
Hoje é dia da coluna “HenckeLoad” no Sobre Livros, assinada pelo escritor gaúcho Fábio Henckel. Dessa vez Henckel faz uma entrevista exclusiva com o Chapeleiro Maluco, está imperdível.
Toda segunda-feira Fábio Henckel trará alguns exercícios para reflexões, misturando atualidades com criaturas inventadas. Divirtam-se!
Entrevista com o Chapeleiro
Fábio Henckel
Pulem Lewis Carroll e suas absurdas manias de escrever para crianças. Saltem Tim Burton e o jeito gótico bem-humorado de ver o mundo. Esqueçam Johnny Deep e suas perucas coloridas. Vamos direto ao que interessa: eu conversei com o próprio personagem que pulou de coadjuvante para protagonista em uma das histórias mais comentadas de todos os tempos.
Transcrevo aqui um bate-papo que tive com este elegante inglês, que não abre mão do seu paletó tweed e vive às birras com a realeza. Ele me contou um pouco do que pensa sobre literatura, cinema, matemática e chá.
EU - Olá. Muito obrigado por me ceder um pouco do seu precioso tempo…
LOUCO - Não. Nada disso. Vou dar uma entrevista. Meu tempo é meu. Prefiro que continue assim.
EU - Ok. Ok. Desculpe, mas não sei como me refiro a você. Posso te chamar de Chapeleiro.
Nós estávamos sentados em uma comprida mesa de jardim. Muito gentil e um pouco atrapalhado, ele foi logo me servindo chá enquanto falava.
LOUCO - Prefiro ser chamado de Louco. É mais elegante.
EU – Se todos no País das Maravilhas são loucos. Porque só você acha que pode tomar a palavra para si?
LOUCO - Não quero tomar palavras. Prefiro chá.
EU - Gostei do assunto. Vou insistir. Dizem que na época do seu nascimento um certo vapor causava loucura aos fabricantes de chapéu. Por isso, era comum a expressão ‘Louco como um chapeleiro‘… E daí surgiu seu nome.
LOUCO - Que sorte a minha. Imagine se a expressão fosse: ‘Feio como um chapeleiro‘…
EU - …seu nome seria Chapeleiro Feio.
LOUCO - Feio é você.
EU - O quê?
LOUCO – Feio.
EU - Não. Eu não disse isso.
LOUCO - Claro que não disse. Foi eu quem disse.
EU - Ok. Outra pergunta… Ouvi dizer que você está preso nas horas porque discutiu com o Tempo. O Tempo se vingou e manteve o dia permanentemente na hora do chá.
LOUCO – Não é tão ruim. Podia ser a hora do banho.
EU - Você não gosta de tomar banho?
LOUCO - Eu já disse. Prefiro tomar chá. Você é surdo?
EU - Surdo e feio. Obrigado pelos adjetivos.
LOUCO – Não tem de quê.
EU - Ok. Vamos falar sobre a história de Alice. Quem inicia a aventura é o coelho, quando Alice o segue até a toca. Você não se sente inferiorizado pelo autor. Será que o coelho é o preferido de Lewis Carroll?
LOUCO - Se o coelho fosse importante, Johnny Deep o interpretaria.
EU - Talvez um ator tão requisitado não quisesse usar orelhas.
LOUCO - Ah! E você acha que ele preferiu ficar parecido com a Rita Lee?

EU - Rsrsrsrsrsrs. Ok, concordo com você.
LOUCO – Concorda?
EU - Sim.
LOUCO - Então, retiro o que eu disse.
EU - Como assim?
LOUCO - Não gosto que concordem comigo. A minha opinião é só minha. Crie uma opinião para você. Quer outra xícara?
EU - Não obrigado. Minha xícara ainda está cheia. A conversa está tão animada que esqueci de beber.
LOUCO - Psiiiiiit.
EU - O que foi?
LOUCO - Silêncio. Vamos deixar a conversa desanimar. Assim você pode beber.
Durante alguns minutos constrangedores, o silêncio se fez na mesa. Tive que esperar o entrevistado autorizar a próxima pergunta, olhando para o relógio e pedindo pressa.
LOUCO - Vamos às perguntas. Seja rápido. Tenho um compromisso muito importante.
EU - É mesmo?
LOUCO – Sim. Preciso ferver água. As perguntas, as perguntas…
Me atrapalhei um pouco até encontrar outra vez uma linha de raciocínio.
EU - Tudo bem… Muito se fala em lógica do absurdo na historia de Lewis Carroll. O fato do escritor ser um matemático influencia esta análise?
