Jogador nº. 1 | Crítica

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Ficha técnica:

Título original: Ready player one

Distribuidora: Warner Bros.

Direção: Steven Spielberg

Elenco:Tye Sheridan, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn, Lena Waithe, Simon Pegg, Mike Rylance, T.J. Miller, Hanna John Kamen.

Estreia: 29.03.2018

Nota: 5/5

Olá, leitores!

Vamos falar sobre o tão aguardado filme Jogador nº. 1?

Primeiramente vamos à sinopse. A história se passa no ano de 2045. O mundo está em uma séria crise e Wade Watts passa horas a fio dentro do jogo OASIS, criando pela Gegarious Sistems buscando fugir de sua difícil realidade e se empenha ainda mais quando James Halliday, criador do jogo, lança o desafio que premiará aquele que conseguir desvendar as pistas deixadas por ele dentro do OASIS e encontrar o “easter-egg” não só com o poder para controlar o OASIS em si, mas também toda a fortuna de Halliday. Mas não será fácil. 5 anos já se passaram e o placar da “caça ao tesouro” não foi alterado. Um belo dia, ao participar de mais uma corrida automobilística quase fatal para tentar arrecadar mais moedas para manter o carro em  funcionamento, Wade finalmente conhece uma famosa blogueira por quem ele mantém um amor platônico virtual: Art3mis. A  noite, enquanto Wade relembra a conversa entre os dois ele recita algumas frases ditas por ela e, de repente, começa a achar que tem a resposta para a primeira pista para encontrar o “ovo de Halliday”. Quando o placar muda finalmente e um jogador assume o primeiro lugar, a corrida pela fortuna do dono do maior jogo de realidade virtual reinicia e vira uma verdadeira guerra pelo poder.

Agora que expliquei aquilo que o trailer me permite, sem dar spoiler, vamos à análise do filme. Enquanto aguardava para assistir a adaptação mais aguardada por mim este ano, ainda com o livro fresquinho na cabeça, tentei imaginar como Spielberg reconstruiria determinadas cenas que julgava ser importante para a história. A maior esperança que eu tinha era a de que, depois de um filme morno como The post o diretor tivesse voltado à sua velha forma e feito um filme incrível.

E ele não me decepcionou.

É um filme totalmente revolucionário, diferente de tudo que eu já tinha visto até hoje. Sabemos que na maior parte do dia (e da noite) Wade está vivendo na realidade virtual do OASIS como seu avatar Parzival. Mas, daí a vermos como ficou essa realidade é outra história. Há um verdadeiro show de efeitos especiais, cenários tão bem construídos que dá vontade de comprar um console OASIS e um macacão e uma cadeira háptica e viver nessa realidade também!

Se você sair procurando os avatares para comprar e ter na estante não se culpe, eu também estou à procura.

Deixando um pouco de lado a realidade virtual e focando nos atores, no começo tive muito receio de não curtir a atuação de Tye como Wade. Nunca assisti nada com o ator antes e no trailer não estava conseguindo sentir empatia por ele, mas depois de alguns minutos fui curada, rs. No fim das contas eu estava chorando junto com ele.

Ben Mendelsohn, por sua vez, arrasou uma vez mais interpretando o vilão Nolan Sorrento. Como a maior parte do elenco é desconhecida pra mim não tenho um padrão para criticar a atuação, então só tenho a dizer que em relação ao filme ficou bem satisfatório.

Um plus nisso tudo foi ter assistido em IMAX. Depois que saí da sessão fiquei com a certeza de que esse filme não pode ser assistido de outra forma ou não terá a mesma experiência do jogo.

A trilha sonora já era esperada e de conhecimento de quem leu o livro. As que não foram colocadas foram substituídas por outras de igual valor cultural para os anos 80, então não decepciona. Ficou sensacional e já estou ouvindo sem parar, sobretudo Jump, do Van Halen.

Além da trilha foi maravilhoso ver todas aquelas referências dos anos 80, ainda que algumas tenham sido modificadas em relação ao livro. E o que é poder rever o carro mais famoso do cinema: o Delorean? <3

Você deve estar se perguntando: mas, e ai? Ficou parecido com o livro? Afinal, é uma adaptação do livro homônimo de Ernest Cline!

Quanto a isso, meus amigos leitores do Sobre Livros, o que tenho a dizer é: Pegue toda essa imaginação sobre a história que você tem baseada exclusivamente no livro, guarde num cantinho do cérebro e reveja seus pensamentos. Não, o filme não é igual ao livro. E isso trouxe sentimentos tanto bons quanto ruins para mim.

Primeiro, vamos lembrar, uma vez mais, que se trata de uma ADAPTAÇÃO. Ou seja, são quase “mundos” totalmente diferentes. É preciso compreender que determinadas situações e coisas não ficariam nem seriam possíveis se conceber em um filme, de modo que é necessário se adaptar ao formato para que saia a contento.

Dito isso, voltemos aos sentimentos bons e ruins.

(caso você não queira ler esta parte, pule 7 parágrafos).

Confesso que cheguei mesmo no cinema esperando que Parzival fosse disputar a primeira chave com um demi-lich jogando um jogo de moeda e depois entrando em uma reprodução de Jogos de Guerra interpretando Matthew Broderic.

Juro que esperava que ele fosse ter o diário que chama de O diário do Graal todo surrado que usa pra pesquisar, justamente para demonstrar que ele é pobre o suficiente para não ter acesso às tecnologias que todos tinham.

E, ainda tão importante quanto vários outros pensamentos sobre cenas que eu queria que tivesse: queria conhecer a escola em LUDUS.

Então, inicialmente fiquei um pouco decepcionada. Mas depois do susto inicial e com tanto efeito e emoção e tiro, porrada e bomba não me incomodei mais tanto assim.

Ainda assim, foi bom ver que Wade deixa de ser o garoto tão solitário que é no livro, com problemas para se socializar para ser o garoto que já tem muitos amigos (ainda que virtuais) e que se unem não para ficar ricos, mas para combater o mal que insiste em querer vencer o concurso para abocanhar a fortuna de Halliday e tornar o OASIS um ligar horrível.

Há um James Halliday exatamente como no livro: recluso, estranho. Foi maravilhoso ver Anorak ao vivo e a cores (e que cores!!)

O diário do Graal é substituído por uma espécie de biblioteca nacional com os documentos, livros, filmes, séries que são mencionados pelo Halliday em seu almanaque que todos leem em busca da resposta para as pistas que levarão ao prêmio. Logo, Wade é poupado do velho e não tão bom trabalho de ocupar o computador com tantos arquivos.

E pensar que para Wade um computador como o que estou usando neste momento para escrever esta crítica nada mais é que uma velharia com tecnologia ultrapassada (isso porque ele não tem, no início, acesso à tecnologia de ponta existente em sua época).

Quando o filme terminou percebi, sem muito esforço, que estou completamente apaixonada tanto pelo livro quanto pelo filme, com todas as suas diferenças e semelhanças e efeitos futuristas. Pode ser que eu demore uns dias para superar o mundo de OASIS e já estou sentindo falta de todos aqueles avatares.

Sem me estender mais, sob pena de acabar contando tudo tanto sobre o filme quanto sobre o livro digo que vale demais a viagem a essa realidade virtual que nos é proporcionada por Spielberg. Mais do que dar asas à imaginação: é dar vida a tudo aquilo que viemos imaginando desde a leitura até chegar a essa adaptação fantástica. Assistam ao trailer!

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