Me chame pelo seu nome | Porque esse é meu candidato favorito ao Oscar 2018

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Olá leitores! Depois de trazer aqui no Sobre Livros a crítica do filme Me chame pelo seu nome, hoje trago pra vocês minhas expectativas em relação a ele e o Oscar 2018. Para relembrar, o filme está concorrendo nas seguintes categorias: melhor filme, melhor ator, melhor roteiro adaptado, melhor canção.

Pois bem. Antes de trazer as razões pra eu estar tão na torcida para que esse filme leve pelo menos uma estatueta, vou falar um pouco do livro em si, para vocês.

O Elio e sua família passam todos os verões na casa que eles possuem numa cidade litorânea da Itália (cujo nome não é mencionado nem no livro nem no filme). E todo ano, o pai do Elio, que é um professor universitário conceituado, escolhe um estudante de mestrado ou doutorado para passar seis semanas nessa casa para poder auxiliar esse estudante naquilo que estiver precisando em relação à tese que esteja elaborando ou algum livro que esteja escrevendo.

No verão de 1983 o escolhido é Oliver, um doutorando em filosofia dos Estados Unidos que está escrevendo um livro sobre Heráclito (filósofo que, curiosamente, traz a teoria do “tudo flui”). Assim que ele chega na casa, Elio já se apaixona por ele, mas não percebe de cara, já que qualquer encantamento foi obscurecido pela antipatia que Elio nutriu em relação à suposta arrogância do novo hóspede americano, a forma como ele fala, e, principalmente, por ter que ceder o quarto que dorme para Oliver e ter que se “hospedar” temporariamente no quarto adjacente ao do visitante.

Em troca desse “auxílio” do pai de Elio a única coisa que Oliver precisa fazer é auxiliar o professor também naquilo que for necessário em relação ao trabalho dele.

O sentimentos que Elio, um garoto de 17 anos passa a nutrir por Oliver, algo que ele jura que jamais sentiu por qualquer pessoa, seja menino ou menina, é demonstrado no livro de uma forma tão densa, tão profunda e tão sensível que não tem como não se apaixonar pela história, por Elio, por Oliver, pela Itália.

Essa não é uma história comum, e não digo isso por se tratar de um romance entre duas pessoas do mesmo sexo. É uma história sobre o amadurecimento, a entrega, o desprendimento.

Dito isso, vamos às expectativas (ou a justificativa para elas, rs).

Vou começar pela categoria que o filme é favorito para vencer (não só de minha parte): Melhor roteiro adaptado. Começo por essa, pois, pra mim, é uma das melhores adaptações que eu assisti nos últimos tempos. A cidade, os atores, a forma como o livro foi transformado em roteiro, o que foi deixado de fora, as cenas que foram criadas exclusivamente para fazer o telespectador entender melhor a história (que, caso não tivessem sido inseridas talvez dificultasse uma melhor compreensão de quem não leu o livro), tudo isso fez com que filme (e consequentemente o livro) seja considerado inesquecível. Consigo compreender, ainda, a razão do final do filme ter tomado um rumo diferenciado, pois todo o contexto apontava para essa conclusão. O que não desmerece em nada a adaptação em relação ao livro.

A trilha sonora, principalmente a música que está concorrendo ao Oscar, “Mystery of love” – de Sufjan Stevens – foi feita pra ser ouvida repetidas vezes sem enjoar. Se você ainda vai ler o livro, experimento fazê-lo ouvindo a trilha sonora escolhida para o longa e eu garanto uma viagem ainda mais profunda dentro do universo do livro.

A atuação de Timothée é incrível! Não consigo imaginar nem Elio sendo interpretada por outra pessoa, nem Oliver por outro ator que não seja Armie Hamer. Timothée consegue transmitir toda a sensibilidade, a timidez do personagem. Ele aprendeu a falar italiano e a tocar piano para interpretar Elio, e faz ambas as coisas com tanta fluidez, sotaque e trejeito no filme que, se você não tivesse lido essa informação e fosse assistir ao filme amanhã sairia do cinema achando que ele nasceu na Itália e toca desde pequeno. E é por isso e por tudo mais que não consigo expressar, que acho que ele merece o Oscar de melhor ator. Ainda que se considere que no livro há uma maior proximidade do leitor com os sentimentos de Elio, suas dúvidas, seus anseios, o fato de isso ser menos visível no filme não é, de longe, defeito de atuação ou de roteiro. Atribuo essa diferença à forma como o filme e o livro são, digamos, “narrados”.

E, por fim, após todas essas justificativas, ser adaptado de um livro tão maravilhoso já é um motivo para vencer a estatueta de melhor filme. Se você não considera esse um motivo válido, atribuo então, ao fato de termos, com o mesmo nome, duas obras-primas: uma da literatura, outra do cinema. Duas obras que estarão para sempre na lista de favoritos da vida e que indicarei sempre pra todo mundo!

E vocês? Para quem estão torcendo? Que venha dia 04 de março!

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