LOUCO - Bom, o livro pode ser interpretado de várias maneiras. Uma das interpretações diz que a história representa uma entrada súbita e inesperada na vida adulta. É um livro cheio de raciocínios próprios da ciência matemática, como um conceito geral de abstração que ocorre frequentemente em diversos âmbitos da ciência; um exemplo da utilização deste raciocínio na matemática é a substituição de variáveis. Além disso, o gosto – duvidoso, eu diria – por trocadilhos ao longo da obra, provavelmente é influenciado por essa lógica exata. Os fatos se concatenam. E a hipotenusa é perpendicular à uma óbvia razão inexplicável e lógica.
EU - Oi?
LOUCO – Oi. Tudo bem. Aceita um chá?
EU - Não. Não é isso. Eu não entendi nada do que você falou.
LOUCO - Você é burro…
De repente me vi alterado. Me pus em pé e dei um soco na mesa.
EU - Sou burro, e feio, e surdo, e o que mais?
LOUCO - Porque se critica tanto? Não se julgue desta forma. Está precisando se acalmar.
EU - É mesmo? E tem alguma ideia para isso?
LOUCO - Beba seu chá.
Em silêncio, sentei, bebi e digitei esta entrevista.
O AUTOR
Hiperativo irremediável. Atua como redator publicitário, roteirista e escritor. Foi indicado ao Annecy Animation Film Festival pela série “Haunted Tales for Wicked Kids” – Está mergulhado na criação da triologia OXZ que se propõe a explodir a cabeça de seus leitores (no sentido figurado, espera-se) www.oxz.com.br .
Outros projetos podem ser acompanhados no www.twitter.com.br/fabiohenckel
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kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk…chorei de rir, principalmente da parte da Rita Lee!
Muito bom
Esse Henckel não tem jeito! Entrevista louca.
Entrevista óooootima.
Muita criatividade da sua parte, Fabio. Você escreve muito bem e conseguiu mostrar a personalidade louca do Chapeleiro. Adorei e morri de rir aqui.
Ah, e que tal uma próxima entrevista com o Hagrid??? Ele é ótimo tambem.
EURI AGORA!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Ainda mais eu AMANDO o Johhny Depp!!! *—————*
kkkkkkkkkkkkk…..O cara é uma onda….só queria saber quem é o mais maluco entre os três..hohohohoho (ficaram na dúvida ?? )
Magistral!!!
PARABÉNS!!!
Adorei!!!
Rolei de rir!!! Mto bom!!!
Doida pra chegar a próxima segunda…
Hahahaha
Henckel vc é ótimo em arrancar risadas das pessoas!
Muuuito bom!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk….
Tinha o que nesse chá… hein??? =X
A entrevista ta suuuper viajada… adoreeeeiiiii!!
Nem perguntei. rsrs
HUASHUASHSHUHUS
muito bom *-*
asuhuashuashuhsa, amei!!! =D Super bem feito, parabéns!
UHASUHSAUHUASHUAS Muito bom, to rolando de rir aqui UAHSUHSAUhs “Você não gosta de tomar banho?” “Prefiro chá” UASUHSAUHAUSHUASH
Mega ótima, como sempre, Fábio!
Aliás… Tomou o chá é? Seeeeeeei
rsrsrsrsrsrsrrss tive que rir do comentário… tsc. tsc.
Uau, essa entrevista é histórica.
Só fiquei meio curioso e com algumas dúvidas?
Henckel, você foi levado pelo Coelho mesmo???
Você viu o Gato???
E outra… o chá era de que?????
No mais… BOM DEMAIS! Acho que essa é uma das entrevistas mais loucas e necessárias para o mundo literário… Agora se for possível, tente uma entrevista com a Hagrid… Ele é o cara pra mim!
Gostei da ideia. Tá anotada a solicitação Fabiano.
huahuHAUhauhUAHUhauhUHA eu ri muito!!!!!
A entrevista ficou perfeita!!!
Chapeleiro MITO.
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk muito legal XD
kkkkkkkkkkkkkkkkkkk, é o que resume essa entrevista.
Vou entender como um elogio
Será?
Vou entender como um elogio.
Nooooooooooooooooossa ri demaiiiiis!
Muito bom meeeesmo!
Alice é meu livro infantil preferido desde pequena (sei que isso virou cliche hoje por causa do filme, mas é bem verdade sim) e já fiz vários trabalhos de análise do psicológico do livro. Muito interessante mesmo esta entrevista suhsuhusus!!!!