Por trás dos seus olhos | Crítica

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Ficha técnica:

Título original: All i see is you

Distribuidora:Paris Filmes

Direção e roteiro: Marc Forster

Elenco: Blake Lively, Jason Clarke, Yvone Strahovki, Hanna O´reilly, Wes Chatham, Danny Huston

Estreia: 15.03.2018

Nota: 4/5

Olá, leitores do Sobre Livros!

Hoje trago para vocês a crítica de uma filme que, por mais que o título possa dar a entender, não é uma adaptação literária.

O filme, com direção e roteiro de Marc Forster conta a história de Gina, uma mulher cega desde o acidente de carro que sofreu e é casada com um marido aparentemente devoto e cuidadoso. Gina jamais viu o rosto do marido e desde o acidente, por não enxergar mais, acabou por se esquecer das cores, da aparência das coisas, das pessoas, bem como de suas belezas. Ela não sabe sequer como ficou sua aparência desde então.

Graças a uma cirurgia em que recebe um transplante de córnea e reconstituição da retina Gina volta, aos poucos, a ver o mundo. Contudo, ela passa também a questionar e a confrontar aquilo que a incomoda, como a casa em que mora com o marido, cuja aparência ela percebe que não tem nada a ver com ela e ela nem ajudou a escolher, a “feiura” do sofrimento e da pobreza das pessoas. Mas ela passa a perceber, principalmente, que seu marido pode não ser tão cuidadoso e amável quanto ela pensava. Será que ele a ama independentemente dela enxergar ou não? e o mais importante, será que ela o ama de verdade?

No início do filme, enquanto Gina não enxerga, somos inundados de cenas com forte sonoridade. A intenção, pelo que entendi, foi fazer com que o telespectador absorva um pouco da experiência auditiva de um cego.

Experimentamos, ainda, a cegueira da protagonista, haja vista que várias cenas ficam embaçadas, como se visto pelo olho da personagem. E, ainda, quando ela começa a enxergar novamente e vemos, pelos olhos dela suas impressões sobre aquilo que ela só conhecia pelo toque e pelo som.

A partir daí é que vemos quem é o James de verdade. A forma anormal com que ele demonstra seu amor, possessivo em decorrência da insegurança que ele tinha em relação à sua mulher e à beleza dela. Era muito mais fácil ele lidar com isso quando ela não enxergava, mas e agora que ela se tornou uma pessoa independente?

Fiquei torcendo para que o filme não terminasse de forma trágica e que Gina percebesse o que estava acontecendo. Me fez pensar em como pensamos conhecer uma pessoa e na verdade não conhecemos.

O cenário é lindo! O filme se passa em Bangkok e em Barcelona e, além das paisagens lindas tudo tem muita cor. Tem também uma boa trilha sonora, mas não é o que mais chama atenção no filme.

Apesar de não ser um elenco muito conhecido vale o ingresso!

Assim como em Trama Fantasma vemos um relacionamento incomum, mas que, por incrível que pareça, existe em grande escala por aí.

Em um mundo em que vemos a todo momento notícias de relacionamentos que terminaram de forma trágica, crimes passionais, é uma boa pedida para, principalmente, compreender que um relacionamento não pode ser construído pautado no controle sobre o outro, em tentar fazer da pessoa “amada” aquilo que ela não é apenas para se sentir mais confortável, menos ameaçado.

Assistam ao trailer!

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