A forma da água | Crítica

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Ficha técnica:

Título original: The shape of water

Distribuidora: Fox Film do Brasil

Direção: Guilhermo Del Toro

Roteiro: Vanessa Taylor, Guilermo Del Toro

Elenco: Sally Hawkins, Michael Shannon, Richard Jenkins, Octavia Spencer, Michael Stuhlbarg, Doug Jones, DAvid Hewlett, Nick Searcy.

Antes de falar do filme em si penso que você deve estar se perguntando: “Mas por que: A forma da água?” Ninguém melhor que o diretor para explicar a razão do título:

A água toma a forma de seu recipiente, seja ele qual for, e, embora a água possa ser muito suave, também é a força mais poderosa e maleável do universo. O amor também é, não é? Não importa que forma damos ao amor, ele se torna aquilo, se ele homem, mulher ou criatura.”

Tendo isso em mente, passemos às impressões sobre o filme.

As expectativas estavam nas alturas tendo em vista que o filme está sendo tão aclamado e ganhando diversos prêmios e, consequentemente, se tornando forte candidato à estatueta de melhor filme no Oscar 2018.

O filme relata a história de Elisa. Ela é muda e faz parte da equipe de limpeza noturna de um laboratório secreto do governo, na época da Guerra Fria. O laboratório tem nas mãos um inexplicável “patrimônio” biológico do governo americano, retirado das profundezas do oceano e que parece ter as qualidades fundamentais de adaptação da água: ele assume os contornos psíquicos de todo ser humano que encontra, e é capaz de refletir tanto a agressão quanto o mais intenso amor.  A criatura é considerada um deus, ante seus mistérios.

Contudo, desde que ela botou os olhos na criatura ela se encantou e tudo em sua vida começou a mudar. Ela pensa que o ser marinho não a vê como as pessoas a veem, como A MUDA e nem a olha com pena. Sem perceber, aos poucos, ela vai se apaixonando e as consequências de um romance com um “monstro” podem ser imprevisíveis.

O filme nos remete a outros diversos longas em que o monstro se apaixona pelo humano e vice-versa, cujo romance encanta a todos que assistem e, em geral, deixam o telespectador com lágrima nos olhos. Quem não se lembra de King Kong, Predador, Frankenstein? São tantos e ainda seguimos nos encantando por esses seres. Com “a forma” como é tratada a criatura de A forma da água não é diferente. Não tem como não se solidarizar e torcer para que tudo no final termine bem para ele.

Os esforços de Eliza, de seus amigos e do Dr. Dimitri, o médico responsável pela criatura (interpretado por Michael Stuhlbarg) também trouxeram uma emoção maior ao filme, o que o salvou de certa forma, pois, até determinado momento estava tudo “muito quieto.”

Foi um show de atuação de Sally Hawkins e, principalmente de Richard Jenkins como Richard Strickland, um agente do governo responsável pela equipe que tratará da criatura. Um cara machista, moralista, forte, cuja maior ambição é ser promovido e se estabilizar em uma “boa cidade”. E ele irá até a última consequência para conseguir isso.

E a trilha sonora? Que sensacional! Os mais variados estilos que combinam exatamente com a época em que se passa. Tem até Carmem Miranda!

Mas, infelizmente, apesar de toda beleza das cenas, da construção do relacionamento, da força do amor que tudo enfrenta, tudo cura, nada teme, da amizade que encara todos os tipos de perigo para se ajudar um amigo, ainda assim, não encontrei o que procurava assistindo A forma da água. Mas sigo buscando. Ainda não é o filme favorito para o Oscar, mas todas as indicações foram merecidas.

Assistam ao trailer!

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