxergar, lutar, contra os demais sorteados? E pior… E se ele for um dos caçadores que consegue chegar primeiro aos epers… ele vai ter coragem de devorar outros epers?

Uma história de tirar o fôlego! É maravilhoso acompanhar nosso amiguinho nesse cenário tão adverso a sua sobrevivência. A narrativa do autor é incrível e nos deixa de olhos arregalados esperando por mais revelações.

O problema da narrativa ficou para a verossimilhança. Por exemplo: Fukuda nos avisa desde o princípio que nosso amiguinho é muito inteligente, mas ao passar as páginas percebemos claramente que ele não é tão inteligente assim, pois deixa passar muita coisa desapercebida, demorando muito a ter insights que nós leitores já percebemos páginas antes. Esse é apenas um exemplo de vários que notei, mas acho melhor não explicitar aqui para não incorrer em spoiler.

O final também tem um quê de “deus ex machina”, sai uma solução final do nada. Não me convenci de algumas revelações e várias explicações não se encaixam.

Não sei se vou conferir o segundo volume, As presas, que já foi lançado no Brasil. Talvez leia no futuro, quando me esquecer das “furadas” no enredo do primeiro – risos!

Mas indico a leitura para aqueles que gostam de fantasia, cenários alternativos e uma narrativa empolgante. Boa leitura!

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Laila Ribeiro é mestra em Escrita Criativa pela PUCRS; pós-graduada em Gestão Empresarial, em Gestão Pública e MBA em Gestão de Recursos Humanos; graduada em História pela PUC Minas (2014) e em Administração Geral e Agroindustrial pela Universidade Presidente Antônio Carlos (2007). Atualmente, é membro da equipe do site literário Sobre Livros (www.sobrelivros.com.br), e mantém o canal literário https://www.youtube.com/c/ribeirolaila. Participou de antologias de contos (Insanas - Elas Matam!, Onisciente Contemporâneo, Translações Singulares e Não Culpe o Narrador) e, em 2016, foi monitora da Oficina de Criação Literária do professor e escritor Luiz Antonio de Assis Brasil.

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